sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Agnetha fala sobre passado e presente em nova entrevista

Uma rara entrevista de Agnetha Fältskog, que foi transmitida ontem (17/09/2009) na Rádio Sueca (SR), Channel 4. Lotta Bromé entrevistou Frida por telefone na semana passada e esta semana ela fez o mesmo com Agnetha.

LB: Na semana passada tivemos a semana Anni-Frid Lyngstad aqui, que significou uma canção da Frida por dia. E exatamente uma semana atrás eu falei com ela. E hoje, e nesta semana? É claro que é uma semana especial também. Aqueles de vocês que ouviram durante toda a semana sabem que tivemos uma semana Agnetha Fältskog esta semana no P4 Extra. Ouvimos músicas dos anos 60, 70, 80 e 2000. A primeira canção foi composta por Agnetha e foi chamada de "Jag Var Så Kar", que ouvimos nesta segunda-feira. A canção se tornou um grande sucesso na "Kvällstoppen", a primeria de Agnetha que chegou ao primeiro lugar. Mas você escreveu sua primeira canção, "Två Små Troll", quando tinha seis anos, não foi Agnetha?
AF: Sim, isso mesmo, ou talvez eu tinha cinco anos, de qualquer maneira era uma idade precoce.

LB: Grandes e calorosas boas vindas ao P4 Extra!
AF: Muito obrigada.

LB: Como ela soava, a canção "Tva Små Troll"?
AF: Hmm, vamos lá... (canta) "Två små troll träffades en dag. Två små troll lekte med varann". Algo assim. Não havia muito mais, já que era uma canção pequena.

LB: Você tocava piano enquanto compunha ou foi apenas à capela?
AF: Foi sempre com o piano desde o início, quando eu percebi que podia fazer melodias ao piano e eu comecei muito, muito cedo nisso. Então você pode dizer que eu era autodidata no início. Foi muito mais tarde que comecei a ter aulas.

LB: Não foi no show do seu pai que você estreou?
AF: O meu pai era o que você pode chamar de rei dos shows de variedades em Småland. Ele tinha os seus próprios dançarinos. Ele tocava violão, cantava e escrevia baladas folk, sobretudo ele escreveu letras que acho que eu herdei essa parte dele.

LB: Ele era divertido nos shows de variedades?
AF: Ele era muito engraçado como pessoa, eu nunca vi os shows de variedades, que aconteceram antes de eu nascer.

LB: Você gostaria de tê-los visto?
AF: Definitivamente. Isso teria sido maravilhoso. Eu vi as fotos da época. Mais tarde eu participei de diversos shows de variedades juntamente com algumas outras garotas.

LB: Qual foi o seu primeiro show de variedades?
AF: Eram principalmente pequenas produções em Småland, por isso nós não tínhamos que viajar muito (risos). Foi tudo em uma escala muito pequena.

LB: O que aconteceu com seu sotaque Småländska, para onde ele foi?
AF: Sim, ele desapareceu. Eu contei recentemente há quantos anos eu vivo em Estocolmo e vi que foram mais anos do que vivi em Jönköping. Eu me mudei de Jönköping quando tinha dezoito anos. Então ele (o dialeto) simplesmente desapareceu no caminho. Não é nada que eu tenha trabalhado para me livrar.

LB: (com um sotaque Småländsk) Mas certamente você ainda pode falar Småländska se necessário?
AF: (também com sotaque Småländsk) Sim, eu ainda posso falar Småländska, mas eu tenho que me esforçar para fazer isso. (na sua voz normal) Ele vem com muita facilidade quando eu falo com a minha irmã, por exemplo.

LB: É a mesma coisa comigo e com o västgötskan, ele só vem quando estou falando com alguém de Skövde. Você tinha treze anos de idade quando começou com seu primeiro grupo, que tipo de música você cantava?
AF: Você está falando do que eu cantava com as garotas? Sim, eram minhas próprias músicas, nós nos apresentávamos em festas, era de uma forma insignificante. Mas então passei a levar mais a sério quando comecei a cantar com uma banda musical, mas então eu tinha quinze anos.

LB: Frida me disse que haviam limites de idade na época para os jovens serem autorizados a cantar em uma banda. Mas ela mentiu sobre sua idade.
AF: Talvez houvessem limites como esse, talvez você tinha que ter quinze anos ou algo parecido.

