sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A História do ABBA - Parte 4

O fracasso de "Ring Ring'" em 1973 talvez os tenha levado a uma inspiração de grandes consequências. "Waterloo" tornou-se a entrada sueca para o Eurovision Song Contest em Brighton. E todo mundo sabe o que "Waterloo" significa: o fim, o fracasso, a derrota. O ABBA não conheceu o seu "Waterloo" na Inglaterra. Melhor que isso, o quarteto apresentou-se para uma plateia de milhões de pessoas com um prazer ainda inigualável. O ABBA se apresentou com tanta força que agora parece que eles nunca irão desaparecer um dia.

A empresa Anderson inteira juntou-se a esta tranquila, mas também comercial corrida para Brighton. Com uma precisão digna de um ataque militar, Stikkan havia descoberto tudo. Como um comandante, ele liderou a campanha que deveria conduzir a um único objetivo: a conquista de milhões de corações. Essa foi uma razão pela qual eles optaram pelo título "Waterloo", como se isso fosse um duplo desafio. O que havia precedido Brighton? Stikkan enviou um memorando a todos os seus amigos de negócios ao redor do mundo, pedindo-lhes para que se informassem sobre o que estava exatamente acontecendo no mundo da música. Quais as tendências lá fora? Quais os ritmos que estavam em alta? Qual som alfinetava os ouvidos dos juízes para eles darem notas altas? Os seus "agentes secretos" enviaram para Stig relatórios que eram muito secretos, uma mesa cheia, e como um verdadeiro chefe de pessoal Stikkan soube ordenar tudo e... repassar para Benny e Björn.

Passo a passo "Waterloo" nasceu. A dúvida era quais roupas deveriam ser usadas. A apresentação foi trabalhada, a mídia internacional foi conquistada e o inimigo foi expulso. "Waterloo" poderia ser compreensível para os japoneses, mas para o público da Bulgária também. Uma música agitada seria uma boa escolha internacional na época. Quando toda esta investigação foi concluída a canção nasceu. Stikkan e Björn passaram centenas de horas nisso. Quanto mais simples uma música e uma apresentação parecem ser, mais suada é a sua criação. Com seu marcante sorriso algo cínico, Stig agora havia reduzido a questão a um ponto muito simples: "Nós estávamos procurando e encontramos um som staccato boom-boom com um tom otimista forte." Bem, não era assim tão simples e Stig sabia bem disso. Björn disse: "Talvez a música soava um pouco como um computador. Eu não culpo a ninguém por pensar algo parecido. Nós a tocamos com cuidado. Nós não estávamos autorizados a cometer erros que teriam prejudicado a nossa reputação na medida em que teríamos que começar tudo de novo. Apesar do fato de termos tocado com cuidado, eu ainda acho que 'Waterloo' é uma boa canção, eu acredito que ainda hoje em dia. Todos nós trabalhamos duro nela." Três deles - Stig, Benny e Björn - queriam conseguir apenas uma coisa: o topo. E foi por isso que o título "Waterloo" foi tão bem emprestado de um livro de história.

Além da parte musical - a música, o arranjo - Stig tinha que cuidar dos efeitos visuais também. "Você só tem três minutos", diz Stig, "e dentro desses três minutos isso tem de acontecer. A música tem de funcionar. O grupo tem de ser bom. A apresentação tem de ser impecável. Em três minutos, você tem de impressionar milhões e milhões de telespectadores. Não é uma tarefa fácil." Primeiramente, Stig tinha a certeza de que o maestro deveria estar vestido em um traje de Napoleão, completando com o chapéu em cruz. Isso já era um grande começo. Normalmente os maestros sobem ao palco em seus trajes escuros, eles parecem todos iguais. Este maestro ganhou o público de imediato. O primeiro obstáculo difícil havia sido vencido. O ABBA tinha que ofuscar o maestro com as suas fantasias. Foi por isso que Stig optou por trajes brilhantes que eram tão coloridos e escandalosos que mesmo os trajes de Gary Glitter empalideceriam se comparados com eles. Roupas de seda, bordadas com todos os tipos de babados. As pessoas que não favoreciam o ABBA haviam sido retiradas do corpo de jurados e a plateia estava repleta de jovens que entendiam o que o ABBA estava fazendo. Então os outro dezesseis finalistas empalideceram na insignificância. "Waterloo" se transformou em uma vitória. A Armada Espanhola foi derrotada. Dificilmente recuperados da vitória nacional, surgiu a dúvida se haveria qualquer chance do ABBA vencer em Brighton. Stig Anderson: "Eu só posso dizer: nós venceremos." E as coisas eram simples assim para um homem como Stikkan Anderson. Pouco antes da final nacional ele decidiu que eles não se apresentariam mais como Björn, Benny, Agnetha e Anni-Frid, mas como ABBA. "Não adianta tornar as coisas complicadas para as pessoas. ABBA é adequado. ABBA é compreensível para todo mundo."

