sexta-feira, 26 de junho de 2026

Viva, Março de 1980: As duas mulheres do ABBA: “Nós gostaríamos de parar, mas não podemos”


Agnetha e Frida sendo entrevistadas nos intervalos das sessões de gravação do álbum Gracias Por La Música. Elas falam sobre a pressão que vem junto com o fato de fazer parte do ABBA. O artigo foi publicado na revista feminina holandesa Viva em março de 1980.

Um almoço com as cantoras do ABBA, Anni-Frid e Agnetha — esse é o furo mundial que John McFarlane, colaborador da Viva, conseguiu em Estocolmo, para o seu próprio espanto. Há vários anos as duas cantoras não apareciam em coletivas de imprensa, muito menos cogitavam dar uma entrevista. Escaldados por histórias inventadas ou declarações drasticamente distorcidas, a gerência do ABBA decidiu que, a partir de então, apenas Björn e Benny enfrentariam o exército de jornalistas. Mesmo na América, que precisava ser conquistada urgentemente pelo quarteto sueco, as cantoras ficaram de fora.

E agora este almoço, junto com alguns técnicos e uma equipe argentina de intérpretes, convocada para dar suporte com um álbum em espanhol.

Anni-Frid: “Bom almoço, ouvimos dizer que você é de confiança. Estamos de saco cheio de todas essas histórias inventadas. Recentemente, cheguei a procurar uma equipe de redação sueca para pedir que finalmente parassem de assediar Agnetha com o seu divórcio. Estamos fartas de tudo isso, precisamos de paz e sossego, especialmente em um momento difícil como este. Além do mais, eu mesma já estou farta de perguntas estúpidas como ‘como você aplica sua maquiagem, por que você usa esse corte de cabelo’, como se o exterior fosse a única coisa que importasse. Eles se esquecem de me ver como uma mulher que dá o seu melhor no palco e que tenta exatamente esquecer todos os problemas privados naquele momento. Que nos façam perguntas sobre a música e nos julguem por essas qualidades. Não somos uma máquina, mas quatro pessoas comuns que venceram na vida trabalhando muito duro e que, enquanto isso, levam alegria para outras pessoas.”

Até agora, elas sempre se mantiveram em silêncio. Anni-Frid e Agnetha, as duas mulheres do ABBA, sempre deixaram a publicidade para “os rapazes”. A Viva ainda assim teve a oportunidade de conversar com elas. Essa conversa não se revelou tão esperançosa para os inúmeros fãs do quarteto sueco. Porque o ABBA está começando a ficar cansado disso. “Os momentos em que estou de saco cheio estão ficando mais frequentes”, diz Anni-Frid.


Apenas um dia normal de trabalho em Estocolmo. Do lado de fora, faz frio e a neve está sendo removida. Do lado de dentro, a atmosfera está chegando ao ponto de ebulição. Lá, atrás do vidro à prova de som do estúdio de gravação da Polar Music, as cantoras do ABBA, Anni-Frid e Agnetha, estão tentando gravar a faixa de áudio de um álbum em espanhol. Isso significa simplesmente: cantou desafinado? Pára. De novo. Pronúncia errada? Pára. De novo. Não começaram simultaneamente? Pára. De novo. Então, há muitos suspiros, resmungos e xingamentos acontecendo. A humilhação de duas estrelas mundiais? Por um momento, elas aparentemente sentem as coisas assim. Então, recusam-se a continuar até que todos os espectadores indesejados sejam retirados. Atrás da mesa de som, o técnico restante, Michael Tretow, sorri: “Não é maravilhoso trabalhar com perfeccionistas assim?”. Mas Anni-Frid confessa mais tarde: “Esses são os momentos em que fico de saco cheio. E, para ser sincera, eles estão ficando mais frequentes...”

O fim da era ABBA está à vista? Não está claro que esses quatro artistas suecos também vão desabar sob o peso da fama mundial? Durante o almoço, o rosto frequentemente sorridente de Anni-Frid fica sério diante dessas perguntas. “Você quer uma resposta honesta? A questão é se seremos capazes de parar. Acho que nós quatro ainda gostamos do que estamos fazendo, mas achamos cada vez mais difícil ser o ABBA. Estamos no negócio da música há quinze anos. Como ABBA, estamos no topo há seis anos. E, todas as vezes, temos que corresponder às expectativas. Aos poucos, temos que tomar cuidado para não começarmos a nos repetir. Mas é muito difícil ter novas ideias constantemente. Temos que continuar nos desenvolvendo e só podemos fazer isso quando temos um objetivo claro. Bem, esse é o nosso problema. Não somos mais aquele grupo jovem e cheio de glitter que éramos há seis anos. Enquanto isso, passamos por muita coisa. Como mulheres, amadurecemos, nos desenvolvemos e, especialmente, envelhecemos também. Olhamos para a vida de uma forma diferente e, então, torna-se menos divertido ser o ABBA. Porque, na verdade, temos que nos desligar de nós mesmas para isso. Porque somos ‘propriedade’ de tantos milhões.”

Agnetha entra na conversa: “Pense no Benny e no Björn. Eles sabem que estamos ralando aqui e gostariam de ajudar, mas não é sem motivo que estão longe, em Barbados. O que eles chamam de relaxar, na verdade é pensar e conversar sobre novas ideias a cada segundo. Aqueles dois têm que garantir que a nossa fonte não seque. A existência do grupo depende da criatividade deles. Essa responsabilidade pelo nosso repertório nunca e em lugar nenhum os deixa em paz. E nós só temos que sentar e esperar para ver se realmente haverá algo novo ou se veremos a fonte secar amanhã. Há uma pressão tremenda sobre os dois.”

Em seguida, o empresário Stig Anderson sublinha o quão pesada é essa pressão com alguns dados estatísticos. Fumando sem parar, ele menciona: “No ano passado, tivemos um faturamento de setenta milhões. Isso significa um lucro de trinta milhões de florins holandeses. Ainda estamos crescendo, principalmente porque também investimos com sucesso. Dizem que o ABBA é o segundo maior produto de exportação da Suécia, mas também somos donos da terceira maior galeria de arte da Europa, de uma fábrica de bicicletas e, recentemente, compramos uma empresa que aluga escritórios e edifícios. Isso sem mencionar a nossa própria empresa, a ‘fábrica ABBA’ e editora musical. Então não é tão estranho que guardemos nossos discos de ouro escondidos no porão. Isso é notícia de ontem. O que importa é o amanhã. E o depois de amanhã.”


Agnetha: “Por enquanto, teremos que arcar com as consequências da profissão que escolhemos. Esse senso de responsabilidade nos mantém firmes. O público nem sempre percebe isso. Eles nos veem como quatro personagens glamorosos no palco: música impecável, vozes bonitas, show sexy. Muitas pessoas pensam que depois nós vamos para algum tipo de mundo de conto de fadas até a próxima vez. Esquecem-se das viagens, das horas passadas no estúdio em gravações, ensaiando, indo para a cama às três da manhã e levantando às sete, fazendo e desfazendo malas, ficando longe de casa por semanas. Isso é apenas trabalho duro e puro. Claro que ganhamos somas enormes de dinheiro, mas também vivemos sob uma pressão enorme. Como qualquer outro ser humano, tenho esses momentos em que estou cansada de tudo. Há shows em que sinto que não me entreguei completamente e me culpo por isso. Aí os outros podem falar o quanto quiserem, mas não me convencem. Nessas horas fico tão decepcionada comigo mesma que fico deprimida. Sempre termina em crises terríveis de choro. Nesses momentos eu penso: agora chega, não vou mais fazer isso.”

