domingo, 31 de maio de 2009

Íntimo e pessoal com Agnetha Fältskog

Agnetha Fältskog não é fácil de se pegar para uma entrevista. A imprensa do mundo inteiro pode concordar com isso. Recentemente a imprensa mundial se acumulou do lado de fora de sua casa em Lidingö após o divórcio. Implorou para obter uma entrevista, mas nada adiantou. Agnetha queria ficar sozinha.

Ela não acha que tenha muito a dizer. Mas ela também é uma pessoa naturalmente tímida, o que faz ela evitar jornalistas que freqüentemente fazem perguntas não muito importantes, diz ela.

Então porque ela concordou em me dar uma entrevista eu não sei. Talvez eu apenas tenha feito o convite a ela no momento certo.

Pela primeira vez ela fala sobre sua infância, sua educação, como ela foi descoberta, como o ABBA nasceu, amor e divórcio. Sua própria maneira de se expressar mostra uma pessoa insegura e curiosa que é. Ela esteve passando por uma crise difícil, mas agora vê a luz no fim do túnel. Então a imagem de um ser humano muito vivo que é atormentado pela culpa e quer ficar na sua emerge.

Há uma história que não foi incluída nesta entrevista. Posso falar aqui. Ela fala muito sobre o que uma modesta Agnetha Fältskog é:

Agnetha e eu decidimos ao telefone pelo encontro em um restaurante chinês em Estocolmo. Algum lugar em que cruzássemos nossos fios. Acabei no China Garden em Karlavägen, enquanto Agnetha estava à espera no China Park em Birger Jarlsgatan. Também levei meia hora para perceber a confusão. Durante esse tempo Agnetha ligou para minha casa e perguntou à minha esposa porque eu não havia aparecido. Minha esposa disse que eu havia saído há muito tempo e que normalmente sou muito pontual.

- Eu pensei que ele houvesse esquecido de mim, disse Agnetha. Mas tudo bem, eu vou esperar um pouco mais.

Esquecer uma celebridade mundialmente famosa! Esquecer um jantar com Agnetha Fältskog! Fiquei espantado quando ouvi sobre sua reação. Não me atrevi a pensar que ela ainda estaria lá. Mas ela estava - quando cheguei correndo, sem fôlego. Eu poderia nomear pelo menos 50 outras celebridades que teriam deixado o restaurante após cinco minutos se o jornalista não aparecesse. Mas é assim que ela é, Agnetha Fältskog. Na medida o que poderia se esperar de uma diva.


Você tem passado por crises em sua vida privada. Como você lida quando algo assim acontece?
- Eu tenho alguma segurança em mim. Quando ocorre um problema eu só quero ir para a casa dos meus pais. Estou muito feliz que ainda estejam por perto. Eu penso muito neles, e na minha infância. Foi aí que tudo começou, não foi? Eu cresci em Jönköping. Meu pai é um administrador na companhia de eletricidade, a minha mãe é caixa em Konsum (uma loja de alimentos), mas quando eu e minha irmã éramos mais jovens ela ficou em casa conosco durante vários anos.

Como era em casa?
- Não era exatamente uma casa tranqüila. Todos falavam uns com os outros. Papai - um verdadeiro palhaço - era algo como um pai divertido para toda a cidade. Ele escrevia shows de Ano Novo e tocava piano. Mamãe também é musical. No início desenvolvi um gosto pela diversão. Quando eu era adolescente viajava com uma orquestra de dança e cantava, escrevi minhas próprias músicas que foram bem sucedidas. Eu tinha muita liberdade. Mas é claro que eu tinha que ser responsável. Eu tinha que ser pontual e não ficar fora por muito tempo. Ao mesmo tempo, trabalhava em um escritório. Eu era a garota no quadro de distribuição. Isto não me dava muito, apenas uma sensação de ser estrangeira. Quando o telefone não estava tocando eu estava pensando sobre o que fazer da minha vida. Eu era uma sonhadora e fantasiava muito, mas ao mesmo tempo eu percebi que eu tinha que ter uma educação. Mas a música entrou no caminho. Um namorado acabou comigo e eu escrevi uma canção romântica chamada "Jag Var Så Kär" (Eu estava tão apaixonada).

E então a aventura começou?
- A esposa do líder da banda conhecido como cantor de rock Little Gerhard (Karl Gerhard Lundqvist) em Estocolmo. A orquestra decidiu enviar-lhe uma fita com algumas músicas. Nós realmente queríamos fazer uma gravação. Eu recebi uma resposta pessoal, que foi positiva. Eu não podia acreditar nisso no início. Era assim que eu estava convencida que eu nunca iria significar nada. Isto resultou em uma gravação no estúdio Philips em Estocolmo, mas não com a "minha" orquestra. Meu pai veio comigo e segurou a minha mão. Eu estava mais nervosa do que nunca. Eu estava tremendo e minha boca estava seca. Nós gravamos e lançamos dois singles, o que era invulgar para uma estreante. O meu ídolo naquele tempo era Connie Francis. Eles disseram que soei parecida com ela. "Jag Var Så Kär" se tornou um sucesso. A aventura havia começado.

