sábado, 9 de outubro de 2010

A História do ABBA - Parte 1


O ABBA virou o mundo de cabeça pra baixo. O ABBA tem o mundo sob o seu feitiço. Qual é a mágica? O grupo alcançou primeiros lugares em todos os países europeus, mas na Austrália e na América também. No Reino Unido o quarteto sueco recebeu nada menos do que 32 discos de ouro, platina e prata em uma ocasião comemorativa que ocorreu no Royal Garden Hotel. Em 1976, o ABBA ainda alcançou um outro número mágico: 40 milhões de discos vendidos ao redor do mundo, mais do que qualquer outro artista conseguiu desde os Beatles. Qual é o segredo do ABBA? MP considera que o ABBA é tão irresistivelmente popular por causa da sua musicalidade moderna, suavidade, honestidade e inventividade. ABBA é agora. ABBA faz o mundo feliz com uma espontaneidade que não é artificial. Uma presença fervente em todos os cantos do mundo. ABBA, quatro jovens, como eu e você. Quem são eles? Quais são suas dúvidas, seus medos, seus amores, suas aversões, seus problemas e paixões?

Por exemplo, você sabia que Anni-Frid (Frida) é a filha expulsa de uma garota norueguesa e um soldado alemão? Você sabia que o passado de Benny é ofuscado por uma namorada secreta, que teve dois de seus filhos mas que não se casou com ele? Você sabia que Björn é um intelectual um pouco frustrado, um músico subestimado que tem que lutar contra os críticos que qualificam a sua música como "plástica" todas as noites? Você sabia que Agnetha (Anna) é "apenas" uma garota do interior que tenta esconder a sua timidez por trás de uma máscara de arrogância?

E ainda há o "quinto" ABBA. Trata-se de Stikkan Anderson, um ex-professor que virou o show business sueco de cabeça pra baixo com o seu modo de fazer negócios, a sua maneira polêmica de "gerenciar" e... sua fome incessante de sucesso. MP traz para você a história completa do ABBA em episódios separados. A história do ABBA é a história dos novos Beatles. Uma história sobre os seus problemas, seus segredos, seu amor recíproco. Aqui está pela primeira vez a história mais verdadeira sobre a sua vida. Um olhar nos bastidores, um clarão sobre o verdadeiro ABBA. Em outras palavras: a verdade sobre o ABBA.


Agnetha (Anna)

"Little Gerhard" era o nome do homem da gravadora e era quem decidia quais músicas seriam gravadas e quem deveria cantá-las. Este Gerhard era enlouquecido por sua família. Existe este grupo que pode cantar, histórias assim eram familiares para Gerhard. Ele tinha ouvido falar nisso mil vezes antes e toda vez ele dava a mesma resposta: "Envie uma fita pra mim, vou ouvi-la e dar a minha opinião honesta." A família fez a fita e Gerhard escutou. Ele tocou e disse: "Eu não achei nada demais nisso, mas há uma canção em particular com uma parte cantada extremamente boa. Se vocês trabalharem nisso e cantá-la da mesma forma como na fita então eu vejo possibilidades." Aquelas trechos que chamaram a sua atenção eram os únicos que não eram cantados pela família de Gerhard. Tratava-se de uma jovem garota que tinha aderido ao grupo: Agnetha Fältskog, uma loira radiante.

Anna nasceu em Jönköping no dia 5 de abril de 1950. Ela ainda era muito jovem quando se apresentou pela primeira vez. Seu pai foi o iniciador de várias festas locais e achou que a filha deveria estar no centro das atenções. Anna nunca esqueceria a apresentação: "Mesmo que eu viva mil anos. Foi horrível. No meio da minha música, minhas calças caíram. O público explodiu em gargalhadas histéricas. Eu tinha seis anos de idade na época." Assim como Benny, Anna tocava acordeão desde a tenra idade com seu pai e o avô. Anna ganhou seu primeiro piano quando tinha apenas dez anos de idade, ela não poderia estar mais feliz e não levaria muito tempo antes que ela pudesse tocar muito bem. Mais tarde, ela compôs suas próprias músicas e escreveu as letras. Essas foram as primeiras contribuições para a revista do seu pai.

