Ela mesma começou a acreditar que sua carreira estava acabada — mas dois entusiastas fizeram Agnetha Fältskog quebrar seu silêncio autoimposto. O novo álbum "A" a trouxe de volta ao lugar onde tudo começou.
Capa do álbum "A", lançado em 2013
Imagine se Agnetha Fältskog nunca tivesse se tornado aquele "A" do ABBA. Que ela tivesse continuado sua bem-sucedida carreira solo com um lançamento internacional. Que a produção do disco pudesse ter custado uma fortuna, que a gravadora tivesse dito sim tanto para uma orquestra de cordas quanto para duas semanas de lançamento em um hotel de luxo em Londres.
Improvável? Com certeza. Mas esse experimento mental é, em grande parte, parte do trabalho no novo álbum de Agnetha Fältskog. O compositor e produtor Jörgen Elofsson e o produtor Peter Nordahl fizeram de tudo para esquecer o ABBA durante o processo de criação.
— Nós queríamos fazer o álbum como se ela não tivesse feito parte do ABBA. Não podíamos copiar o ABBA, isso teria sido ridículo. Mas quando Agnetha começou a cantar, virou ABBA de qualquer pista — só que com uma pegada mais de cantora-compositora (singer-songwriter) e mais anos 70, diz Jörgen Elofsson.
Para ele, trabalhar em "A" é um sonho que se tornou realidade — "Agnetha Fältskog é tipo a trilha sonora da minha vida", diz Elofsson, e embora nos encontremos em uma situação de divulgação comercial, o tom não parece forçado ou hipócrita.
Mas levou tempo para convencer a cantora; só depois de três meses Elofsson e Nordahl conseguiram uma audiência na casa dela em Ekerö. Uma vez lá, com três músicas recém-escritas em mãos, não demorou muito para que o entendimento mútuo acontecesse — com um pequeno, mas importante, ponto de preocupação.
Faziam anos que Agnetha Fältskog não cantava seriamente. Com o tempo, ela havia começado a se conformar com a ideia de que o álbum de covers "My Colouring Book", de 2004, tinha sido seu agradecimento e adeus à indústria musical.
— Eu sentia que tinha — não problemas — mas a voz não estava totalmente legal. Então fiz algumas aulas de canto, mais para exercitar a memória de como se canta. Depois de um tempo começou a soar melhor e aí também ganhei mais autoconfiança, conta ela à TT Spektra.
Estamos justamente em um hotel de luxo em Londres — uma cidade que Agnetha Fältskog não visitava há 30 anos. Seu muito comentado medo de voar bloqueou viagens internacionais por muito tempo, mas com a ajuda de um terapeuta ela agora consegue, de forma tolerável, encarar voos mais curtos. O fato de o lançamento de "A" acontecer aqui é um passo consciente na estratégia internacional; Agnetha deve "ir para o mundo" novamente com o álbum que foi financiado, em grande parte, pelos próprios Elofsson e Nordahl.
Mas como pode a notoriamente avessa à mídia Agnetha Fältskog ter aceitado entrar no carrossel de lançamentos outra vez?
— Foi exatamente o que minha filha disse também: "você vai mesmo se meter nisso de novo?". Mas quando ouvi as três primeiras músicas eu só pensei: não, meu Deus, eu tenho que fazer isso. Era tão bom, tinha tanta qualidade, era tão bem pensado, diz ela.
No álbum, ela não apenas canta um dueto com o vocalista do Take That, Gary Barlow, se joga na pista com a canção disco "Dance The Pain Away" e interpreta a sensível balada "I Was A Flower". Ela também contribui com uma música autoral, "I Keep Them On The Floor Beside My Bed" — a primeira que escreve em várias décadas.
— Mal me atrevo a dizer isso, mas na verdade eu escrevi duas músicas. Esta foi a que os rapazes acharam melhor.
Ela está feliz por ter gravado de novo ("sou uma artista de estúdio"), mas recusa firmemente cantar ao vivo ("sei que não sou 100% boa em coisas ao vivo, porque me dá muito nervoso, de certa forma"). Aos 63 anos, ela surge como uma mulher com total controle sobre sua vida. A profissão não é mais dona dela como em alguns momentos na época do ABBA, diz ela.
Há uma coisa, porém, que ela não controla: a imagem que a mídia faz de sua vida. Se pudesse, ela apagaria de bom grado o clichê de si mesma como a Greta Garbo do pop, a pobre e solitária Agnetha do ABBA barricada em sua casa em Ekerö.
— Se te descrevem como estranha ou misteriosa, é claro que você fica triste, quando você mesma sente que não é nada disso. Sou muito pé no chão, não fico em nenhum pedestal, não sou nenhuma diva. Eu me acho bastante normal, diz ela.
Matéria publicada em 10 de maio de 2013 no site Svenska Dagbladet (https://www.svd.se/a/9a97fc66-bf5d-37bf-8f26-30abcc049902/agnetha-faltskog-tillbaka-pa-a)
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