A batalha em "Waterloo" havia sido vencida, mas isso não significava que os quatro poderiam descansar sobre os louros da vitória. Era como uma série de jogos da Copa Européia. Nas quartas de final você tem batido uma equipe e logo depois você está focado na semifinal. Foi a mesma coisa com o ABBA. O single "Waterloo" foi lançado em todos os países europeus e Stig Anderson viu pessoalmente que todos os esforços foram feitos para colocar este disco nas paradas. Stig enviou o seu relações públicas para fazer muitos trabalhos preparatórios para Brighton. Somente na Suécia ele gastou nada menos do que 50.000 coroas suecas (na época cerca de 40.000 florins holandeses) para exibir cartazes do ABBA em cada esquina. Stig: "Com 'Ring Ring' já havíamos quebrado muitos mercados para o grupo. Para mim isto provou que o ABBA tinha apelo para o público internacional. Com "Waterloo" veio apenas a maior revelação. Não havia como impedir isso." Com o ABBA, o complexo de inferioridade do show business sueco desapareceu também. Até então as pessoas geralmente riam quando atuações suecas ou escandinavas eram discutidas. Por exemplo, elas rebentavam em altas gargalhadas por causa da sua pronúncia. Mas isso agora havia acabado. Brighton estava há apenas algumas semanas de distância e "Waterloo" já havia vendido 110.000 singles e 97.000 álbuns na Suécia. Stig Anderson poderia estar cheio de confiança (e com razão), mas os membros do ABBA ainda não estavam convencidos. A supersticiosa Anni-Frid colocou o talismã mais uma vez: um sombrero mexicano, que ela não tirou até Brighton. Ela usou este chapéu durante duas semanas inteiras, até na cama. Benny: "Na verdade, esse chapéu é o nosso amuleto da sorte. Eu o chamo de 'nosso chapéu da sorte'. As pessoas tendem a rir disso, mas no show business somos supersticiosos. Portanto, quando você vê Anni-Frid usando esse chapéu é porque nós estamos em algo muito especial. Ela usa esse chapéu até na cama e você pode imaginar como isso é desagradável, mas até agora isto tem valido a pena."

O ABBA tem outro talismã: a guitarra em forma de estrela de Björn. Em outras palavras: o maestro em trajes de Napoleão... as garotas em trajes brilhantes... os garotos em suas roupas apertadas e brilhantes... a guitarra em forma de estrela de Björn... a canção "Waterloo"... tudo o que o ABBA tinha a dizer era: "Tentem nos ignorar agora." Em Brighton nem tudo parecia próspero. Por alguma razão, o ABBA era uma espécie de intruso. As pessoas, especialmente os jornalistas, estavam sendo bastante negativos e faziam perguntas como "quem vocês acham que são e o que exatamente é isto que vocês estão fazendo" e "vocês estão tendo um dia de folga da escola." Foi Anni-Frid quem conseguiu vencer esses jornalistas com suas elegantes - mas muito espertas - respostas. Um deles perguntou: "quem é essa garota bem educada e amável? Vocês não vão encontrar muitas como essa no show business." Anni-Frid foi proclamada a "dama" dos competidores, ela tinha classe e tinha a coragem de falar para a mídia internacional. Ela disse: "Isto não é problema para mim. Não é mérito meu, isto vem naturalmente." Nós não falamos ainda sobre outro amuleto da sorte. Mesmo o ABBA não fala muito sobre ele. É um burro de pelúcia. Um boneco enorme, que não é fácil de carregar. Mas este burro ajudou o ABBA na final sueca (diz o ABBA) e por isso ele deveria estar presente na Inglaterra também.