Aos quinze anos ela já cantava com uma orquestra e dois anos depois fez participações especiais em outros grupos. E foi assim que sua voz foi encontrada em uma fita com "Little Gerhard". Gerhard trabalhava na CBS-Cupol. Gerhard pediu que ela gravasse uma fita inteira de canções e ele ficou caído por "I Was So In Love", uma canção insignificante sobre um amor perdido. Mas para Anna isto era sério, porque o seu romance com Björn Lilja havia acabado e o resultado foi esta canção. Gerhard ficou impressionado e pediu-lhe para vir a Estocolmo para uma gravação. Anna se despediu de sua mãe e junto com o pai pegou o trem, prontos para sua grande aventura. Quando ela chegou ao estúdio seu coração estava batendo, mas a orquestra mal começou a tocar a sua "I Was So In Love" quando ela sentou ao piano e cantou como nunca havia feito antes. "Parecia que eu estava flutuando", diz ela agora. Gerhard ficou entusiasmado, mas o seu chefe não estava muito animado com aquela garota do interior até que ele ouviu as fitas. Ele convocou Anna imediatamente e um contrato foi assinado. A jovem recebeu um mês adiantado de salário e assinou contratos pelos próximos três anos, isso nunca havia acontecido antes. "I Was So In Love" entrou em primeiro lugar nas paradas. Anna se mudou para Estocolmo e lembra: "Essa música foi escrita por causa de Björn Lilja, eu devo meus primeiros sucessos a ele. Nós nunca voltamos a ficar juntos novamente, mas nós continuamos amigos!"

Seu pai também havia deixado o trabalho e passou a dedicar o seu tempo inteiramente à carreira de sua filha. Por horas e horas ele sentava ao piano com a sua menina dos olhos, ele a ajudou a atravessar momentos difíceis. E sempre que as coisas iam bem com as composições eles saíam, isso é o que ele chamava de descontrair. "Eu devo muito a ele", diz Anna. "Eu nunca vou esquecer o que ele fez por mim." Desde o início, Anna teve uma atitude determinada, ela dava a sua opinião honesta sobre as canções que compunha e sobre os arranjos que eram feitos. Sempre que ela era crítica, sabia como mostrar seus pontos de vista sem ofender a ninguém, ou melhor: ela era inspirada.

Anna é uma garota romântica e sempre que está ao piano acende duas velas, desliga as luzes e apenas toca... Em seguida as boas músicas chegam automaticamente, como "Without You" e "If Tears Were Gold". Na verdade, é impressionante como uma garota do campo tenha se adaptado tão facilmente na grande cidade de Estocolmo. Ela diz: "Eu não era absolutamente muito autoconfiante, eu era um pouco tímida. Mas eu não queria demonstrar isso e a maneira de esconder foi mostrando um rosto corajoso". Seu pai escreveu uma canção de sucesso também: "One Summer With You".

Por algum tempo, Anna esteve apaixonada por um famoso compositor alemão, Dietrich Zimmerman. Eles compuseram canções juntos, mas as coisas nunca funcionavam entre eles. Em um determinado ponto, Anna chegou à primeira página dos jornais quando compôs uma canção chamada "Gypsy Friend". As pessoas pensavam que ela estava falando dos ciganos de uma forma depreciativa, mas Anna conseguiu explicar a gravação. Desde esse incidente, ela não se envolveu mais com canções que pudessem dar origem a confusões e restringiu-se às canções de amor.

Björn

Björn Ulvaeus tinha formado um grupo de canto, "apenas por diversão", com alguns colegas de escola. Mas sua mãe achava que estava testemunhando o início de um milagre musical. Ela deu até um nome para o grupo e, sem perguntar aos garotos, inscreveu o grupo em um concurso de talentos, que seria transmitido no rádio. Eles não ganharam, mas alguém ouviu o programa, alguém que viu muito potencial naquele grupo e que iria lançá-los em uma importante trajetória.

A Segunda Guerra Mundial estava chegando ao fim, quando Björn nasceu no dia 25 de abril de 1945. Quando ele tinha apenas onze anos de idade, a família mudou-se para uma pequena cidade idílica na costa leste, Västervik, que significa "Baía do Leste". Björn aprendeu a tocar violão e era louco por música skiffle (tipo de música folk com influência de jazz, blues e country) que era muito popular na época.