Anni-Frid: “As turnês são a pior parte, percebemos isso novamente há pouco tempo. É justamente em uma turnê assim que sentimos a pressão dessa enorme responsabilidade. Como somos o ABBA, tudo tem que ser perfeito. Exige um esforço enorme, mental e físico. É mais fácil de digerir para os homens do que para as mulheres. Pense no nosso período menstrual em uma turnê dessas. Acho que é a pior coisa que pode me acontecer, porque não importa o que aconteça, tenho que subir no palco, sorrindo e rebolando. O ritmo em que se vive é assustador. Você fica completamente carregada e não tem a chance de relaxar. Quase nunca tiramos tempo para beber algo tranquilas depois. E, no fundo da mente, você obviamente também está preocupada com o que está acontecendo em casa, o medo de que algo possa acontecer com as crianças, não importa o quão bem protegidas nossas casas estejam por sistemas de alarme. Conclusão: depois de uma turnê dessas estamos completamente exaustas e há momentos em que dizemos em voz alta: pessoal, vamos parar por aqui...?”

Rapidamente, ela acrescenta: “Isso não tem nada a ver com tensões internas. Claro que elas ocorrem, mas também são resolvidas muito rapidamente. Exige muito tempo e é muito caro para nós passarmos o tempo discutindo. Talvez sejamos profissionais demais para isso, não importa o que a imprensa escreva sobre nós.”

Relações internas abaladas poderiam eventualmente levar ao fim. Previamente, havíamos concordado com a dupla que não falaríamos sobre a questão privada do casamento fracassado entre Björn e Agnetha. Mas Graham Jackson, o professor de dança do grupo, nos tinha dito de antemão: “Ultimamente, a Agnetha simplesmente não está muito bem, não sei se ela vai aguentar por muito mais tempo. Desde o divórcio, ela não tem mais muita vontade. Por um tempo, ela esteve muito deprimida. Está me custando muito esforço trazer a autoconfiança dela, que sofreu um golpe severo, de volta ao nível antigo.”

Quando questionada especificamente sobre isso, Anni-Frid parece muito mais otimista: “Agnetha e eu fomos independentes demais desde muito jovens para não sermos capazes de lidar com tempos difíceis. Também encontramos muito apoio uma na outra. Claro, nós duas dependemos das pessoas com quem trabalhamos, mas seríamos capazes de nos virar como mulheres sozinhas. Desde o divórcio, Agnetha vive sozinha com os filhos. Obviamente, ela não precisa se preocupar com nada financeiramente falando. Mas esse forte senso de responsabilidade que ela tem por nós como grupo também está desempenhando um papel em sua vida privada. Ela é muito forte, uma verdadeira sobrevivente. Ela definitivamente não vai se sentar em desespero. Na verdade, isso vale para nós quatro, caso contrário o ABBA já teria deixado de existir há muito tempo.”

Quando Agnetha ouve essas últimas palavras, ela confessa: “Sempre quis ser veterinária. Sou louca por animais. Agora provavelmente é tarde demais, embora...?”

O laboratório do ABBA

O som distinto do ABBA se origina no ‘laboratório de som’ de Michael B. Tretow. Ele explica: “Foi em 1970. Enquanto afinava uma guitarra de doze cordas, tive a ideia de copiar aquele som pesado e encorpado de uma guitarra dessas em um piano velho. Oferecia um som majestoso. Fiz algumas gravações e continuei fazendo over-dubbing no piano, até ter o som de cinquenta pianos ao mesmo tempo. Com Benny e Björn, começamos a experimentar com outros instrumentos. Ainda hoje, os dois rapazes vêm ao estúdio sozinhos para gravar a faixa de acompanhamento. Muitas vezes, Agnetha e Anni-Frid entram no estúdio sem ter a menor pista do que Björn e Benny produziram. Isso se deve ao fato de irmos ao estúdio imediatamente para experimentar quando eles de repente têm uma ideia. Quando uma música é montada, as garotas entram para gravar os vocais depois de ouvi-la algumas vezes. Pode parecer desordenado para um grupo tão profissional, mas funciona perfeitamente.” 

Fonte: ABBA The Articles Blog

POP, 1979: A promessa do ABBA: "No outono, nós iremos para a Alemanha!"

       

A imagem limpa do ABBA sofreu um grande golpe desde o divórcio de Agnetha e Björn. "Será este o começo do fim?", perguntam-se os fãs preocupados. Durante as filmagens do programa da Eurovision 'Snow Special '79' — que deve ser exibido em 16 países na Páscoa e foi gravado na estação de esqui suíça de Leysin —, o ABBA demonstrou união e harmonia de forma pacífica. A POP acompanhou o grupo mais famoso do mundo durante a sua estadia e conheceu todos os bastidores do divórcio e do futuro do grupo. E isso é um furo de reportagem!

A viagem do ABBA às montanhas suíças não começa muito promissora. Pouco depois da decolagem na Suécia, o avião que deveria transportar os quatro famosos suecos para a Suíça precisa retornar. Uma turbina congelada torna impossível um voo sem riscos. Com um avião diferente e um atraso de mais de seis horas, o ABBA finalmente chega a Genebra. O fotógrafo da POP, Hannes Schmid, que foi contratado pelo ABBA para a viagem à Suíça como fotógrafo oficial, está à espera do grupo. Mal pousam em Genebra, o trabalho já começa para Björn, Benny, Agnetha e Anni-Frid. Em frente a um DC-9 da Swissair, que foi decorado com o logotipo do ABBA pelos produtores do programa, os câmeras reencenam mais uma vez a chegada com o famoso quarteto. Assim que a filmagem desta cena é concluída, o ABBA embarca em um helicóptero que os levará à estação de esqui de Leysin em 20 minutos.

Na estação de esqui de Valais, mais de 50 repórteres e fotógrafos de todo o mundo já aguardam a primeira coletiva de imprensa do ABBA desde o divórcio de Björn e Agnetha. Mas antes que o ABBA tenha que enfrentar as primeiras perguntas, é a vez dos fotógrafos. Somente após uma tempestade de flashes de quinze minutos é que os repórteres finalmente têm a oportunidade de fazer algumas perguntas ao quarteto, que aguarda pacientemente e sempre sorrindo.

A primeira pergunta é direcionada a Agnetha e, obviamente, diz respeito ao divórcio e ao futuro do grupo. Claro que o ABBA já esperava por isso e, portanto, não surpreende que Björn responda em vez de Agnetha:

"Não há absolutamente nenhuma razão para se preocupar com o ABBA como grupo. Nosso divórcio se deve apenas a motivos particulares. Agnetha e eu simplesmente não conseguíamos mais viver juntos, embora tenhamos tentado de tudo. O divórcio era inevitável. Como todos podem ver, Agnetha e eu continuaremos bons amigos."

Enquanto fala, Björn olha para Agnetha de uma forma carinhosa.

Outro repórter afirma saber que outro homem seria o motivo do divórcio, já que muitos jornais escreveram sobre um relacionamento entre Agnetha e seu psiquiatra. A loira sueca nega veementemente:

"Björn e eu nos consultamos com esse psiquiatra juntos porque queríamos tentar de tudo para fazer as coisas darem certo de novo. O boato sobre um suposto relacionamento surgiu porque, às vezes, eu me consultava com o psiquiatra sozinha. Como Björn e eu queríamos evitar qualquer especulação sobre nossos relacionamentos desde o início, eu tive que me encontrar com meu psiquiatra secretamente e em horários incomuns. Infelizmente, alguém nos viu juntos, e foi assim que esses boatos ridículos começaram."

Agnetha acrescenta, sorrindo:

"O único homem na minha vida no momento é o meu filho, Christian."

Pouco depois da coletiva de imprensa oficial, o repórter da POP, Heier Lämmler, encontra-se com Benny para uma entrevista privada. O sueco barbudo revela que todas as oito músicas do novo álbum do ABBA já foram gravadas. As gravações ainda precisam ser mixadas e, se tudo correr como planejado, o álbum deverá estar disponível por volta da Páscoa.

Benny diz:

"Na Páscoa, o 'Snow Special '79' também deve ser exibido em 16 países. Estima-se que 500 milhões de pessoas o assistirão. Claro que isso seria uma ferramenta promocional inestimável para o nosso álbum."

Além disso, Benny revela que o ABBA quer ir para a Alemanha ainda este ano.