O vôo de Estocolmo a Londres diferia um pouco das outras viagens que o ABBA tinha feito. Normalmente havia muitas risadas e piadas sendo contadas. Mas desta vez o grupo apenas se sentou junto, todos eles pensando na final. Raramente houve um grupo mais motivado. "Nós não falamos muito sobre o Eurovision Song Contest", lembra Björn, "mas sabíamos que isso estava em nossos pensamentos. Todos nós no nosso próprio (silêncio) jeito." E sobre Brighton: "Esta cidade foi uma revelação para nós", diz Agnetha, "a tensão havia desaparecido. Havia um vento fresco encantador. Primavera. Eu me senti muito feliz." Mas quando o ABBA subiu ao palco, não havia mar por mais brilhante que fosse que pudesse fazê-los relaxar. O pensamento de que haveria quinhentos milhões de telespectadores ou mais os deixou mais assustados. O evento aconteceu no The Dome, um belo local, repleto de jornalistas, chacoalhando telexes, telefones tocando e cliques de câmeras fotográficas. Em suma, a pulsação do concurso. Tudo foi organizado com perfeição e era como se a própria Brighton - sendo uma atração turística - tivesse publicidade digna de alguns milhões de libras esterlinas. Stig chegou juntamente com o grupo e queria fazer alguns negócios com antecedência. Ele viajou para Londres e tocou "Waterloo" para um editor musical. O homem recusou-se a comprar a canção. "Para protegê-lo do constrangimento não vou mencionar o nome dele. Ele disse algo como: "Com um piano grossero como esse, vocês não serão capazes de agitar ninguém. Isso é antiquado." O mesmo editor musical ligou para Stig depois do programa e perguntou se ele ainda poderia comprar "Waterloo". "Eu apenas desliguei o telefone", sorri Stig agora.

De volta a Brighton, Stig percebeu que o ABBA era um favorito entre os apostadores: 6 para 1. Mas quando o momento da verdade se aproximava, a opinião mudou drasticamente: 20 a 1. Em reação a isso, Stig, Benny e Björn começaram a fazer apostas em todo lugar. Eles apostaram várias libras em... ABBA. O favorito naquele momento: Olivia Newton-John com "Long Live Love", seguida de perto pelo nosso próprio Mouth & McNeal. Apesar de tudo, Stig sentiu que não podia dar errado. Brighton estava fechada para quem não tivesse nada a ver com o concurso. Policiais nervosos mantinham uma estreita vigilância sobre as pessoas. E havia uma segurança especial, rigorosa para os membros dos grupos de Israel, Grécia e Irlanda. Na época havia um medo enorme que atravessava a Inglaterra de que bombas poderiam ser colocadas em qualquer lugar pelo IRA. Um evento como esse concurso atrairia uma publicidade internacional enorme para os terroristas. Anni-Frid relembra vividamente quando diz: "Você não podia mover um músculo sem que um agente de segurança verificasse o seu passaporte ou lhe revistasse. Eu achei isso uma vergonha. Especialmente em Brighton, que era uma cidade encantadora, romântica e tranquila."

Os ensaios começaram um dia antes da transmissão e não correram bem para o ABBA. O grupo trouxe a sua própria música de fundo e quando ela foi tocada, tudo soava horrível. O "boom" na canção é extremamente importante e quando não sai nos alto-falantes da maneira correta suas chances são diminuídas drasticamente. Os amigos suecos reuniram-se em torno do técnico e após vários momentos estressantes, ele descobriu a imprecisão e o ABBA estava - mais ou menos - apto a fazer o ensaio. Naquele dia era o aniversário de 24 anos de Agnetha e isso significava que, após os ensaios que de resto foram impecáveis, o grupo imediatamente abriu uma garrafa de champanhe no hotel e levantou as taças pela sua saúde. E foi assim que eles passaram aquelas últimas horas antes do grande evento. E como essas horas passavam a tensão na equipe ABBA aumentava. Havia dúvidas: "a música de fundo seria impecável" ou "a voz de Frida faria isso até o fim" ou "não vamos estourar nessas roupas muito apertadas." Apesar desta crescente - e também desgastante - tensão, o quarteto dormiu por dez horas seguidas... em outras palavras: essa tensão era tão desgastante que o corpo só queria dormir um pouco.