Aos dezessete anos ele se reuniu a alguns amigos e disse que queria começar uma banda de Dixieland (jazz americano). Ele queria tocar aqui e ali e economizar algum dinheiro para os seus estudos. Porém Björn não tinha ideia de como tocar Dixieland e automaticamente o grupo se transformou em uma versão ampliada do Kingston Trio. Aos poucos, eles se tornaram mais populares e tiveram algumas oportunidades... Foi então que a Sra. Ulvaeus os inscreveu para este concurso de talentos, com o nome West Bay Singers. E agora nós chegamos a este homem que ouvia o rádio. Seu nome era Bengt Bernhag, o mais importante caçador de talentos suecos, que produziu discos de artistas com quem ninguém queria trabalhar e que fez sucesso com eles. Ele descobriu um trompetista de idade. Todos riram dele, mas Bengt riu por último porque ele gravou discos que venderam como pão quente. Ah bem, Bengt achou que o nome de West Bay Singers era interessante. Ele envolveu um editor de música na trama: Stikkan Anderson. Bengt e Stikkan pediram que Björn fizesse uma demonstração. O grupo viajou para Estocolmo com as mãos suadas. Lá estavam eles, em um estúdio real de gravação. A primeira coisa que Stikkan fez foi mudar o nome deles. Naquela época, a música "Hootenanny" foi ficando cada vez mais popular e ele chamou o grupo de "The Hootenanny Singers". O primeiro disco: "I’m Waiting At The Charcoal Kiln", uma velha canção popular sueca. Tornou-se um sucesso instantâneo. Stikkan acabou fundando sua própria gravadora (Polar Records) e este disco de Björn com seus amigos foi o primeiro lançamento do selo. Eles não podiam ter desejado um melhor começo. Stikkan disse: "O grupo parecia bom. Sua música era excelente e eu acreditava que poderiam fazer algo além daquilo, desde que fossem orientados corretamente."

O estudante Björn abandonou a escola e saiu em turnê pelo país. O que parecia um pouco de diversão tornou-se algo sério. Björn pensava que aquilo era maravilhoso, mas os outros membros do grupo não pensavam em uma carreira musical. "Eles conseguiram trabalhos em fazendas ou vendendo carros", Björn lembra. "Acredito que os garotos na verdade estavam com medo de mergulhar no mundo incerto do show business", Björn pensa agora. Ele decidiu fixar residência em Estocolmo, inscreveu-se como estudante de Economia e Direito. Por um lado, Björn estava ansioso para receber seu diploma, mas por outro lado ele estava completamente tomado pela música e agora ele deveria fazer uma escolha. Embora para ele estudar fosse muito fácil e houvesse concluído um exame preliminar após outro com sucesso, ele ainda decidiu sair da faculdade e seguir o conselho de Stikkan e Bengt.

Bengt considerava Björn como seu filho, ensinou-lhe todos os truques que eram necessários para gravar música e Stikkan ensinou-lhe o lado empresarial de fazer música. Vocês dificilmente poderiam imaginar uma melhor trindade. Um amigo diz: "Ele aprendeu as lições de Stikkan muito bem. Björn não é apenas um bom músico, mas em nível de negócios ele pode ser melhor ainda. Isso por causa da sua educação, ele é capaz de calcular de forma arrojada. Você pode ouvir o seu cérebro trabalhar."

Por um tempo, Björn ficou com o o Hootenanny Singers, mas percebeu que o grupo não seria o seu futuro. É por isso que foi trabalhar em uma carreira solo, juntamente com Bengt. Na época, ele disse: "Eu quero ser mundialmente famoso." Björn não possuía nenhum modelo em quem pudesse se espelhar, mas ele não se preocupou. "Eu vou fazer o que nenhum outro sueco fez antes", disse ele. The Hootenanny Singers marcou sucesso após sucesso. Não que o grupo fosse bem equilibrado musicalmente, definitivamente não, mas porque eles tocavam as músicas certas. "Nós tocávamos exatamente o que o público queria ouvir", Björn diz, "mas minhas ambições chegaram muito mais longe do que isso."