"Assim que o álbum estiver pronto, começaremos a nos preparar para uma grande turnê mundial. Em nossa mente, o show já está estruturado e já estamos planejando as datas exatas da turnê. No mais tardar no início de outubro, visitaremos a Alemanha. Nosso equipamento pesará mais de 40 toneladas e será transportado em quatro carretas. Mas não posso revelar mais detalhes."

Naquela mesma noite, o ABBA tem que aparecer diante das câmeras de televisão novamente. Na pista de gelo de Leysin, os quatro suecos serão filmados como estrelas da patinação artística. Benny, Björn e Anni-Frid estão se divertindo muito patinando. Mas Agnetha luta contra as armadilhas da superfície escorregadia, sem sucesso. Somente depois que a loira sueca recebe uma aula de patinação artística de Denise Biellman — a doce campeã suíça de patinação artística e terceira colocada no Campeonato Europeu de '79 —, ela consegue patinar volta após volta.

Nos dias seguintes, o ABBA é levado de um lado para o outro pelo belo cenário de Leysin. Os câmeras querem filmá-los em todos os lugares. De todo esse material, um especial de televisão chamado 'ABBA in Switzerland' será montado ainda este ano. Além deste especial do ABBA, os produtores de TV estão trabalhando em outro grande programa, no qual o ABBA será um dos muitos nomes famosos. Para o super show 'Snow Special '79', eles conseguiram contratar, além do super quarteto sueco, Boney M, Leif Garrett, Roxy Music, Kate Bush, Bonnie Tyler, Eruption e muitas outras grandes estrelas. Para que esta gala tivesse o ambiente certo, uma lona de circo foi montada no meio da arena branca de Leysin, onde o blockbuster de televisão deverá ser filmado.

No penúltimo dia, o ABBA brilha em mais uma modalidade esportiva. Nas montanhas de Les Diablerets, eles colocam seus esquis. E então acontece exatamente a mesma cena da pista de gelo: enquanto Benny, Björn e Anni-Frid esquiam alegremente, Agnetha luta consigo mesma e com seu medo. Sozinha e tremendo, ela está de pé na pista. O fotógrafo da POP, Hannes Schmid, um esquiador brilhante e praticante de esqui acrobático, cuida da indefesa integrante do ABBA. Lentamente, ele vai descendo a pista de esqui. Agnetha o segue com as pernas bem abertas e equilibrando-se freneticamente. Mas ela consegue. Ao chegar à base, ela quer tentar de novo. Num piscar de olhos, ela está de volta ao topo da pista e só depois da terceira descida Agnetha também se dá por satisfeita. Anni-Frid mal consegue acreditar que sua colega de repente se tornou uma esquiadora ardente. De brincadeira, ela diz:

"Provavelmente é por causa do instrutor de esqui. Agora, em breve leremos as manchetes: 'Agnetha se apaixonou por seu instrutor de esqui!'..."

Fonte: ABBA The Articles Blog

Muziek Expres, 1982: "Está cada vez mais difícil escrever sucessos"

               

Há meses, o ABBA trabalha no álbum ‘The Visitors’. Tempo demais, segundo eles. “Espera-se demais de nós. Manter esse nível não é fácil”, diz Björn Ulvaeus, expressando em palavras os problemas criativos do ABBA. Junto com seu amigo Benny Andersson, ele agora está fazendo coisas completamente diferentes além do ABBA. Assim como Frida Lyngstad e Agnetha Fältskog. Isso significa que o ABBA vai se separar em um futuro próximo? A ME conseguiu a resposta com as superestrelas suecas...

Comparada à Holanda, a Suécia parece quase o Polo Norte. Por lá, a temperatura caiu para bem abaixo de zero. Os limpa-neves trabalham quase incessantemente para manter as estradas transitáveis. Um grande BMW avança vagarosamente pela Hamngatan, estacionando em frente a um edifício modesto, mas imponente, onde se lê a inscrição "Polar Music" em letras pequenas. O motorista sai do carro e, vestido com um longo casaco de pele escura, quase parece um lobo cinzento, que avança com dificuldade pela neve em direção à entrada principal.

Pouco depois, Benny Andersson, ainda de casaco, está sentado na sala da diretoria da "Polar Music", a sede da empresa multimilionária do ABBA. Apenas na lareira existem algumas coisas que lembram o grupo: prêmios por sua produção vindos do mundo inteiro. No restante do prédio, não há vestígios do ABBA. Sem música, sem fotos, apenas pessoas trabalhando duro. E também um membro do ABBA em carne e osso, que acaba de finalizar mais um projeto do grupo. O álbum ‘The Visitors’ já está nas lojas, e Benny tem o prazer de anunciar "números de vendas fantásticos". Como se ele esperasse algo diferente.

Benny diz: “É o que vocês dizem, mas mesmo que seu nome seja ABBA, sempre continua sendo uma aposta. Você tem que se provar repetidas vezes. Na verdade, estamos trabalhando em ‘The Visitors’ há mais de um ano. Tempo demais, mas as músicas não surgem tão facilmente quanto antes. Esses dias já passaram. Não é fácil manter o nível. Fica cada vez mais difícil criar canções de sucesso. Espera-se muito de nós. Embora sejamos o ABBA, tenho certeza de que isso não é garantia de sucesso. Apenas a qualidade da música é.”

Segundo Benny, os boatos sobre a possível separação do mundialmente famoso quarteto "não têm fundamento. E quando eu digo isso, você deve acreditar. Veja, nós seríamos capazes de continuar indefinidamente dessa forma. Especialmente se continuarmos escrevendo músicas com a mesma qualidade. Na verdade, o ABBA só existe em estúdio quando há um álbum para ser gravado ou alguns clipes para serem feitos. Fora isso, só nos vemos ocasionalmente em reuniões. Mas não pense que não estamos nos divertindo. Com certeza estamos. Mas, na vida privada, obviamente nos distanciamos um pouco. Nós nos encontramos de vez em quando nos aniversários dos nossos filhos, mas, fora isso, não é realmente necessário.”

Podemos continuar chamando o ABBA de um grupo, então?

Benny: “Por que não? Nunca fizemos segredo do fato de que não gostamos de apresentações ao vivo, mas gostamos de gravar música. Aliás, isso não mudou em nada.”

O quarteto também tem dedicado bastante tempo a outros projetos. Benny pode nos contar um pouco mais sobre isso?

Benny: “Sim, Björn e eu estamos trabalhando na finalização musical do musical do ABBA de que falamos há anos e, além disso, estamos produzindo alguns artistas, principalmente suecos. Junto com sua filha Linda, Agnetha gravou um álbum de Natal, como um presente para Björn, mas fora isso, ela não tem planos oficiais para fazer outras coisas. Ela está bancando a dona de casa. Frida está trabalhando em um álbum solo, mas não posso te contar mais sobre isso.”

Isso é um assunto delicado para ele pelo fato de Frida ter sido sua esposa?

Benny sorri. “Não, de forma alguma. Mas ela quer manter segredo, de nós três também. Claro que poderíamos tê-la ajudado, mas aí teria se transformado em algum tipo de produto do ABBA novamente. Ela não queria isso. Inclusive, ela gravou esse álbum com pessoas que nunca tiveram nada a ver com o ABBA antes. Eu mesmo estou muito curioso.”

Em uma entrevista anterior conosco, você falou detalhadamente sobre os Beatles como uma fonte de inspiração. O novo álbum do ABBA está cheio de influências dos Beatles. Concorda?

“Totalmente”, confirma Benny. “Acho que isso se infiltra sem que percebamos. Só percebemos depois que estava pronto. Eu gosto muito disso. Encaro como um elogio...”

Uma bola de neve se espatifa contra uma das janelas da diretoria. Benny se levanta, olha pela janela e sorri. Björn parece ter chegado também. Decidimos continuar nossa conversa sobre o ABBA em outro momento.

Benny: “Pode estar escorregadio aqui na Suécia, mas, por enquanto, o ABBA não vai cair...”

