sábado, 29 de março de 2014

Os 40 anos de sucesso do ABBA

O ABBA completa agora em abril 40 anos. Na verdade, o quarteto surgiu um pouco antes, mas o grupo, com esse nome - e já com a ideia de grupo - começou sua jornada de sucesso no dia 6 de abril de 1974. Nessa data, venceram o Eurovision Song Contest, que naquele ano foi realizado em Brighton, no litoral sul inglês. (Dificilmente algum fã do ABBA desconhece o Eurovision: trata-se de um concurso anual de canções transmitido pela televisão, com participantes de vários países europeus).


Mas o post de hoje não é sobre nenhuma curiosidade ou lançamento do ABBA. Quero apenas compartilhar algumas lembranças com outros fãs. Há pouco mais de 20 anos, comecei minha jornada pessoal como fã do grupo. Tinha 14 anos. Foi antes do Natal de 1993, quando vi na TV o comercial da coletânea ABBA Gold. Eram só alguns segundos de imagens e músicas, mas me chamaram a atenção de forma tão intensa que imediatamente pedi o disco de Natal. Na época, CD ainda não era algo comum no interior de Minas, onde eu morava. De fato, o compact disc estava entrando no mercado brasileiro, mas não havia se popularizado por completo ainda. 


Naquele Natal, ganhei de presente meu LP duplo ABBA Gold (uma pequena fortuna, já que discos duplos, ainda mais lançamentos, eram caros na época). Lembro bem da minha alegria ao abrir o presente. Comecei a ouvir os discos e, durante mais ou menos uns 8 meses seguidos, SÓ ouvi ABBA Gold. Dia e noite, sem parar. Encantei-me pelas fotos dos encartes, pelas melodias e pelas vozes, já que naquela época eu ainda não falava inglês e, portanto, não entendia as letras das canções.

Mas o que eu realmente não sabia, na minha total ignorância em relação ABBA, era que aquela coletânea já estava fazendo sucesso nos quatro cantos do mundo, desde que fora lançada no ano anterior. Chegando com um pequeno atraso no Brasil pela Globo/Polydor, ABBA Gold também vendeu feito água aqui.


Nos anos seguintes, me dediquei com afinco a estudar e aprender inglês. Era a única forma de conhecer a história daqueles quatro suecos, já que era quase impossível obter qualquer tipo de informação sobre o ABBA (ainda mais em português!) naquele começo dos anos 90, ainda pré-internet.

Saía batendo de porta em porta, à procura de pessoas que, porventura, tivessem algum disco velho do ABBA. Procurava incansavelmente em sebos, visitava cidades vizinhas, arquivos de rádios, me cobria de poreira dos pés à cabeça, na caça de alguma pista do grupo. Era muito esforço para pouco resultado. Encontrava disquinho aqui, uma coletânea ali, mas tudo muito difícil. Nessa época já me chamavam de "o menino do ABBA", num tom meio piadista. "Por que diabos esse menino vive atrás desse grupo esquisito e esquecido?" era o pensamento das pessoas.

Vale lembrar que no final dos anos 80/começo dos 90, ABBA era considerado algo musicalmente condenável, execrável e já tido como morto e enterrado. Mas aos poucos o sucesso de ABBA Gold foi se alastrando pelo mundo e contagiando artitas da época como Erasure e Kurt Cobain. Diretores australianos começaram a produzir filmes que usavam trilha sonora com canções do ABBA. De brega, o grupo virou cult e começou a ser reverenciado por uma nova geração de fãs.


Aqui no Brasil a coisa nunca foi muito significativa. De forma geral, a mídia brasileira sempre tratou o ABBA com displicência, superficialidade e deboche. Se na Europa o grupo voltou a ocupar a primeira posição das paradas de sucesso - graças ao ABBA Gold - aqui no Brasil, apesar das vendas crescentes, o grupo permanecia algo para ser apreciado entre quatro paredes, às escondidas mesmo. 

Coloquei anúncios em diversas revistas, buscando outros fãs do ABBA, e comecei a me corresponder com outros admiradores do grupo e a trocar material. Com o surgimento da internet - e a evolução gradual do meu inglês - comecei a ter acesso a muitas informações. Fui traduzindo textos, juntando recortes, fazendo pesquisas... Ao longo dos anos, me dei conta de que havia acumulado material suficiente para escrever uma biografia do grupo. E escrevi, meio por hobby mesmo, mas sem grandes expectativas. 


