segunda-feira, 6 de maio de 2013

ABBA ontem, hoje e sempre: museu do grupo é inaugurado


Um templo grandioso com cores, brilhos e músicas inteiramente dedicado ao ABBA. Sim, a partir de amanhã, 7 de maio de 2013, o sonho de milhões de fãs ao redor do mundo se torna realidade. O museu do ABBA, na Suécia, abre suas portas após anos de expectativa, especulações, planos e trabalho árduo. Um local único, onde será possível passar pelos estúdios da Polar Music, os camarins dos shows, os parques suecos, os cenários das fotos e muito mais. O museu vai exibir reproduções fiéis desses lugares todos, além de peças 100% originais, da época do ABBA (roupas, acessórios, objetos etc.).

Ilustração de como será o museu

Personal stylist do ABBA enquanto o grupo esteve ativo, Ingmarie Halling é a curadora do museu
Além disso, apresentações interativas completam a euforia: você pode se “mesclar” ao ABBA, sentir-se um dos membros do grupo e cantar junto com eles no palco, em pleno show. Vamos entrar em um lugar onde cada um dos visitantes poderá, por alguns instantes, se tornar o quinto integrante do ABBA, explica Mattias Hansson, diretor executivo do museu, para a BBCUm verdadeiro túnel do tempo que recria toda a magia de um tempo em que o quarteto sueco reinava nas paradas de sucesso mundo afora e vendia discos feito água.

Ingmarie Halling e Mattias Hansson, diretor executivo do museu
ABBA The Museum fica na ilha de Djurgården, situada ao leste de Estocolmo, capital sueca. Björn, juntamente com Benny e Frida, estarão lá amanhã para cortar a fita inaugural. Agnetha não vai estar presente, pois se encontra em Londres divulgando seu novo CD, A. Novamente a loura do ABBA é motivo de controvérsia. Teria sido essa ‘ausência’ uma estratégia para não aparecer junto aos outros ex-membros do grupo? Ou apenas mera coincidência? As opiniões entre os fãs ficam divididas.

Agnetha posa para foto de divulgação de seu novo CD solo (maio de 2013)
Apesar de se mostrar cada vez mais à vontade com a mídia, concordando em ser entrevistada por jornais, revistas, aparecer em programas de TV e até mesmo em sair da Suécia só para promover seu novo álbum, Agnetha ainda parece relutante quando se trata de juntar-se aos antigos colegas do grupo. Mas nem isso é capaz de arranhar o brilho dessa inauguração. Fãs de várias partes do mundo são esperados no evento, que vai recontar com detahes toda a trajetória do ABBA, desde a vitória no Eurovision Song Contest em 1974 até o fim da banda, nove anos depois.

ABBA após a vitória no Eurovision (1974)
O museu conta com o apoio total dos ex-membros do ABBA. Björn gerencia diariamente as dezenas de funcionários envolvidos nos últimos preparativos para a grande inauguração.  Nada ficou de fora do acervo, nem mesmo as famosas botas-plataforma, tantas vezes usadas pelo ABBA. Um detalhe interessante: como Björn era o mais baixo dos quatro, suas botas eram sempre as de salto mais alto. E assim como a sensacional guitarra em forma de estrela, usada na noite do Eurovision, suas roupas eram sempre as mais extravagantes.

ABBA em 1975

“Sim, eu usava as roupas mais engraçadas, mas a culpa era minha mesmo. Acho que todos queriam um look bem radical, chamativo. No meu caso, creio que eu queria mais do que os outros”, conta ele ao jornal inglês Daily Mail do último dia 3 de maio, em entrevista concedida à jornalista Jan Moir. “Talvez eu tivesse menos autoconfiança que os outros e tentasse balancear isso com aquelas roupas engraçadas”.

Aos 68 de idade, Björn conserva-se tão em forma quanto antigamente. “Experimentei um dos meus macacões antigos do ABBA há uns dois anos. Serviu direitinho, sem problema. E eu fiquei ridículo, claro”, diverte-se ele. Björn me disse que, com o passar do tempo, tem sido mais fácil olhar para o passado. Tanto para as lembranças boas quanto para os momentos difíceis, revela Mattias Hansson. 

Sobre a recorrente pergunta a respeito de uma possível volta do ABBA, mais uma vez ele é categórico: “Juro pra você que o ABBA nunca vai se juntar novamente – eu não suportaria o estresse de desapontar a todos”, revela. “E quando você escuta nossas músicas, não acha gostoso ter na mente a imagem de quatro jovens cheios de energia? Muito melhor do que quatro velhotes, sem dúvida”.

Björn posa para as câmeras do Daily Mail, sentado no banco de praça montado em um dos cenários do museu. O mesmo banco que aparece na foto da capa do LP Greatest Hits (1976), bem atrás dele – uma das primeiras fotos publicitárias do ABBA. Hoje ele se parece exatamente com o que de fato ele é: um abastado empresário e investidor sueco, alguém com “vários interesses comerciais”. Tanto que ele é o maior investidor do museu, que conta ainda com um hotel de 50 dormitórios.