Fonte: ABBA The Articles Blog

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Svenska Dagbladet, 2013: Agnetha Fältskog de volta ao A

Ela mesma começou a acreditar que sua carreira estava acabada — mas dois entusiastas fizeram Agnetha Fältskog quebrar seu silêncio autoimposto. O novo álbum "A" a trouxe de volta ao lugar onde tudo começou.

Capa do álbum "A", lançado em 2013

Imagine se Agnetha Fältskog nunca tivesse se tornado aquele "A" do ABBA. Que ela tivesse continuado sua bem-sucedida carreira solo com um lançamento internacional. Que a produção do disco pudesse ter custado uma fortuna, que a gravadora tivesse dito sim tanto para uma orquestra de cordas quanto para duas semanas de lançamento em um hotel de luxo em Londres.

Improvável? Com certeza. Mas esse experimento mental é, em grande parte, parte do trabalho no novo álbum de Agnetha Fältskog. O compositor e produtor Jörgen Elofsson e o produtor Peter Nordahl fizeram de tudo para esquecer o ABBA durante o processo de criação.

— Nós queríamos fazer o álbum como se ela não tivesse feito parte do ABBA. Não podíamos copiar o ABBA, isso teria sido ridículo. Mas quando Agnetha começou a cantar, virou ABBA de qualquer pista — só que com uma pegada mais de cantora-compositora (singer-songwriter) e mais anos 70, diz Jörgen Elofsson.

Peter Nordahl, Agnetha Fältskog e Jörgen Elofsson em 2013

Para ele, trabalhar em "A" é um sonho que se tornou realidade — "Agnetha Fältskog é tipo a trilha sonora da minha vida", diz Elofsson, e embora nos encontremos em uma situação de divulgação comercial, o tom não parece forçado ou hipócrita.

Mas levou tempo para convencer a cantora; só depois de três meses Elofsson e Nordahl conseguiram uma audiência na casa dela em Ekerö. Uma vez lá, com três músicas recém-escritas em mãos, não demorou muito para que o entendimento mútuo acontecesse — com um pequeno, mas importante, ponto de preocupação.

Faziam anos que Agnetha Fältskog não cantava seriamente. Com o tempo, ela havia começado a se conformar com a ideia de que o álbum de covers "My Colouring Book", de 2004, tinha sido seu agradecimento e adeus à indústria musical.

— Eu sentia que tinha — não problemas — mas a voz não estava totalmente legal. Então fiz algumas aulas de canto, mais para exercitar a memória de como se canta. Depois de um tempo começou a soar melhor e aí também ganhei mais autoconfiança, conta ela à TT Spektra.

Estamos justamente em um hotel de luxo em Londres — uma cidade que Agnetha Fältskog não visitava há 30 anos. Seu muito comentado medo de voar bloqueou viagens internacionais por muito tempo, mas com a ajuda de um terapeuta ela agora consegue, de forma tolerável, encarar voos mais curtos. O fato de o lançamento de "A" acontecer aqui é um passo consciente na estratégia internacional; Agnetha deve "ir para o mundo" novamente com o álbum que foi financiado, em grande parte, pelos próprios Elofsson e Nordahl.

Mas como pode a notoriamente avessa à mídia Agnetha Fältskog ter aceitado entrar no carrossel de lançamentos outra vez?

— Foi exatamente o que minha filha disse também: "você vai mesmo se meter nisso de novo?". Mas quando ouvi as três primeiras músicas eu só pensei: não, meu Deus, eu tenho que fazer isso. Era tão bom, tinha tanta qualidade, era tão bem pensado, diz ela.

Gary Barlow e Agnetha Fältskog performando ao vivo no Children In Need Rocks - BBC (2013)

No álbum, ela não apenas canta um dueto com o vocalista do Take That, Gary Barlow, se joga na pista com a canção disco "Dance The Pain Away" e interpreta a sensível balada "I Was A Flower". Ela também contribui com uma música autoral, "I Keep Them On The Floor Beside My Bed" — a primeira que escreve em várias décadas.

— Mal me atrevo a dizer isso, mas na verdade eu escrevi duas músicas. Esta foi a que os rapazes acharam melhor.

Ela está feliz por ter gravado de novo ("sou uma artista de estúdio"), mas recusa firmemente cantar ao vivo ("sei que não sou 100% boa em coisas ao vivo, porque me dá muito nervoso, de certa forma"). Aos 63 anos, ela surge como uma mulher com total controle sobre sua vida. A profissão não é mais dona dela como em alguns momentos na época do ABBA, diz ela.

Há uma coisa, porém, que ela não controla: a imagem que a mídia faz de sua vida. Se pudesse, ela apagaria de bom grado o clichê de si mesma como a Greta Garbo do pop, a pobre e solitária Agnetha do ABBA barricada em sua casa em Ekerö.

— Se te descrevem como estranha ou misteriosa, é claro que você fica triste, quando você mesma sente que não é nada disso. Sou muito pé no chão, não fico em nenhum pedestal, não sou nenhuma diva. Eu me acho bastante normal, diz ela.

Matéria publicada em 10 de maio de 2013 no site Svenska Dagbladet (https://www.svd.se/a/9a97fc66-bf5d-37bf-8f26-30abcc049902/agnetha-faltskog-tillbaka-pa-a)

The Times, 2026: Görel Hanser: empresária do ABBA por décadas

Figura chave na história do ABBA que acompanhou o grupo ao redor do mundo e teve uma música escrita para ela, morre aos 76 anos

Görel Hanser com Anni-Frid Lyngstad, do ABBA, em 1984 
Alamy

Quando a filha de Görel Hanser era uma menina, sua professora perguntou o que seus pais faziam para viver. "Minha mãe trabalha para dois homens com barbas", respondeu ela. Houve muitas risadinhas entre seus colegas de classe, embora a diversão pudesse ter se transformado em admiração se ela tivesse identificado a dupla barbuda como os compositores do ABBA, Björn Ulvaeus e Benny Andersson, que juntos com Agnetha Fältskog e Anni-Frid Lyngstad venderam cerca de 400 milhões de discos.

Hanser começou a trabalhar com eles em 1969 — época em que apenas Andersson usava barba — quando foi contratada como uma simples secretária na gravadora sueca Polar Music e na editora musical Sweden Music. Ambas eram de propriedade de Stig "Stikkan" Anderson, que na época também empregava os desconhecidos Ulvaeus e Andersson como compositores e produtores internos. 

Em 1972, eles formaram o ABBA com Fältskog, que havia se casado com Ulvaeus, e Lyngstad, esposa de Andersson. Hanser, enquanto isso, tornou-se secretária pessoal de Stig Anderson, e suas formidáveis habilidades organizacionais significaram que ela se tornaria uma figura chave na história do ABBA.

Hanser em 2018 
Shutterstock Editorial

Organizando a imprensa e promoções e acompanhando o grupo ao redor do mundo, ela ascendeu para se tornar vice-presidente da Polar Music e tornou-se indispensável como gerente pessoal do ABBA, tanto que, em 1979, alguns anos antes de o grupo se separar, eles escreveram e gravaram uma música em sua homenagem, Sang Till Görel, como um presente para seu aniversário de 30 anos.

Com uma letra em sueco traduzida aproximadamente como "Onde está Görel? Não conseguimos resolver nada sem você!", o disco foi uma homenagem à sua indispensabilidade. Prensado como um single de 12 polegadas em vinil azul, apenas 50 cópias foram fabricadas e, para evitar cópias piratas, não era permitido que fosse tocado no rádio, tornando-o o item mais colecionável da discografia do ABBA, alcançando milhares de dólares sempre que uma cópia rara aparece em leilão.

Após a separação do grupo em 1982, Hanser continuou a trabalhar para Ulvaeus e Andersson, gerenciando seus interesses contínuos no lucrativo catálogo do ABBA. "Da mesma forma que eles cresceram juntos, eles também se distanciaram", disse ela. "Eles não disseram que era o fim do ABBA. Eles disseram 'vamos fazer uma pausa e fazer outras coisas'. Estávamos esperando por eles para se reunirem novamente".