Anni-Frid (Frida)

Aqueles que ignoraram completamente a jovem norueguesa quando ela passava ainda eram as pessoas mais educadas. Outros chamavam seu nome ou cuspiam nela. Ela fez faz alguma coisa errada? Não exatamente, tudo o que ela fez foi se apaixonar por um oficial alemão. Na verdade, um soldado que era um dos ocupantes durante a Segunda Guerra Mundial e... a garota estava esperando um filho dele. Synni Lyngstad era o nome da garota de 19 anos, apaixonada por um ocupante muito odiado, pelo menos um deles. Seu nome: Alfred Haase. Ele parecia bem diferente dos outros. Para Synni ele era um cara legal, que era forçado a fazer coisas que detestava fazer. Ela abriu seus ouvidos para ele, para suas histórias, para suas tristezas. A vila norueguesa inteira de Narvik sabia sobre seus encontros secretos e as pessoas a avisavam: "Ele pode ser bom, mas ele é um alemão. A guerra vai acabar em breve e depois ele vai esquecer você." Infelizmente eles estavam certos. Perto do fim da ocupação, o jovem Alfred foi transportado de volta para a Alemanha. Ele ainda prometeu voltar para casar com Synni, mas nunca mais voltou.

Sua filha nasceu no dia 15 de novembro de 1945. Seu nome: Anni-Frid. O inverno foi provavelmente o mais frio que a Europa teve de suportar, mas o gelo era mais quente do que os sentimentos dos habitantes de Narvik para com a mãe solteira. Anni-Frid ganhou um apelido muito desagradável: "tysk-barn’', ou "criança alemã". Synni ainda esperou mais dois anos por Alfred. Ele não veio e durante esse período Synni secou completamente por dentro. Anni-Frid tinha apenas dois anos e meio de idade quando sua mãe morreu de tristeza aos vinte e um anos de idade.

Sua avó estava plenamente convencida de que Anni-Frid estava enfrentando uma infância muito difícil como uma "criança alemã" e decidiu reunir seus pertences surrados e se mudar para a Suécia. Elas fixaram residência na pequena aldeia de Torshälla, foi aí onde Anni-Frid cresceu. Anni-Frid ainda lembra desse tempo e com um tom emocionado na voz diz: "Eu posso compreender a minha mãe. Uma jovem que teve de suportar muitas dificuldades. Ela encontrou forças no amor pelo seu namorado alemão, mas a sua força dissolveu quando o meu pai não voltou. Eu acredito que ambos foram vítimas da guerra. Algo deve ter acontecido, caso contrário ele certamente teria retornado para a Noruega para se casar com a minha mãe. Eu até tentei encontrá-lo, mas sem sorte. Acredito que o seu avião tenha caído quando estava voltando pra casa. Não podemos imaginar agora que as pessoas tenham sido tão detestáveis com a minha mãe, foi uma época terrível."

Anni-Frid se sente mais sueca do que norueguesa. Ela chamava a avó de "mamãe" e se sentia muito feliz. "Mamãe me incentivou em tudo o que fiz. Ela me ensinou a cantar durante os invernos longos e frios. Nós sentávamos em volta da lareira e ela me ensinava todas aquelas canções suecas e norueguesas." Anni-Frid tinha exatamente dez anos de idade quando se apresentou pela primeira vez, isso ocorreu no prédio Nuts na frente de crianças e alguns pais. Ela adorava tanto estas apresentações que fez aulas de dança e mais tarde aulas de canto também. Em idade muito precoce, ela sabia que queria construir uma carreira no show business e, portanto, "mamãe" e Anni-Frid mudaram-se para Eskilstuna, onde Anni-Frid teve a oportunidade de cantar com uma orquestra. Ela tinha treze anos, na verdade muito jovem.

Alguns anos depois ela já tinha a sua própria orquestra - The Anni-Frid Four - que a acompanhava três ou quatro vezes por semana. "Esta foi uma época ótima", lembra Frida, "nós éramos pagos, mas na verdade fazíamos isso por diversão". Nessa época, Frida apaixonou-se pelo baixista do grupo. Seu nome: Ragnar Fredriksson. Um cara muito simpático, que se dava bem com todo mundo. Ela tinha dezesseis anos quando seu filho Hans nasceu, seguido pela filha Lise-Lotte dois anos depois. Tudo parecia correr bem com Ragnar. Eles continuaram a excursionar e deixavam as crianças com "mamãe". Uma grande ajuda.