Sob circunstâncias normais, Björn Ulvaeus nunca se envolveria no projeto de um museu dedicado ao ABBA. Não é do seu feitio (ou de qualquer outro ex-membro do ABBA) ficar alardeando sobre o incrível sucesso do grupo. A natureza dos suecos não deixa espaço para estrelismos nem deslumbramentos. “É meio estranho”, ele conta. “Mas o museu vai estar aqui na minha cidade, bem na minha porta. Vou ser constantemente lembrado de que ele existe. Eu não conseguiria conviver com as pessoas passando por ele e dizendo ‘bem, humm, é mais ou menos, Björn, podia ser melhorzinho’, sabendo que eu poderia ter ajudado a fazer algo bacana e melhor”.

E é exatamente o que ele está fazendo com o novo empreendimento em sua cidade – que por sinal já tem 70 museus (provavelmente mais museus por quilômetro quadrado do que qualquer outro lugar do mundo). Em se tratando de Estocolmo, o passado nunca está muito distante.

Apesar das perguntas dos jornalistas serem sempre semelhantes, assim como muitas das respostas, nem tudo já foi dito e feito. “Será que a esta altura já revelei tudo?”, questiona-se Björn. “Creio ter sido muito aberto sobre mim mesmo em entrevistas e programas, mas ainda há muito lá no fundo. Existem segredos. As pessoas se surpreenderiam comigo, mas nunca contarei por quê”, diz ele, mantendo a privacidade.

Björn ainda lida com o desafio emocional de caminhar em um museu dedicado ao trabalho de toda a sua vida – o tipo de homenagem que geralmente é prestada às pessoas depois de mortas. “Eu sei”, concorda ele, “mas a sensação é mais ou menos essa mesmo. Estamos contando a história de quatro outras pessoas. Não sou quem eu era. Olho pra mim naquela época e mal reconheço quem é aquele rapaz. Mas não cheguei a esquecer completamente”.

Que conselho ele daria para aquele Björn da juventude? “Eu diria e ele, olhe para o que é importante de verdade e descarte o resto. Essa é a dificuldade, uma vez que você se encontra no meio de algo tão grande. Muita gente quer um pedaço de você. E você acaba querendo agradar a todos, o que é impossível”.

No auge da fama, por vezes hordas de fãs forçavam o grupo a se trancar em quartos de hotel durante as turnês. Ainda bem que a Suécia estava sempre ali para quando eles voltassem para casa. “Podíamos andar por Estocolmo e as pessoas sabiam que ali estavam Björn e Agnetha, mas ninguém nos incomodava. Algumas pessoas precisam de paredes em volta de si, segurança. Acreditam que têm que sobreviver a algum tipo de mito. Mas nós decidimos que não, que isso não era para nós”.

Benny e Frida: em 1976 e em 2010
O peso de fazer parte do ABBA foi demais para os dois casais. As mudanças ocorridas dentro do grupo após os divórcios se refletiram nas músicas. Um dos grandes paradoxos do ABBA era o fato de uma fina camada de melancolia se manter logo abaixo da superfície de canções alegres. “Muitas das canções são melancólicas, lentas, algumas até com letras mais profundas. Mas de alguma forma os arranjos e a voz das garotas iam contra isso totalmente, dando um ar radiante às músicas. Mesmo quando eram canções mais tristes”.

Lena e Björn
Casado com a jornalista sueca Lena Källersjö desde 1981, com quem permanece até hoje, Björn leva uma vida simples, à moda dos suecos. A riqueza nunca o distanciou de seus prazeres domésticos.  Ele passeia em seu barco, corre na esteira de sua academia e se diverte viajando com a família – seus quatro filhos e cinco netos, além da esposa. “Alugamos uma casa bem grande e o vovô aqui aproveita para brincar com os netos na piscina”, conta. Recentemente ele aceitou a velhice. “O que eu mais sinto falta é daquele futuro sem limites que eu vislumbrava. Quando o horizonte parecia tão distante. De repente você se dá conta de que esse não é mais o caso. A vida não continua para sempre e você vê que já realizou a maioria das coisas com as quais sonhou. É uma situação completamente diferente”.

O ABBA é, sem dúvida, merecedor de um museu. Durante os nove anos em que o grupo esteve ativo, vendeu mais de 400 milhões de álbuns e compactos. ABBA Gold é o terceiro álbum mais vendido de todos os tempos – e continua vendendo milhões de discos a cada ano. Nada mais justo do que um museu que terá a honra de ser visitado por seus próprios homenageados.



Fonte:

1 comments:

Teresinha Lima disse...

adoro este grupo.

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