Como foi formado o ABBA?
- ABBA foi formado por amor, você poderia dizer. Björn e eu estávamos apaixonados. E assim foi com Benny e Anni-Frid. Estávamos todos apaixonados e animados especialmente quando trabalhávamos juntos. Nos tornamos mundialmente famosos, mas isso não significa nada para nós. Nós somos suecos e suecos estão firmemente plantados no chão. Björn e eu vivemos juntos por três anos, então nos casamos. Estávamos casados há sete anos quando nos divorciamos. Isto não terminou abruptamente. Foi um longo processo. Mas o ABBA não tem nada a ver com isso. Teríamos nos divorciado mesmo se não trabalhássemos juntos. Nós nos desenvolvemos em direções diferentes e os problemas começaram. Eu senti como se não tivesse toda liberdade no casamento, bloqueada. Nós apenas nos abatemos por amor e nos aborrecemos um com outro até que decidimos viver separados.

Por quê?
- Há algo estranho quando estamos casados. Você dedica todo seu tempo ao seu parceiro e você esquece de seus amigos. Depois de um tempo você se sente bloqueado e se pergunta o que aconteceu. Você ainda não cresceu como pessoa e começa a entrar em pânico. Posso fazer isso comigo, vou destruir isso pelos meus filhos? O que eu quero fazer com a minha vida? É a grama verde do outro lado? Sua consciência assombra você, assim como seus medos do futuro.
- Quando Björn e eu chegamos a esse nível procuramos um psicólogo, assim como você vai ao médico se estiver fisicamente doente. Nada de estranho nisso. Mas os tablóides fizeram um grande barulho pelo fato de termos ido ver um psicólogo e insinuaram que eu estava tendo um caso com ele. Era apenas mais uma mentira ali?
- Um divórcio é algo terrível de se passar. Mas é ainda pior ser submetido às mentiras dos tablóides em artigos onde eles apresentam isso como verdade. Você fica impotente. Não ajuda se você recorrer a eles para que lhe deixem em paz. Existem algumas revistas que escrevem exatamente o que querem e que usam para aumentar as vendas.

Então agora você tem crises de convivência com o ABBA?
- Uma vez que decidimos pela separação isto naturalmente levou a uma reunião no ABBA. O que um divórcio significaria para o ABBA? Ficamos todos de acordo que não significaria nada. Nós continuaríamos indo como de costume e estamos fazendo isso há seis meses. E trabalhamos muito bem.

Quando o ABBA se dividirá?
- Se o ABBA se dividir não será por causa de assuntos amorosos internos, seria porque Björn e Benny não querem mais escrever músicas. É preciso muito esforço, eles trabalham isolados por semanas toda vez que escrevem algo novo. É apenas razoável que a inspiração desapareça eventualmente.

Como é que você passa o seu tempo livre?
- Eu passo todo meu tempo livre com os meus filhos. Linda tem 6 anos, Christian tem 1. Nós jogamos, caminhamos, vamos à Skansen, ouvimos música. As crianças são o mais importante na minha vida. É importante dormir bem. Isso nem sempre acontece quando você tem filhos pequenos. Se eu dormir apenas por quatro horas o dia seguinte fica completamente arruinado pra mim.

Você tem recebido muitas cartas (dos fãs)?
- Muitas cartas chegam, não poucas do exterior, depois do nosso divórcio. Os remetentes estão chateados com o que aconteceu, eles querem conforto e ajuda. Acho surpreendente que tantas pessoas possam ficar tão envolvidas só porque eu sou uma cantora. Alguns deles perguntam se nós vamos voltar a ficar juntos. Nós nos machucamos muito um a outro, por isso muitas coisas foram ditas. Porque estamos tão descuidados com o amor? Dessa forma, é possível viver sem amor? Não, eu não posso.

O que disse Stikkan Anderson quando começou a ouvir falar sobre o seu divórcio?
- Stikkan ficou realmente triste quando eu disse a ele que estava decidido. Ele ficou também preocupado com o ABBA, mas foi mais triste para mim e Björn.

E como pensa hoje?
- Pergunto-me quão atrativo uma mãe solteira de dois filhos realmente é? Eu não acho que seja muito fácil. Questiono toda minha existência. Mas dentro de minha música, eu sou forte. Mas eu não escrevo mais letras. A razão para isso pode ser que eu acho que a própria vida é como uma letra.