Demorou quase 20 anos para a reunião acontecer e, quando ocorreu, foi uma apresentação privada única em sua festa de aniversário de 50 anos em 1999. "Eles foram convidados, mas eu não sabia que eles iam cantar uma música para mim", relembrou. "Eles ensaiaram secretamente no banheiro e foi uma grande surpresa". A apresentação foi para não mais que 150 convidados, e o quão privilegiados eles foram ficou evidente um ano depois, quando foi oferecido ao ABBA 1 bilhão de dólares por um consórcio britânico-americano para retornarem para uma turnê mundial de 100 shows.

Foi Hanser quem apresentou o negócio aos ex-membros do grupo — e então teve que informar aos possíveis promotores que a oferta deles havia sido recusada. "É difícil de acreditar", ela admitiu. "Eles conversaram sobre isso, mas não era algo que você pudesse persuadi-los a fazer. Eles não queriam entrar em turnê novamente. Não era uma questão de dinheiro, o que nunca foi a motivação para eles. A motivação sempre foi escrever e gravar boas músicas".

Hanser, a terceira a partir da direita, com Björn Ulvaeus, no canto direito, na abertura de uma nova exposição do Museu do Abba em Estocolmo em 2018 
Shutterstock Editorial

Eventualmente, em 2018, os ex-membros voltaram ao estúdio juntos pela primeira vez em 44 anos, e foi Hanser quem deu a notícia ao mundo de que o ABBA estava cantando junto novamente. "Foi muito emocionante e estávamos todos quase chorando", disse ela. "Mas em poucos minutos foi como nos velhos tempos. Todos sabiam o que fazer. Sem mágoas, sem estresse... foi mágico".

O resultado foi o álbum Voyager, lançado em 2021, e o lançamento do projeto de avatares Abba Voyage, que abriu no ano seguinte em um local construído especificamente no Queen Elizabeth Olympic Park, em Londres, apresentando uma banda ao vivo de dez integrantes acompanhando avatares digitais dos quatro membros da banda em seu auge de sucesso. Naquela época, Hanser trabalhava com eles há mais de meio século, levando o fã-clube oficial do grupo a chamá-la de "quinto membro" do ABBA.

Ela deixa seu filho, Colle, e sua filha, Carolina, frutos de seu casamento com Anders Hanser, um locutor, jornalista e fotógrafo. Eles se conheceram em 1978, quando ele visitou os escritórios da Polar Music esperando persuadir o ABBA a participar de uma série de rádio. O grupo recusou, mas a vice-presidente da gravadora não, e eles se casaram dois anos depois. Posteriormente, ele se tornou o fotógrafo preferido do ABBA, e mais de 500 de suas fotos foram reunidas no livro de 1999, From Abba To Mamma Mia!.

Gorel Kristina Johnsen nasceu em 1949 em Skovde, uma cidade universitária a 320 quilômetros (200 milhas) a sudoeste de Estocolmo. Quando entrou para a Polar Music como secretária aos 20 anos, ela via o trabalho como um emprego temporário até que pudesse se formar para ser professora.

No início, ela quase foi demitida por Stikkan Anderson, que também era um compositor pop de sucesso. Depois que ele ditou algumas letras que havia escrito para a estrela sueca Siw Malmkvist, ele recebeu uma ligação furiosa do estúdio onde a música estava sendo gravada, reclamando que as palavras não faziam sentido, eram impossíveis de cantar e que seu talento como compositor claramente o havia abandonado. Ela havia confundido as palavras que ele ditou e, segundo seu próprio relato, teve sorte de escapar apenas com uma repreensão.

ABBA após vencer o Eurovision Song Contest em 1974 
Olle Lindeborg/Afp/Getty Images

Na época, a Polar Music ainda era uma empresa pequena e, à medida que ficou claro que suas habilidades organizacionais eram superiores aos seus méritos como datilógrafa, ela logo passou do ditamento para o gerenciamento de solicitações da imprensa, contratos de gravadoras e quaisquer outras questões práticas que fossem necessárias após o ABBA se lançar formalmente como um grupo musical com seu single de estreia, People Need Love, em 1972. No entanto, nada poderia prepará-la para o surto de "Abbamania" à medida que o grupo disparava para a fama internacional após Waterloo vencer o Eurovision Song Contest em 1974.

Ela não estava com o ABBA em Brighton para testemunhar a vitória pessoalmente e estava de volta ao escritório em Estocolmo planejando como promover o disco para um público além da base de fãs sueca existente. Mas, pelos seis anos seguintes, ela acompanhou o grupo enquanto viajavam o mundo no centro de um turbilhão e lideravam as paradas com uma série de sucessos deslumbrantes, incluindo SOS, Mamma Mia, Dancing Queen, Money Money Money, Knowing Me Knowing You e The Name of the Game.

"Quando estávamos no meio de tudo aquilo, você não compreendia realmente o quão grande era", relembrou ela. "Claro, bebíamos champanhe quando o ABBA estava no topo de uma parada, mas tínhamos que continuar trabalhando normalmente. Só depois que tudo acabou é que você conseguia absorver a jornada fantástica que tivemos".

Görel Hanser, empresária do ABBA, nasceu em 1º de junho de 1949. Ela faleceu de causas não divulgadas em 13 de junho de 2026, aos 76 anos.

Publicado em The Times, em 16 de junho de 2026. (https://www.thetimes.com/uk/obituaries/article/gorel-hanser-5dv7bphnr)

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Popshop, junho de 1977: Retrato íntimo, Agnetha (do ABBA)

Agnetha Fältskog ou Anna, a garota loira do ABBA, nasceu em 5 de abril de 1950 em Jönköping, Suécia. Seu pai era um organizador entusiasmado de concursos de canto para amadores, e foi muito natural que a pequena Agnetha começasse a competir em um deles desde muito jovem. Ela ainda se lembra de como competiu quando tinha seis anos de idade e de como o público gargalhava quando suas calças caíram enquanto ela cantava. Aos dez anos, ela ganhou seu primeiro piano e logo estava tocando o instrumento por horas a fio, escolhendo cuidadosamente suas próprias notas. Até os quinze anos, ela continuou participando de concursos de canto amador, mas a partir de então se tornou cantora de uma banda de baile, primeiro com uma orquestra local, depois como "convidada" em outras orquestras de baile. Naquela época, ela também começou a compor suas próprias músicas e a escrever letras. Uma dessas músicas chamou a atenção de um caça-talentos da gravadora CBS em Estocolmo e, logo, a jovem de dezessete anos se viu em um trem rumo à capital. O grande chefe da gravadora lhe ofereceu um contrato de primeira classe com um salário mensal para os próximos cinco anos e um acordo para discos e turnês. 

Duas semanas após o lançamento de seu primeiro single, "I Was So In Love", ele já estava no Top 10 da Suécia. Agnetha largou seu emprego como telefonista em uma concessionária de carros e se mudou para um pequeno apartamento em Estocolmo. Seus dois singles seguintes também fizeram muito sucesso. Eram todas músicas românticas e sentimentais que combinavam perfeitamente com a imagem dela. 

A televisão sueca começou a se interessar. Ela se apresentava regularmente na TV, nos intervalos de suas turnês pelos inevitáveis folk parks. Na mesma época, uma gravadora alemã também se interessou por ela e tentou comprar seu contrato. Embora sua popularidade na Alemanha estivesse começando a crescer, ela recusou a proposta. Ela também teve um romance com o letrista alemão Dietrich Zimmerman. Eles escreveram algumas músicas juntos, mas o romance acabou esfriando... Por coincidência, em um estúdio de televisão, ela conheceu Björn. Três meses depois, eles ficaram noivos secretamente e foram morar juntos em um pequeno apartamento na região de Kungsholm. Em outubro de 1969, eles anunciaram o noivado oficialmente e os jornais suecos estamparam as manchetes: "O romance pop do ano". Eles se mudaram para um apartamento de três quartos na exclusiva ilha de Lilla Essingen, no coração de Estocolmo. Eles discutiam bastante, mas também se divertiam muito. 