Anni-Frid tinha dezoito anos de idade quando entrou para um concurso de talentos. Ela era um encanto, que faz as cabeças dos juízes virarem quando cantou "Besame Mucho". Obviamente, ela venceu e Ragnar era o mais feliz de todos eles, sem perceber que este primeiro grande sucesso se tornaria o início do fim do seu casamento. Depois desta vitória em Vasteras, Anni-Frid entrou para uma competição chamada New Faces em Estocolmo. Mais uma vez, ela ganhou o concurso, com uma canção intitulada: "A Day Off". E agora as coisas começaram a mudar muito rapidamente, ela assinou um contrato após outro e teve que percorrer o país inteiro. Neste momento, a separação de Ragnar tornou-se uma realidade, para quem ela disse: "É muito difícil, mas eu sinto que tenho que prosseguir com a minha carreira. Você fica com as crianças." E Ragnar entendeu. Anni-Frid disse adeus para ele e para Hans e Lise-Lotte... Enfrentando um futuro dourado por conta própria.

Frida mudou-se para Estocolmo, para um apartamento minúsculo e agora ela lembra: "Ninguém pode imaginar como eu me senti sozinha. Por fora, eu estava sorrindo, mas por dentro eu estava murchando de tristeza." No entanto Anni-Frid tomou a única decisão certa, seu coração estava na música e ela sabia que Ragnar poderia dar às crianças a atenção que elas mereciam. Anni-Frid investiu em sua profissão com entusiasmo. Ela gravou com regularidade, vendendo muito bem. Ela se apresentou com artistas famosos e viajou em turnê para o Japão e Venezuela. Ela se apresentou no programa de canto mais conhecido da TV sueca, Hyland, e lutou da sua maneira até o topo. E ela chegou ao topo.

Benny

Quando alguém pergunta a Benny quais os diplomas que ele tem, ele invariavelmente responde: "Minha carteira de motorista e meus diplomas de natação A, B e C. Eu não obtive mais do que isso." Ele admite abertamente, este jovial sueco. Na escola, ele não era bom. Ele não conseguia se concentrar nas aulas e apenas deu um salto quando passou a estudar inglês. Ele aprendeu este idioma muito facilmente. "Eu quero trabalhar duro e estudar tanto quanto eu puder", dizia Benny, “mas apenas um assunto: música."

Isto foi falado abertamente por um homem que iria comandar um grupo mais tarde e que daria à cena pop sueca uma nova energia. Seu pai e avô perceberam que esse cara era obstinado, que só se preocupava com instrumentos musicais em vez de livros e deram-lhe um acordeão. Benny nasceu nos arredores de Estocolmo em 16 de dezembro de 1946. O mencionado acima é o que se sabe sobre sua infância. Portanto, é muito compreensível que ele - com menos de quinze anos - tenha deixado a escola como um raio porque aquilo em nada lhe interessava. Ele só queria tocar seu acordeão, que foi o instrumento que logo ele sabia tocar mais e mais. "É bom ter vindo de uma família musical," diz Benny, "A música dá vida, é energia e eu tive sorte por meus pais terem me entendido. Eu tenho ainda mais instrumentos, uma flauta, um violino. Eu herdei o amor pela música folk do meu pai."

Depois da escola, Benny não fez absolutamente nada por dois anos. Ele simplesmente não conseguia decidir o que fazer. Ele se juntou a um grupo sem nome para tocar piano, não porque eles pensassem que ele era bom, mas porque ele era bom em dirigir e era o único que poderia transportar os instrumentos. Ele automaticamente adicionou ao trabalho de pianista o trabalho de motorista. E ninguém tinha coragem de falar alto com ele.

Svenne Hedlund, cantor do famoso grupo Hep Stars, viu Benny tocando uma noite e achou que ele era muito bom. "Seu cabelo estava um pouco curto", diz ele, "mas ele tinha um sentimento bom para mostrar e simplesmente tocou muito bem". E quando os Hep Stars precisavam de alguém para tocar o órgão, eles pediam a Benny para se juntar a eles. Dentro de alguns meses, o cabelo curto de Benny desapareceu e ele jogou suas gravatas no cesto de lixo. Agora, ele era um Hep Star. Benny se divertiu muito, esta era a vida que ele havia desejado. Ninguém o incomodava com os livros escolares, ninguém o ordenava ou o criticava. Benny apreciava esta vida de viagens, e ele continuava sorrindo, mesmo quando os outros Hep Stars estavam exaustos. E foi assim que ele manteve o bom espírito, com suas piadas. Os Hep Stars eram realmente muito populares e foram considerados a resposta sueca para os Beatles. O dinheiro igualmente não tinha um papel importante para Benny, ele só queria tocar. Às vezes ele desaparecia de repente nas festas e após algumas buscas acabava sendo encontrado em um piano. "Eu acho que consegui criar uma bonita melodia." Chamava-se "No Response" e se tornou um grande sucesso para o Hep Stars. Ele também escreveu dois outros importantes sucessos para a banda: "Wedding" e "Sunny Girl".