LB: Então você tinha a idade certa, pelo menos.
AF: (rindo) Aparentemente. Mas foi, quando penso para trás agora, como foi para minha mãe e meu pai sentir isso. Eu posso imaginar que um pouco preocupante.

LB: Eles ficavam preocupados quando você saía em turnês?
AF: Sim, eles ficavam, porque nós fazíamos viagens longas mesmo naquela época. Em um ônibus, você sabe, e era tarde da noite e voltávamos para casa cedo na manhã seguinte, então naturalmente eles ficavam preocupados.

LB: Nós começamos essa conversa falando sobre como você começou a escrever canções em seu piano aos cinco anos de idade. Você tem alguma idéia de quantas músicas escreveu?
AF: Não, eu realmente não sei. Mas eram muitas músicas. Meu período mais criativo foi entre os vinte e os trinta e cinco. E especialmente durante os anos em que trabalhamos com o ABBA. Eu estava trabalhando duplamente já que estava fazendo algumas produções solo durante esse tempo. E também fiz os dois álbuns com meus filhos, um cd de natal e um infantil. Um com Linda e o outro com Christian.

LB: E na metade dos anos 70 você fez "Elva Kvinnor I Ett Hus".
AF: Sim, é verdade.

LB: Foi a última gravação em sueco, ou deveria dizer as últimas? Haverá outra?
AF: (rindo) Eu gostaria de poder dizer que estou trabalhando com uma agora, mas esse não é o caso, porque há tanta coisa acontecendo na vida e acho que acabou o meu período mais criativo. Acho que isto está dentro de mim. Eu tenho idéias às vezes mas elas permanecem somente como idéias e então eu as coloco na prateleira, por assim dizer.

LB: Eu fui tentar contar quantos singles você lançou e se estou certa foram 43!
AF: Sim, está correto.

LB: Você também teve uma carreira na Alemanha. Você lembra dessa (toca "Wer Schreibe Noch Liebes Briefen").
AF: Poderia ser "Fragezeichen Mag Ich Nicht"?

LB: Poderia ter sido, mas foi "Wer Schreibe Noch Liebes Briefen". Quem é que ainda escreve cartas de amor que mais traduzam isso?
AF: Sim, isso é verdade. Eu fiz muitas canções desse tipo na Alemanha e eu tinha uma vantagem que foi ter estudado alemão na escola, então eu não tive nenhuma problema porque estava apenas começando a cantar (risos).

LB: Como está o seu alemão hoje em dia, você ainda é boa nisso?
AF: Não totalmente, já que eu não uso mais isso, mas de alguma forma ele ainda está lá. Eu trabalhei bastante na Alemanha e gravei muito lá e também vivi lá por seis meses.

LB: Você tinha um namorado alemão, o produtor, não era?
AF: Sim, eu tinha, isso está certo.

LB: Um monte de coisas acontecem durante a vida das pessoas.
AF: Sim, de fato (risos).

LB: O assunto que você falou sobre você ter idéias para fazer algo, o que está fazendo durante o dia, você toca piano?
AF: Sim, acontece de eu tocar e extrair melodias. Mas a maioria é juntamente com as minhas netas que tenho. E ter netos é um presente divino. Então eu tento ensiná-las um pouco. Mas além de tudo o que faço a música é quase tudo.

LB: Como o quê por exemplo?
AF: Nós temos uma grande fazenda aqui e sempre há algo que precisa ser feito. Depois há os filhos e netos. A vida cotidiana, você sabe, com tudo o que vem com ela.

LB: Então é da família que você mais cuida?
AF: Sim eu cuido. E eu sempre tenho feito isso.

LB: A propósito, você é uma boa cozinheira?
AF: (rindo) Você está com fome ou...?

LB: Na verdade eu estou um pouco. (Agnetha ri alto ao fundo) O que você cozinharia pra mim?
AF: No momento não há nada sobre o fogão, mas eu tenho idéias quando se trata de comida também, eventualmente.