Em 6 de julho de 1971, ela se casou com Björn, que já havia se juntado a Benny, e juntos eles fizeram algumas turnês de verão. Mas o momento ainda não era o ideal para o ABBA e Agnetha continuou escrevendo e gravando suas próprias músicas. "If Tears Were Gold" se tornou um enorme sucesso. 

Agnetha também estrelou como Maria Madalena no musical "Jesus Cristo Superstar" e a famosa música "I Don't Know How To Love Him" foi gravada, junto com outras canções de seu repertório de apresentações pelos parques. 

Em 1973, todos achavam que seria o ano de Benny, Björn, Agnetha e Anni-Frid, que, nesse meio-tempo, havia se tornado noiva de Benny. Eles participaram da pré-seleção sueca para o *Eurovision Song Contest* com a música "Ring Ring". Agnetha estava grávida na época e o bebê estava previsto para nascer em fevereiro de 1973, próximo à data da final. O quarteto estava preparado para tudo e havia até uma versão da música para ser apresentada em trio, caso Agnetha não pudesse comparecer à final. Mas ela conseguiu participar da apresentação, embora a música tenha terminado apenas em terceiro lugar. Quatro dias após a final sueca, a pequena Linda nasceu. A partir de então, Agnetha dedicaria seu tempo completamente à Linda e ao ABBA, nessa exata ordem. 

Conte-nos um pouco mais sobre o seu primeiro amor? 
"Eu devia ter uns dezessete anos. O nome dele era Björn Lilja, não, não o Björn do ABBA, mas um garoto local do bairro em Jönköping. Foi um romance de adolescência. Mas depois que o romance acabou, lembro-me de ter tentado esquecer minha tristeza atrás do piano e de compor uma melodia, muito sentimental e triste, bem coisa de garotas jovens. A melodia não me deixou de melhor humor, mas era uma peça muito bonita e comovente. E foi exatamente essa música que me rendeu um contrato de gravação em Estocolmo. Hoje sou grata a Björn Lilja, porque sem aquele romance eu provavelmente nunca teria escrito aquela música. Na verdade, nós nunca brigamos de verdade. Ainda somos amigos. E, aparentemente, ele está muito orgulhoso por ter me inspirado a escrever a canção. Quando ela virou um sucesso na Suécia, ele veio me dar os parabéns. Ele queria me dar um abraço, mas não pôde. Tinha acabado de quebrar os dois braços em um acidente de trânsito e estava com eles engessados!"

Quais são os seus pensamentos sobre os seus pais? 
"Muito positivos. Devo tudo ao meu pai. À sua paciência, por exemplo. Ele passou horas e horas me ensinando a tocar piano. Ele nunca deixou de me incentivar... 

Dizem que você pode ser muito franca, mas também que é muito tímida. Afinal, qual é a verdade? 
"Na essência, eu sou tímida. Sou a garota do interior que fez sucesso, e nos últimos anos tenho tido algumas dificuldades com isso. Tentei esconder essa insegurança inata atrás de uma máscara de autoconfiança. Alegaram que meu comportamento foi influenciado por isso. Que eu cometi muitos erros por causa disso. Mas as pessoas exageram também. Na época, diziam que eu não sabia nem manusear uma colher em um restaurante e coisas do tipo. Imagine só! Claro que já cometi erros. Coloque-se no meu lugar. Uma garota de dezessete, dezoito anos, no meio de todos esses esnobes da indústria fonográfica, meu vocabulário provavelmente não era o mais polido o tempo todo. Qualquer um que tenha me conhecido um pouco melhor admitiria que sempre tentei ser gentil, honesta e suave. Até mesmo com os jornalistas. Mas quando eles não são do meu agrado, eu sou breve..." 

Quais foram os momentos mais emocionantes da sua vida? 
"São muitos! Em termos de intensidade, não consigo colocá-los em nenhuma ordem específica. Cronologicamente, talvez? Quando entrei em um estúdio de gravação em Estocolmo pela primeira vez, aos dezessete anos, e ouvi todos aqueles músicos ensaiarem aquela primeira melodia que eu tinha composto, preparando-se para a gravação real... Quando conheci o Björn e ficamos noivos. Lembro-me de uma viagem de noivado na ensolarada ilha de Chipre, onde podíamos fazer o que queríamos sem sermos reconhecidos... O dia do meu casamento, foi lindo!... Quando a Linda nasceu... E quando ganhamos o Eurovision Song Contest com 'Waterloo'! E há muitos outros. Repito: tive sorte na vida!" 

Como você conheceu o Björn? Ele foi o amor da sua vida logo de cara? 
"Pode apostar! Eu já o tinha visto antes com os Hootenanny Singers e, certa vez, acabamos no mesmo estúdio de TV. Fui até ele e disse: 'Olá, Björn. Estou feliz por finalmente conhecê-lo. Acho que você é o melhor e adoro a música de vocês!'. Eu realmente gostava da música deles, mas achava que o Björn, o guitarrista principal e vocalista, era algo além. Eu nunca o tinha visto na vida real, mas lembro de ter achado ele ainda mais bonito do que na pequena tela da TV!" 

O que o dia do seu casamento teve de tão especial? 
"Tudo! Eu sei que é o que toda garota diz, mas o dia inteiro foi uma surpresa atrás da outra. Como nosso local, tínhamos escolhido uma antiga igreja gótica em um vilarejo que parecia de conto de fadas. Na Suécia, você pode se casar onde quiser. Fui levada à igreja em uma carruagem aberta, usando meu vestido de noiva branco, com a vila inteira me aplaudindo. Hinos suecos estavam sendo cantados e, enquanto eu entrava na igreja, Benny tocava a marcha nupcial de Mendelssohn no órgão, seguida por seu próprio sucesso 'Wedding'. Foi uma cerimônia curta. Depois que nos casamos, houve uma espécie de tumulto quando saímos da igreja. Um policial perdeu o controle de seu cavalo e o animal pisou no meu pé. Chamaram até um médico, mas felizmente não foi tão ruim assim. Ele colocou uma atadura no meu tornozelo e ficou tudo bem. A comitiva seguiu para uma taverna chamada White Horse para o jantar de casamento. Havia 39 convidados e um cachorro – Ada, nosso buldogue francês – e dançamos ao som da música de Benny e seus Hep Stars. Lá fora, centenas de pessoas gritavam nossos nomes, elas queriam nos ver mais uma vez antes de voltarem para casa. Então decidimos acenar para elas da sacada, como a realeza. Vou lembrar de cada minuto daquele dia. Mesmo quando for uma velhinha, não me esquecerei da minha felicidade!" 

É verdade que a pequena Linda significa tudo para você? 
"O nascimento da Linda foi o momento de maior orgulho da minha vida. Desde então, algo mudou na minha vida. Continuo me esforçando para ser e permanecer uma integrante cem por cento dedicada ao ABBA, mas meu casamento e a Linda agora vêm em primeiro lugar. Eu não daria a mínima se o mundo do show business virasse as costas para nós ou para mim. Eu simplesmente me retiraria e me dedicaria totalmente a fazer o papel de esposa e mãe. Especialmente quando estamos em turnê, sinto uma falta terrível da Linda. Cada segundo longe dela é uma verdadeira tortura..." 

Você é realmente tão supersticiosa quanto costumam afirmar? 
"Nós realmente somos. A arma secreta do Björn é a guitarra dele, desenhada e moldada em formato de estrela. A Anni-Frid tem o seu sombreiro, e eu tenho um burro de pelúcia como meu amuleto da sorte. É muito grande e inconveniente, mas eu o arrasto comigo para onde quer que vá. As pessoas até fazem piadas sobre isso, mas eu não ligo. É a Agnetha e o burro dela, sabe..." 