O maior problema para Benny: ele não podia escrever música. Dessa forma ele apenas tocava piano, buscava as harmonias e era assim que ele surgia com a melodia. Quando tudo estava terminado, era somente em sua cabeça. Nesse ponto, Benny precisava de alguém que escrevesse o produto da sua mente. Como dissemos: Benny se divertiu com o Hep Stars e o afeto do seu colega Svenne Hedlund transformou-se em uma amizade que só se experimenta uma vez na vida. Eles eram ídolos na Suécia, mas essa fama tinha o seu lado negro também. Benny não podia ir a lugar algum sem ser perseguido por fãs. É foi por isso que ele nunca podia dedicar-se a outro grande hobby: um bom jantar em um restaurante. É foi por isso que ele se voltou para os grandes carros americanos.

Benny encontrou um bom amigo com quem poderia compor canções: Lars Berhagen. Juntos eles compuseram sucesso após sucesso para o Hep Stars. Essa sequência de sucessos terminou abruptamente quando Lars quis escrever "canções melhores" e Benny achou que seu repertório era bom o suficiente. Razão suficiente para Lars fechar com força seu piano, pôr de lado seu violão e acabar com a parceria.

Na verdade, este era também o início da decadência para o Hep Stars. O grupo fundou sua própria empresa, construiu uma casa na qual todas as atividades eram realizadas, a “Hep House”, arriscou-se em alguns projetos incertos e caros e a empresa faliu. "Éramos como músicos profissionais, mas amadores como empresários, o que nos destruiu", explica Benny. Por exemplo, o grupo fez um filme na África. Ou melhor, eles queriam fazer um. Todo mundo estava lá, mas nada foi filmado. Devido ao "British Sound", tudo tinha que ser gravado em Londres. O filme nunca foi lançado.

Um problema totalmente diferente ocorreu no verão de 1966. Benny rompeu o noivado com Christina Grönvall, uma bela mulher que lhe deu dois filhos: Peter e Helena. O relacionamento tinha de permanecer em segredo, porque na época os fãs não aceitariam que seu ídolo fosse casado. Christina estava extremamente furiosa com Benny e compartilhava toda a sua vida conjugal com uma revista de fofocas sueca. "O único contato que as crianças tinham com o seu pai era através do disco de vinil", ela disparou. "Ele terminou a nossa relação com um telefonema." E foi assim que muitas fofocas sobre a vida de Benny com os Hep Stars tornaram-se conhecidas na mídia. Este período de sua vida deixou sua marca no jovial Benny.

***
Em 1977, a revista holandesa Muziek Parade iniciou uma série de artigos cobrindo a história do ABBA. O texto acima refere-se à primeira parte que publicada originalmente em abril de 1977 em holandês. A tradução para o inglês e a digitalização das imagens abaixo foram realizadas pelo site ABBA Articles (www.abbaarticles.blogspot.com). Os demais textos serão publicados aqui em breve.

Fotos da publicação original:


Fontes: ABBA Articles (texto e imagens) e ABBA Pix (imagens)

2 comments:

Anônimo disse...

Quantas histórias... A essência é sempre a mesma no ser humano... Por exemplo, a Agnetha, sempre tímida e romântica... A Frida, sonhando com a liberdade, sem se apegar muito aos filhos (talvez seja reflexo da história de vida da sua mãe)... O Bjorn, homem que se apaixona rapidamente (assim foi com a Agnetha e depois com a Lena)... O Benny, se envolvendo amorosamete com alguém e depois deixa essa pessoa assim, rapidamente, sem nenhuma consideração (assim foi com a mãe de seus filhos, assim foi com a Frida)... É... todos tem seus defeitos e qualidades... Mas são todos queridos pelos fãns do ABBA...

Tânia Mara Martini Pereira disse...

Eles não querem aparecer em público porque acham que vão ser rejeitados e que o público guardam a imagem de quando eles eram jovens!!! Mas eu se eu pudesse eu queria estar de frente com eles e dar um abraço apertado em cada um deles!!! São meus ídolos para sempre !!! Eu os amo muito!!!!

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