Sábado, 6 de abril. O dia da grande final. Benny foi o primeiro a sair da sua cama e tomou o café da manhã no restaurante do hotel, mas ele não foi capaz de digerir qualquer sanduíche ou biscoito. "Eu via todo mundo fazendo os seus gigantes pratos de café da manhã inglês," diz Benny: "Eu não entendo isso. Ovos e bacon. Só de pensar fico enjoado. Eu realmente estava muito nervoso. Havia muita coisa em jogo para nós. Vínhamos trabalhando noite e dia para Brighton. A campanha não podia falhar, mas eu sabia que o menor erro poderia nos levar ao fracasso." Björn: "Eu me senti da mesma forma que Benny, mas fiquei totalmente aliviado quando o técnico apareceu para nos dizer que tudo estava bem." Por volta do meio dia o ABBA já havia se retirado para fazer os preparativos necessários para a sua apresentação naquela noite. Os figurinos foram checados e novamente montados. As falhas foram corrigidas e Agnetha manuseou o ferro de engomar para suavizar as ondulações obstinadas. Agnetha: "Eu disse então: estas roupas parecem ótimas em nós. Se nós cantarmos tão bem quanto aparentamos então ninguém terá chances." Havia ainda outro ensaio com a roupa, outro ensaio com a câmera e mais espera. "Para nos incentivar", diz Björn, "Eu havia trazido um gravador com 'Waterloo' e psicologicamente acredito que era a coisa certa a fazer. Todos nós acreditávamos em 'Waterloo'. Esse era o nosso apoio. Então toda hora em que o humor caía eu tocava a fita." O grupo fez outra caminhada energizante na praia - para o descontentamento da organização - e voltou de bochechas rosadas. Björn: "Eu me sentia muito bem. Como um boxeador se sente antes de uma partida: bem descansado, bem treinado." Naquele momento os quatro não sabiam sobre a crítica de "Waterloo" no jornal sueco Dagens Nyheter, escrita por Christa Lundblad. "Para mim isso foi uma punhalada nas costas", diz Stig, "você não faz algo assim com a sua própria gente." Christa escreveu: "A música 'Waterloo' do grupo ABBA é plágio puro. A introdução foi roubada de 10CC, o refrão veio de 'Build Me Up Buttercup' do grupo inglês Foundations e o saxofone soa como os discos de Junior Walker. Eu também reconheci trechos do primeiro recital de piano de Tchaikovsky. Resumindo, o ABBA escutou muitos discos antes de criar 'Waterloo'. Isso provavelmente irá se transformar no seu 'Waterloo' pessoal. Eles pediram por isso." Um "criticismo" como esse realmente era uma facada nas costas e Stig estava furioso. Especialmente porque o ódio como aquele ainda estava vivo, contra ele e contra o ABBA.

Vamos voltar para o The Dome. De volta à sala onde todos os finalistas estavam juntos. "Eu estava espantado", diz Benny, "como eles haviam sido capazes de colocar tantas pessoas em uma sala tão pequena. A atmosfera estava extremamente tensa, alimentada por um calor enorme. Eu tinha a impressão de que todo mundo queria se apresentar primeiro. Devido a esta sala a apresentação não seria uma tarefa difícil, mas um alívio." Um por um os participantes subiram ao palco e voltaram pelo menos muito nervosos. Benny: "Eu posso imaginar como se sentiram. A boca seca por toda essa espera e tensão. Eu estava me sentindo triste por aqueles que tiveram de esperar mais tempo nessa tensão nervosa. E então de repente, como num sonho, ouvi o nosso nome sendo chamado. Eu beijei Agnetha e Anni-Frid e dei uma tapinha no ombro de Björn. 'Este é o momento', eu disse." Björn: "Isso é típico do Benny. Ele aparenta estar muito calmo, mas está tão nervoso quanto nós. No palco, eu não pensava em mais nada a não ser nos 500 milhões de telespectadores. Os mais estranhos pensamentos passam pela sua cabeça. Você sente como se algo terrível estivesse para acontecer... esquece a letra ou tropeça. Olhamos uns para os outros e naquele momento eu decidi que nunca mais iria me apresentar sozinho. Durante a competição, na final e naquele momento, eu amei Agnetha, Anni-Frid e Benny. Nós sentimos que precisávamos uns dos outros e que estávamos nos dando apoio também. Esse foi o melhor momento da minha carreira no ABBA, a união, o apoio, a ajuda. Quando as primeiras notas foram tocadas sentimos por intuição: isso é bom, não foi em vão. Depois de 'My, my, at Waterloo Napoleon did surrender', o nervosismo tinha desaparecido também. Nós cantamos e tocamos como nunca fizemos antes. O maestro em seus trajes de Napoleão virou-se um pouco e piscou para mim, esse foi o último empurrão que precisávamos para darmos tudo o que tínhamos para dar," de acordo com Björn. E então aqueles três minutos se passaram. A equipe inteira trabalhou nisso durante meses.

O quarteto voltou à "sala de transpiração" e ficaram amontoados com os outros artistas. Anni-Frid: "Esperar o resultado foi verdadeiramente insuportável para todos. Aquilo era simplesmente doloroso. Eu esvaziei como um balão, a tensão desapareceu." A "sala de transpiração" foi ficando cada vez mais lotada... A tensão foi aumentando, Björn e Benny tentaram fugir desse cenário, mas foram mandados de volta pelos agentes de segurança. A salvação chegou: "Waterloo" em primeiro lugar - "Si" dos italianos em segundo e "I See a Star" de Mouth & McNeal em terceiro. Benny: "Nós havíamos vencido e eu simplesmente não podia acreditar nisso. Nós estávamos pulando como loucos e beijando todo mundo que cruzasse o nosso caminho. Eu nunca tinha beijado Stig do jeito que eu fiz e... nós não estávamos envergonhados dessa diversão. Anni-Frid empalideceu e pensou que estava prestes a desmaiar. Björn estava tão transtornado que não conseguia encontrar a sua guitarra." Anni-Frid: "As câmeras de televisão estavam todas apontadas para nós naquela pequena sala. Toda a Europa nos viu assim, tensos, mas descarregados também. Eu não gostaria de passar por estes minutos novamente."