Você está feliz agora?
- Tem sido dito nos jornais que estou feliz após o divórcio, que eu estou alegre e ativa no movimento dos direitos das mulheres. Isso não é verdade. Eu li esse artigo antes de ser publicado e o aprovei. Mas eu tenho um ponto fraco: Eu quero agradar a todos. É por isso que não pedi-lhes pra remover isso.
- Felicidade, o que é isso? Posso acordar de manhã me sentindo muito animada... E à noite eu posso estar me preparando para enforcar-me. A felicidade só existe no momento. A felicidade é escrever música. Às vezes fico com uma melodia presa na minha cabeça depois que vou para a cama. Então eu me levanto e sento ao piano. Mas normalmente estas melodias não correspondem. A música que é boa o suficiente eu tenho que chegar a ela. É um trabalho duro. Mas isto é uma espécie de felicidade entretano. Também é difícil encontrar inspiração já que quase nunca ouço qualquer música boa. Se eu ligo o rádio fico decepcionada. Eles parecem conversar mais.

Você se sente desconcentrada?
- Periodicamente eu me sinto muito desconcentrada. Nunca tenho tempo suficiente para a minha própria música. O ABBA toma a maior parte do meu tempo, e as crianças. Às vezes tenho pensado em ficar em casa. Mas eu também quero fazer outra coisa, caso contrário cuidar das crianças iria me absorver. E eu tenho sorte de ter uma babá, uma amiga realmente, que me ajuda com as crianças, ela está conosco há um ano e meio.

Você está ativa dentro do movimento dos direitos das mulheres?
- Não tenho nada a ver com isso e realmente não entendo o que ele significa. A libertação das mulhres é uma coisa boa. Mas isso não deve ser exagerado. Não temos bastante igualdade agora? Se eu entendo o movimento dos direitos das mulheres corretamente eles querem independência total. E tal coisa não existe. Todos dependemos uns dos outros.

Você acredita no amor - apesar de tudo?
- Sim. O amor entre o homem e a mulher e entre as pessoas.

Os rapazes devem estar perseguindo você.
- Agora - após o divórcio - os rapazes estão me perseguindo. Recebo flores e bilhetes. Mas eu sou muito cautelosa e não vou cair facilmente. Viver junto é muito complicado. Se eu me apaixonar novamente vou ter muito cuidado com esse amor. Ao mesmo tempo sei que é impossível encontrar um esquema perfeito para a sua vida amorosa. Crises vão aparecer eventualmente. A razão é que você nunca conhece realmente a outra pessoa e que a rotina diária dentro de um casamento contém uma grande quantidade de armadilhas.

Um contrato de casamento - que é isto pra você?
- Contratos de casamento são irrealistas. Você não se senta e marca as boas e más qualidades do outro em um formulário antes de você se casar. Um casamento é como um pedaço de papel em branco, que pode ser preenchido com escritos.

Você está interessada no poder?
- Através do sucesso você ganha poder. Mas eu não estou interessada em uma posição de destaque. Isto exige um esforço da minha parte quando as pessoas me vêem como uma estrela, quando elas podem interagir comigo naturalmente. Eu percebo que elas ficam tensas, por isso fico tensa. Embora eu ache que tenho aprendido a tornar isso mais fácil para elas. Eu própria não me impressiono com ninguém. Eu sou uma pessoa que é movida pelas emoções, eu ajo e julgo os outros muito como me sinto. Eu tenho tentado superar o fracasso do meu casamento por uma longo tempo. Estou trabalhando em mim agora, E nesse processo eu tenho desenvolvido uma percepção em que consigo ver se alguém passou por um divórcio. Isto deixa marcas irreversíveis, está na atmosfera em volta dessa pessoa.

O que você quer alcançar com a sua intuição?
- Geralmente a uso para sentir se uma canção será um sucesso ou não. Mas também sou o tipo de pessoa que pode desistir e dar a volta de uma pista de vôo. - Quanto mais eu vôo, mais ansiosa fico. Eu acho isso desafiar poderes maiores e eu sempre faço uma oração pouco antes do início do desembarque. Eu preferiria ficar no chão. Mas temos que viajar bastante ao redor do mundo. Eu gosto disso, por enquanto. A essa altura eu quero ir pra casa para os filhos, a cozinha, o jeans, o espaguete à bolonhesa. Eu prefiro a vida simples à vida no luxo, tenho dificuldade para me sentir como uma milionária. A maior parte do nosso dinheiro está investido em imóveis e em outros coisas e então os impostos são imensos - por isso nunca vemos realmente o dinheiro.

Você ainda mora na vila?
- Eu prentendo ficar na casa em Lindigö para onde eu e as crianças nos mudamos quando decidimos nos separar. Sua localização é um pouco visível, mas vou buscar ajuda para conseguir uma barreira para evitar que as pessoas a procurem.

E a ilha do ABBA - o que vai acontecer com ela?
- Eu vou deixar a ilha do ABBA no arquipélago de Estocolmo por bem. Mas os outros vão continuar a estar lá como antes. A ilha nunca realmente significou muito pra mim. É bom estar lá quando o tempo está bom. Mas isso nem sempre acontece e depois você só se sente isolado. Você tem que depender de barcos para chegar lá e voltar e eu só dirijo até à ponte. Eu apenas não posso aprender como colocar o barco...

Por Jackie Lindberg

(Entrevista publicada na revista VeckoRevyn em 29 de maio de 1979)

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