quinta-feira, 12 de março de 2009

The Winner Takes It All - A história de uma obra-prima

Muitas vezes citada como uma das mais perfeitas gravações do ABBA, "The Winner Takes It All" foi minuciosamente trabalhada no estúdio - e caracteriza-se por letras pessoais que afetaram as pessoas durante as décadas seguintes.

Inflexível e métrica

Quando Benny Andersson e Björn Ulvaeus trouxeram sua mais recente canção para a Polar Music Studios, em Estocolmo, na Suécia, em 2 de junho de 1980, eles sabiam que tinham uma vencedora em suas mãos. Mesmo quando a estavam escrevendo - apenas eles dois com piano, violão e palavras sem sentido - ambos deram um grande drible na sua nova criação. Ela era, em alguns aspectos, uma composição bastante "simples", com apenas dois versos repetidos em toda a melodia, mas a simplicidade enganadora, também fazia parte da sua força. Até então, porém, os dois compositores não haviam trabalhado bem nela o bastante para gravá-la, e sua letra definitiva ainda não havia sido escrita: nesta fase, a música ainda era adornada com o título de trabalho "The Story of My Life". Além disso, como era geralmente o caso, a melodia que eles trouxessem para o estúdio poderia acabar com qualquer tipo de arranjo, nada foi fixado, nada foi determinado.

Com Benny nos teclados e com a ajuda dos músicos Lasse Wellander (guitarra), Mike Watson (baixo) e Ola Brunkert (bateria), esta primeira tentativa na música deixou-a com os arranjos bastante uptempo (estilo de música com batidas a mais de 120bpm): uma batida insistente, pontuada por batidas das mãos - um pouco "mais densa e métrica", como Benny viria a descrevê-la. Isto efetivamente não era um fundo musical ruim e poderia facilmente ter formado a base para uma excelente música pop no seu gênero. Uma mixagem grosseira desta gravação instrumental foi copiada para uma fita cassete para Björn e Benny.

Uma "chanson" francesa

Como os dois compositores dirigiram de volta para casa no subúrbio de Lidingö, onde ambos moravam na época, tiveram uma nova oportunidade de ouvir a faixa. Eles perceberam que estavam algo sintonizados com esta música, mas concluíram que não haviam capturado o seu pleno potencial. "Sentimos que era uma canção muito importante, e nós queríamos ter certeza de que nós não a 'perderíamos', Björn recordou mais tarde.

Alguma coisa era necessária para desprendê-la, e foi Benny quem encontrou a chave que destravou a canção: uma melodia descendente, tocada ao piano durante a introdução e depois reocorrendo por toda a melodia. Este simples mas eficaz dispositivo alisou as pontas do quadrado, dando á música um fluxo mais suave: saiu o território inflexível e métrico e entrou uma romântica "chanson" de paisagem francesa. Uma nova música de fundo foi gravada quatro dias depois da primeira tentaviva, em 6 de junho, e isto foi certamente um avanço. Os músicos foram os mesmos neste momento, com a adição do percussionista Åke Sundqvist, que sem dúvida contribuiu para a elasticidade rítmica desta segunda versão.

Sob efeito

No momento em que o novo arranjo chegou, a "chanson" sentida na música começou a dar a Björn idéias para a letra. Ele ainda gravou um demo vocal, onde cantou em francês sem sentido. Björn freqüentes vocais principais nos álbuns do ABBA, e não houve sugestões para que ele fosse o vocal principal nesta música."Foi bom não ter sido eu.", determinou ele muitos anos depois. Esta era claramente uma canção que chamava pela experiência de cantar de uma das garotas.

Mas primeiro Björn tinha que escrever a letra final. "The Story of My Life" tinha sido apenas um título preliminar, palavras para cantar a música enquanto estava sendo escrita. Agora era hora dele trazer a fita cassete com a música de fundo de casa, ouví-la mais e mais, e encontrar uma "mensagem" na música - o que ela estava tentando dizer? Como ele mais tarde recordou, ele havia tomado algumas doses de whisky durante o processo de composição: "não uma garrafa inteira, mas definitivamente dava para dois grandes aperitivos!" Embora ele sentisse que geralmente compunha "sob efeito" nunca trabalhou assim - no dia seguinte as letras normalmente eram consideradas inexpressivas - por alguma razão desta vez isto realmente o ajudou. "Não me pergunte por que ou como.", recordou no livro "Mamma Mia! – How Can I Resist You?", "Eu dificilmente tive que mudar alguma palavra, e isto foi fantástico."

Uma pequena obra-prima

As letras finalizadas foram intituladas "The Winner Takes It All" e tinha um toque pessoal, ressonante emocionalmente para Björn. Embora ele tenha salientado que a maior parte da música é pura ficção, ele também admitiu que a sua narrativa - um casal que precisa seguir diferentes caminhos e a mágoa inevitável daí resultante - tinha raízes no seu divórcio com Agnetha, 18 meses antes. Isto quase passou sem ser dito que Agnetha seria a vocalista principal. Como ela e Frida chegaram ao estúdio para acrescentar seus vocais mágicos para a gravação, alguns dos presentes sentiram lágrimas encherem seus olhos. A própria Agnetha muitas vezes apontou "The Winner Takes It All", como a sua favorita dos anos ABBA. "As letras são profundamente pessoais, e a música é insuperável. Cantar em parte era como atuar. Eu não devia deixar que meus sentimentos aflorassem. Foi um pouco mais tarde que eu percebi que nós havíamos criado uma pequena obra-prima."

A gravação foi concluída e mixada em 18 de junho, e algumas semanas depois tarde, em 12 de julho, o grupo novamente vai á cidade de Marstrand, na costa oeste da Suécia, para filmar o clip promocional da canção dirigido por Lasse Hallström. Hallström deliberadamente escolheu mostrar o papel de Agnetha como a solitária, mulher abandonada, como retratado na letra. Isto tornou o clipe muito pungente, com a mensagem parecendo ser: "Isto é o que foi feito do grupo que era formado por dois casais felizes - a ilusão foi desfeita."

Lançada como single em 21 de julho de 1980, "The Winner Takes It All" rapidamente se tornou um grande sucesso, chegando á primeira posição em pelo menos cinco países e entrou no Top Ten em muito outros. Desde o seu lançamento, "The Winner Takes It All" como que tomou quase uma vida própria, oferecendo consolo e catarse para centenas de milhares, senão milhões, de casais que descobriram que já não podiam mais manter relações entre si. A canção tornou-se também o principal número mostrado no musical "Mamma Mia!" - na verdade, a produtora Judy Craymer admitiu que o poder emocional de "The Winner Takes It All" foi o que lhe deu a idéia de mostrá-la primeiramente. Mas, com todo o devido respeito a todos que deram tudo em suas interpretações da música, poucos contestam que a versão original, realizada pelo ABBA, será sempre insuperável.














Fonte: Abbasite

4 comments:

Anônimo disse...

ESSA MUSICA É LINDA!!MARCOU MINHA VIDA . SAUDADES!

gessin disse...

Que história hein velho! Acho que esta música afeta muitos ainda! acho loko esse negócio!!!

LA PALOMA UM CANTO DE AMOR disse...

esta musica me fez...e embalou muitos sonhos..

LauroRM disse...

A música tem esse poder mesmo, ela modifica a vida das pessoas, mesmo as que trazem a tona momentos tristes, como a separação de um casal. Para mim o Abba e o Bee Gees são sem dúvida os maiores grupos de todos os tempos. Foi muito bom tem vividos suas cançoes!

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