LB: Eu falei com a Frida na semana passada e ela disse que nas duas últimas vezes em que vocês se encontraram conversaram sobre a importância da inspiração. Se você está indo fazer algo novo realmente precisa estar inspirado.
AF: Sim, eu acho que é muito difícil de outra forma. E especialmente na minha idade. Quero dizer que fizemos incrivelmente muito, tanto Frida quanto eu, com o ABBA e em nossas carreiras solo. É difícil encontrar um ângulo novo, algo que me deixe muito motivada a fazer. Eu, por exemplo, brinco com a idéia de gravar baladas folk suecas, existem muitas canções bonitas nessa categoria. Mas no final eu acabo não fazendo. É difícil, você tem que reservar tempo pra isso e ir pra algum lugar para realmente fazer.

LB: Você sente que há grandes expectativas em relação a você ser uma lenda viva?
AF: Em parte, isso me afeta também. Mas isso não iria me parar se eu estivesse motivada o suficiente para fazer algo novo.

LB: Alguém pode pensar que você é muito tímida, mas é muito determinada quando há algo que você quer fazer.
AF: Sim, eu sou uma estranha mistura das duas coisas. A timidez ainda está lá de alguma maneira, é a coisa toda de mostrar a si mesmo que me assusta. Eu sempre gostei de trabalhar mais no estúdio do que estar no palco. Mas isso também foi muito divertido às vezes. É divertido fazer as coisas mesmo que você ache que não é muito bom nelas. Com o ABBA não tínhamos escolha, mais ou menos nós tínhamos que ir para o palco e fazer isso mesmo se você não estivesse se sentindo bem. Porque se você se sente bem então não é um problema, mas você não se sente bem o tempo todo.

LB: Então eu entendo que se sente melhor agora que você pode decidir quando quer fazer algo, ser vista ou não.
AF: Sim, exatamente, mas eu me sinto incrivelmente humilde e grata hoje pelo que conquistamos e que a música continue viva.

LB: Você viu sobre o concerto de homenagem no Hyde Park, no último domingo?
AF: Sim, eu sabia que ia acontecer e é absolutamente fantástico!

LB: Chaka Khan e Kylie Minogue mencionaram que lhe homenagearam cantando as canções do ABBA e 40.000 britânicos estavam lá, apesar do tempo e do vento.
AF: É absolutamente fantástico e parece não ter fim nunca. Nossa música será uma parte da história.

LB: Björn e Benny estavam lá no palco, eu imagino que você foi convidada também?
AF: (risos) Bom, eu não sou muito boa em viagens. Eu não participo muito quando eventos como este acontecem em outro lugar. E não é porque eu não queira, é que é um pouco difícil para mim fazer isso.

LB: Voar não é muito divertido, correto?
AF: (risos) Não, mas estou começando a aprender isso também.

LB: Você continua lutando.
AF: Sim, você nunca sabe como isto vai acabar.

LB: Nós tivemos o prazer de ter uma semana Agnetha. Se você conseguir escolher qual música que você escolheria?
AF: (suspira) Oh. "Då Finns Du Hos Mig".

LB: Fale-me sobre essa canção.
AF: É uma favorita. Eu não percebi que a escrevi. É muito especial, eu não posso dizer-lhe o que é, mas eu acho que é boa.

LB: Acontece, Agnetha, de você ouvir sua própria música às vezes?
AF: Isso acontece. Isso acontece se eu me sinto um pouco insegura e se minha autoconfiança está em baixa de vez em quando. Então eu coloco algumas músicas e depois penso "bem isto foi bom pelo menos" e devo dizer que se eu tocar alguma música do ABBA algum tempo eu sinto a energia dela. Eu percebo o que é que as pessoas apreciam nessa música. Porque nós realmente damos tudo, e sobretudo a energia. Nossa voz estava no seu melhor. Por isso acho que o que conseguimos sempre soou bom, não há nada a reclamar. Fomos também muito meticulosos e fizemos tudo nós mesmos.

LB: Agora vamos ouvir a canção que você escreveu quando estava no seu melhor momento.
AF: Obrigada.

LB: Ótimo tê-la conosco no P4 Extra.
AF: Foi divertido. Já acabou?

LB: Sim, por hora pelo menos. Agora terminaremos ouvindo sua música.
AF: Isso soa bem. Obrigada. Tchau tchau.

LB: Tchau tchau.


(Thanks to Abbamikory)

1 comments:

Isabel disse...

Agnetha parece uma menina nesta foto.Continua linda como sempre.Amei a entrevista.

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