Vocês nunca brigam? Quatro pessoas que têm que trabalhar juntas todos os dias não se cansam umas das outras? 
"Benny e Björn se dão muito bem, eles são homens e também se complementam musicalmente. Anni-Frid e eu também nos damos bem. Até recentemente morávamos muito perto uma da outra, mas agora só nos vemos durante as turnês, ensaios e apresentações. Mas o fato de que ainda passamos nossas férias juntos prova que realmente gostamos uns dos outros. Sempre que há problemas no acampamento do ABBA, nós conversamos democraticamente sobre eles antes de tomar qualquer decisão. Tudo é discutido. Até mesmo as roupas que vamos vestir quando nos apresentamos. Meu cabelo longo também é sempre assunto de discussão. Pessoalmente, eu gostaria de cortá-lo curto, mas os outros três preferem o cabelo comprido. E aí eu acabo cedendo. Isso é democracia!" 

As pessoas costumam chamá-la de 'a bela' do grupo, a sexy, a garota com as pernas mais bonitas. Como você reage a isso? 
"Eu, sexy? Qual é. Na verdade, sou um tanto recatada, pelo menos de acordo com os padrões suecos. Mas esse longo cabelo loiro causa uma grande impressão, especialmente na Itália e na Espanha. Eu não tenho coragem de sair na rua sozinha por lá! Quem está de fora pode achar isso divertido, mas eu não acho. Eu preferiria ter cabelos curtos e escuros..." 

Fonte: ABBA The Articles Blog

domingo, 19 de setembro de 2021

Agnetha Fältskog em sua primeira entrevista após o retorno do ABBA


Em setembro, Agnetha Fältskog, do ABBA, concordou em conceder à apresentadora de rádio sueca Carolina Norén uma entrevista para o clássico programa sueco "Svensktoppen", na rádio Swedish Public Service. A entrevista foi ao ar em 19 de setembro.

Carolina: "Don't Shut Me Down" do ABBA - e comigo ao telefone tenho Agnetha Fältskog. Olá, Agnetha!
Agnetha: Olá, Carolina!

Carolina: E, claro, parabéns por entrar no topo das paradas, Agnetha!
Agnetha: Uau, que surpresa! Isso foi incrível, realmente divertido.

Carolina: Digamos apenas que não fiquei tão surpresa, nem o resto do mundo. No entanto, o último número um do ABBA aqui na Svensktoppen foi, na verdade, "Waterloo", em 1974!
Agnetha: Foi há muito tempo? Bem, aí está. Estava na hora, então.

Carolina: Estava na hora! Exatamente.
Agnetha: Gostaria de aproveitar a oportunidade para falar o quão felizes, gratos e comovidos estamos todos no grupo com a enorme acolhida. É intimamente muito agradável e animador.

Carolina: Estou pensando, a primeira vez em que você recebeu uma ligação como essa da "Svensktoppen", e não sei se você se lembra disso, era Ulf Elfving que estava ligando. Foi em 1968, você tinha 17 anos e "Jag var så kär" (Eu Estava tão Apaixonada), alcançou a terceira posição.
Agnetha: Sim, já se passaram alguns anos, haha.

Carolina: O que a Svensktoppen significou para vocês ao longo dos anos?
Agnetha: Significou muito. Estamos tão acostumados com as paradas, e temos sucesso enorme em vários países, mas "Svensktoppen" - é o nosso país natal e o público que temos aqui, e isso obviamente significa muito. Estamos muito emocionados com a receptividade em todos os lugares. Lembro-me daquela primeira entrevista com Ulf, eu estava muito nervosa e quase não conseguia acreditar que tinha entrado na Svensktoppen, é algo que não se esquece. Essa também foi uma surpresa enorme, porque você nunca sabe como vai acabar. Nunca se tem certeza de que algo terá sucesso e ficamos contentes quando isso acontece. 

Carolina: Na verdade, eu estava pensando um pouco sobre isso: eu sei que você adora passar o tempo no estúdio trabalhando, e assim por diante, mas houve algum momento enquanto trabalhava neste novo material onde você começou a sentir dúvida ou medo: e se isso não funcionar?
Agnetha: Sim, nós dissemos isso no início: muito tempo se passou desde que gravamos, e você nunca pode ter certeza de que a voz vai se sustentar - iria soar velha? No entanto, imediatamente ouvimos - tanto da voz da Frida quanto da minha - que parecia mais ou menos como naquela época. Contudo, você pode ter de fazer outro tipo de esforço e dar mais, ou como dizê-lo, de sua capacidade de contar uma história, de ter empatia com a música. Sempre fiz isso, mas é muito mais agora que já se viveu uma vida inteira. Você coloca mais emoção nisso.

Carolina: Eu estava pensando, de quem foi a ideia de fazer isso - quem foi a energia condutora por trás do retorno? Quero dizer além de você? Do ponto de vista dos fãs, isso sempre foi um dado.
Agnetha: Sim... Bem, uma coisa leva a outra, de alguma forma. Sentimos que queríamos fazer algumas músicas novas para o projeto avatar que vai estrear em maio do ano que vem, em Londres. Então dissemos "vamos fazer algumas músicas e ver como ficam, como soam". Uma coisa levou a outra com mais algumas músicas, e então Benny meio que disse "por que não fazer um álbum inteiro?". Sim, e foi assim que aconteceu, e como gostamos de trabalhar no estúdio, foi fantasticamente divertido ser capaz de criar e tal.

Carolina: Sim, e você disse que às vezes é fácil "convencê-la" a fazer coisas se elas parecerem divertidas.
Agnetha: Sim, é verdade.

Carolina: Então não foi difícil de convencê-la, quando se tratou de fazer isso?
Agnetha: Não, acho que não foi para nenhum de nós. Não para fazer isso. Em relação ao projeto avatar eu tive de pensar, já que significava muito trabalho, por assim dizer, no palco. Porque eu não sou uma personalidade de palco nesse aspecto, mas posso transmitir mais sentimentos nas músicas.

Carolina: Certamente. Os rumores sobre esse retorno começaram em 2018. Conhecemos os títulos das músicas e parece que essas duas músicas que ouvimos já estavam em andamento há um tempo. Vocês poliram as músicas ao longo dos anos? O que aconteceu desde que ouvimos falar delas em 2018?
Agnetha: Bem, nós estivemos nisso. No início trabalhamos nos avatares ao longo de fevereiro... vejamos, foi no ano retrasado? Não, foi no ano passado. Tínhamos acabado de trabalhar com isso, quando a situação do Corona apareceu. Então, depois de um tempo, começamos a gravar essas músicas e continuou assim.

Carolina: Quando as músicas foram lançadas há pouco mais de duas semanas, os fãs se reuniram ao redor do mundo simultaneamente. Björn e Benny participaram da transmissão ao vivo e você e Frida fizeram parte do programa editado. Björn e Benny disseram que vocês estavam acompanhando a transmissão à distância. Como foi assistir isso?
Agnetha: Foi realmente extraordinário. Eu tenho assistido um pouco os nossos fãs, quando eles estão ouvindo as músicas, e eles realmente choram. É enorme o alcance que teve em todos os países. É quase difícil de assimilar isso, na verdade.

Carolina: Eu estava presente na Gröna Lund (em Estocolmo), onde os fãs foram convidados, e havia muitos fãs de outros países. Posso realmente atestar que as emoções eram extremamente fortes. Era, você sabe, quase solene. Como você disse, eles choraram e ficaram profundamente comovidos. Uma coisa que muitos deles disseram, pelo menos aqueles com quem conversei, é que sentiram a sua falta - "as meninas", eles disseram: Agnetha e Annifrid.
Agnetha: Sim. 

Carolina: Você sabe quando vocês vão se encontrar da próxima vez?
Agnetha: Realmente não me atrevo a dizer. Estamos um pouco mais velhos agora e temos nossas pequenas doenças, haha. Mas continuamos lutando. Não me atrevo a dizer, porque isso é um pouco incerto. No momento, estamos felizes por termos feito isso juntos, e vamos torcer para que tudo corra bem em Londres, na estreia por lá.