Houve até mesmo um tipo de tumulto com os agentes de segurança quando os compositores de "Waterloo" foram pegar o seu troféu. Os agentes sabiam que Stig era o compositor, mas não compreendiam que Björn e Benny eram co-autores. Uma explicação não ajudaria ali, apenas medidas extremas: Benny deu um empurrão no agente e arrastou Björn para fora daquela consternação. E um minuto depois eles estavam ali, olho no olho com 500 milhões de europeus. A cena que precedeu isso não foi capturada pelas câmeras, infelizmente. Os quatro tinham que voltar ao palco para apresentar "Waterloo" mais uma vez. Os fotógrafos invadiram o palco e então esta segunda apresentação não deu em nada. De volta ao The Dome as perguntas começaram a chegar, uma carga realmente e se aquela não fosse uma ocasião feliz todas aquelas pessoas insistentes que queriam ver e tocar o quarteto os teriam assustado. Anni-Frid lembra: "Na minha vida inteira eu não vi tantos fotógrafos juntos. Acho que havia ali cerca de 150 deles. Eu também dei respostas estranhas para certas perguntas. Eu não podia fazer nada porque eles faziam 10 perguntas ao mesmo tempo." Naquele momento Stig revelou a crítica sueca e isto causou um alvoroço. E desde aquele momento a relação entre a srta. Lundblad e o ABBA não tem sido muito boa.

Foi por volta da meia noite que o ABBA conseguiu escapar da multidão e voltar para o hotel, para um bom banho quente e roupas novas. No entanto a noite ainda não tinha acabado, em homenagem ao ABBA foi organizado um buffet de frios sem igual no show business e ainda havia... champanhe. Rios de champanhe, assim parecia. E nas primeiras horas do "dia após a noite anterior", Agnetha, Björn, Anni-Frid e Benny passearam pela praia silenciosa. De braços dados, eles quase não disseram uma palavra. O mar sussurrava e mais ao longe se ouvia o rugido das ondas nos recifes. Stig Anderson foi deixado sozinho intencionalmente, ele estava certo disso porque o quarteto queria ficar sozinho por um tempo. Eles queriam poder digerir todas essas tensões. Eles queriam encontrar a si mesmos após todos aqueles meses turbulentos, após todo esse tempo de trabalho muito duro. E lá estavam eles, jovens apaixonados, que tinham superado um obstáculo importante em suas vidas. Um obstáculo que abriu um mundo completamente novo, porque a partir de Brighton as coisas ficaram cada vez mais difíceis para eles. Stig assinou vários contratos durante aqueles dias para apresentações de televisão no mundo todo. E sobre as avenidas de Brighton os jornais de domingo apareceram com a manchete "A fórmula Anderson funcionou" e mais críticas favoráveis. O quarteto não as leu na ocasião... eles caminharam de volta ao hotel... para o seu quarto... onde eles se jogaram nas suas camas... e foram dormir felizes... por cerca de dez horas!

Fontes: Abbarticles (texto) e Abbaannual (fotos)

Fotos da publicação original:


A História do ABBA - Parte 1
A História do ABBA - Parte 2
A História do ABBA - Parte 3


3 comments:

Anônimo disse...

Enquanto se lê o texto supra, dá para sentir a seriedade, a competência e a dedicação com o que o ABBA pautou toda a sua existência. O trabalho realizado foi muito bem feito, eis uma das razões pelas quais está resistindo ao tempo.

Simplesmente Abba disse...

Olá, Lacerda, adorei ler esse lado "comercial e preparador" do ABBA, acho que faz bem conhcer os próprios ídolos como eles realmente eram, não em uma atmosfera criada, pois eles eram seres humanos como nós. Bom, fui eu quem fez aquela pergunta no Mercado Livre, por favor me envie um e-mail, pois poderia ser parcelado? Envie para simplesmenteabba@hotmail.com. Obrigado! Abraço! ;P

Anônimo disse...

Obrigada Adauto, sei que isso dá muito trabalho! Deveríamos agradecer mais vezes!

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