Carolina: Certo, em maio do próximo ano. Os avatares. Incrivelmente legal, na verdade.
Agnetha: Certo.

Carolina: Você tocou no assunto da voz, se ela se sustentaria. Quando você lançou seu álbum solo em 2013, você mencionou em uma entrevista que tinha a mesma preocupação e teve aulas de canto - que acabou sendo uma aula. Como foi dessa vez, Agnetha? Acabou tendo alguma aula de canto?
Agnetha: Haha. Não, não tive. Sabe-se disso, que tem a ver com o apoio do estômago, que você não deve arruinar... então não fica muito para a garganta. Em vez disso, você encontra apoio na barriga, e isso se encaixa muito bem, uma vez que você está no estúdio. Você apenas pensa, "uau, aguenta!". Cada um é diferente... Gosto de sentar quando canto. Frida geralmente se levanta. Isso varia muito, como você sente que tem o domínio.

Carolina: Você é quem está fazendo os vocais principais - pelo menos a maioria deles - no single "Don't Shut Me Down". Devo acrescentar que "I Still Have Faith in You" também está na parada, na posição quatro.
Agnetha: Sim, que divertido!

Carolina: Como funciona quando vocês dividem entre vocês duas? Vocês escolhem as suas favoritas ou são direcionadas pelas respectivas extensões vocais? Diga.
Agnetha: Sim. Provavelmente são os rapazes que são encarregados disso. Nós pegamos algumas letras, ouvimos um pouco e experimentamos um pouco. Acontece também que uma sente que "esta eu gostaria de cantar". Não há brigas por nada. Nós experimentamos, mas geralmente são os rapazes, eu acho, que já sabem quem deve cantar o quê. Também fazemos parte uns dos outros... Mesmo que um de nós cante os versos solo, estamos sempre juntos nos refrãos, geralmente.

Carolina: Você também tem experiência como compositora e conduziu a sua carreira solo no início. Hoje em dia, Björn e Benny geralmente acabam discutindo sobre o projeto. O quanto você consegue ir mudando as coisas, ou sentir "isso não funciona, vamos tentar isso".
Agnetha: Antigamente acontecia com bastante regularidade, mas atualmente não. Posso ter muitas ideias: "podemos adicionar algum enfeite neste ponto da música?" Eu também sou muito boa em harmonias, mas os rapazes lidam com a maioria delas. Fazemos o que eles dizem, e tudo sai bem.

Carolina: Outra coisa quando se fala sobre o ABBA e a música do ABBA, as suas músicas têm sido bastante associadas a vocês como pessoas ao longo dos anos. O exemplo mais óbvio pode ser "The Winner Takes It All", que é sobre divórcio. E sobre hoje - o que as músicas falam sobre vocês como pessoas e artistas atualmente?
Agnetha: É provável que isso aconteça principalmente nas letras, e você provavelmente deveria deixar Björn responder. Pode-se ler uma coisa ou outra no trabalho de compositores, compositores ou letristas e, claro, você adiciona um pouco de "é sobre ele, ou sobre mim". Mas é em geral, como posso dizer, sobre relacionamentos. Porque muitas vezes é sobre o amor.

Carolina: As duas músicas mais recentes, talvez um pouco mais genéricas. Agora que estamos falando de amor, vou perguntar a você: você disse que é uma pessoa romântica, Agnetha.
Agnetha: Sim, eu sou.

Carolina: E você gosta de música romântica. Haverá mais romance no álbum? Mais amor?
Agnetha: Haha! Bem, ele é muito diversificado. Não posso falar muito sobre isso agora, mas é muito variado. Eu posso te dizer uma coisa: se você gostou dessas duas músicas, provavelmente vai gostar do álbum inteiro. Eu acho que sim.

Carolina: Certo. Isso é bom. Sinto que preciso arranhar a superfície um pouco mais. O que ouvimos é um som atemporal do ABBA. Pode-se imaginar que continuará com esse som também?
Agnetha: Você quer dizer, no CD?

Carolina: Sim, no álbum.
Agnetha: Ah, sim. É muito mais o som do ABBA. Não estamos tentando soar diferentes ou nos deixando afetar por outras coisas atuais, por assim dizer. Estamos tentando manter... Torna-se o que se torna - e torna-se muito o ABBA quando Frida e eu ficamos juntas no estúdio. É quase como um casamento entre nossas vozes, e às vezes é quase difícil diferenciá-las.

Carolina: Agora, eu sei que muitas pessoas estão ansiosas pelo show em Londres em maio do próximo ano. Primeiro, tem o álbum, em novembro. Aquele sobre o qual estávamos falando. Mencionamos os avatares. O que passou pela sua cabeça na primeira vez em que ouviu a ideia?
Agnetha: Haha. Bem, sim, nenhum de nós provavelmente sabia o que esperar, mas trabalhamos muito com isso, então você cresceu nisso, afinal. Nós ficamos ali, fazendo essas músicas, com - não sei quantas câmeras e pessoas. E então, de alguma forma, isso foi transferido tecnologicamente, de uma forma que nem mesmo entendemos, para outras pessoas que estarão no palco como nós - mas ainda seremos nós, haha! Eu realmente não consigo explicar, é tão difícil, mas há muita tecnologia e luzes envolvidas. Mas foi ótimo fazer no final. Porque era tão diferente. Além disso, havia uma vibração, sentia que "talvez seja a última coisa que faremos". A mesma coisa com este álbum.

Carolina: Oh, você não pode dizer isso, haha! Nós queremos mais!
Agnetha: Você pode cortar isso.

Carolina: Jonas e eu vamos cortar isso! Álbum solo em 2013. Posso revelar para você, aqui e agora, que no verão de 2013, "Dance Your Pain Away" foi a única coisa que ouvi.
Agnetha: Entendo! Muito legal.

Carolina: Eu sei disso, mas não vou cantá-la!
Agnetha: Sim, isso foi legal, realmente.

Carolina: Existe alguma coisa solo canalizada - outro álbum solo seu, Agnetha?
Agnetha: Não, no momento não. Acho, e sinto, que fiz muito agora. Então eu não posso te prometer isso. Temos de encontrar alegria no que temos e em tudo o que nos espera.

Carolina: Certamente. Também posso acrescentar que fiquei muito feliz quando soube que você estaria conosco para compartilhar. Porque aprendi que você é um tanto restritiva quando se trata de dar entrevistas. O que você acha, haverá mais aparições públicas suas mais adiante?
Agnetha: Na verdade não. Mas, como você disse, eu nunca me afastei dessa forma, mas sou reservada e sinto que muitas coisas estão sendo escritas, e têm sido escritas, sobre nós. Concordamos em fazer, e temos feito, muitas entrevistas. Existe o risco de estragar tudo por falar demais. Você quer manter um pouco para si mesmo. Algo privativo.

Carolina: Agnetha, nós respeitamos isso, e estamos muito felizes aqui na Svensktoppen e, imagino, que os ouvintes que talvez não tenham desmaiado de surpresa e tenham ficado conosco, estejam felizes por você ter se juntado a nós. Mais uma vez, muitos, muitos parabéns por liderarem a parada.
Agnetha: Obrigada. Também quero enviar saudações do restante do grupo. Eu sei que eles estão todos muito felizes com isso. Isso significa muito para nós.

Carolina: Maravilhoso. Espero que possamos conversar novamente. Quase senti arrepios ao fazer a apresentação aqui. Então eu digo: novo número um, ABBA e "Don't Shut Me Down". Muito obrigada, Agnetha.
Agnetha: Muito obrigada a você também!

***

Tradução em inglês: Anders Lundquist
Tradução em português: ABBA Brazil

Fonte: https://sverigesradio.se/avsnitt/agnetha-faltskog-i-den-forsta-intervjun-efter-abbas-comeback-det-ar-valdigt-mycket-abba-sound
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