Mais de uma década depois, em 2007, um editor de Curitiba, Sandro Bier (a quem serei sempre grato pela confiança e interesse) apostou no projeto e publicou meu primeiro livro, Made in Suécia - O paraíso pop do ABBA. Pela primeira vez, uma biografia do ABBA era publicada em português. O fato me encheu de orgulho, claro. Sempre achei estranhíssimo que nunca houvesse existido no Brasil um só livro sobre o ABBA.

Apesar de todas as dificuldades, sou extremamente feliz pela conquista e por ter prestado minha pequena homenagem ao quarteto cuja música me acompanha desde a adolescência. Se a repercussão do livro aqui no Brasil não esteve à altura do que o ABBA merecia, os resultados também não foram desastrosos. O que eu pretendia era transformar meu projeto em realidade. Meu objetivo foi alcançado. E isso eu devo também a vários outros fãs do ABBA que, ao longo desses anos, se tornaram meus amigos e me ajudaram. O livro é também resultado da generosidade e amizade dessas pessoas.

A revista Rolling Stone publicou uma crítica positiva e a embaixadora da Suécia, Annika Markovic, me convidou para um jantar de gala em homenagem aos 50 anos da Copa de 1958. A jornalista sueca Åsa da Silva Veghed também foi convidada para divulgar seu livro sobre música brasileira. Foi um intercâmbio no mínimo curioso: um brasileiro divulgando a música sueca e uma sueca divulgando a música brasileira.

Em 2011, lancei meu segundo livro, Mamma Mia!, pela Panda Books. Dessa vez, a editora me encomendou uma versão 'turbinada' e ampliada do livro anterior, com atualizações, algumas correções e mais informações. Foram meses de pesquisas e escrita, até o projeto ser concluído. E pela segunda vez, uma biografia em português do ABBA foi escrita por mim. No ano seguinte (finalmente!) um livro sobre o ABBA foi traduzido no Brasil. Apesar da demora, fiquei feliz por ter 'aberto o caminho'. E este ano, um outro livro traduzido (do biógrafo oficial do ABBA, Carl Magnus Palm) está sendo prometido para o mercado brasileiro. 

Aos poucos, os brasileiros começam a ter mais contato com o ABBA de verdade. As matérias, antes rasteiras e jocosas, começam a dar espaço a informações mais precisas e elogiosas. Como o quadro de Nelson Motta para o Jornal da Globo do último dia 28 de março:
"Houve um tempo em que gostar do ABBA, daquelas músicas bregas, daqueles cabelos e roupas ridículos, pegava muito mal em qualquer papo musical. Mas o tempo fez justiça às ótimas melodias, aos ritmos alegres e aos excelentes vocais do ABBA e garantiu à banda um lugar de destaque no mundo do pop globalizado." (Nelson Motta)

sexta-feira, 14 de março de 2014

2014 recheado de lançamentos

Os fãs do ABBA - pelo menos os europeus - não têm do que reclamar este ano. No dia 6 de abril de 2014 o quarteto comemora os 40 anos da vitória de Waterloo no Eurovision Song Contest. A canção se tornou hit instantâneo ao redor do mundo, chegando ao topo das paradas na Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Irlanda, Holanda, Noruega, Suíça e África do Sul, além de alcançar a sexta posição da lista norte-americana. 


No aniversário de 50 anos do Eurovision Song Contest, em 2005, Waterloo foi escolhida como a melhor música da cultuada competição europeia. A canção foi um marco não apenas para o ABBA, mas também para o programa. 

Para comemorar todo esse sucesso, que já dura quatro décadas, uma série de lançamentos (entre itens inéditos e reedições) chega ao mercado. As celebrações começaram ano passado, com a volta de Agnetha à mídia, após o lançamento de seu álbum solo A, e a inauguração do museu do ABBA, em Estocolmo.

Edições Deluxe dos álbuns originais do ABBA também foram lançadas. A de Waterloo (única que faltava) coincide com as comemorações deste ano. Três livros de peso também marcam presença no rol de lançamentos especiais. Um é dedicado à parte visual e os outros dois, à textual.


O primeiro é a edição revista, atualizada e ampliada de Bright Light Dark Shadows, de Carl Magnus Palm, biógrafo oficial do ABBA. Considerado o melhor, mais acurado e detalhado livro sobre o quarteto sueco, é a bíblia do ABBA. Conta a história não apenas da banda, mas da vida de cada um dos integrantes, antes, durante e depois do grupo. Além disso, traça um excelente panorama da música sueca.


O segundo, ABBA  The Backstage Stories escrito também por Carl Magnus Palm, narra as lembranças de viagens de Ingmarie Halling, supervisora de figurino e maquiagem do ABBA, nas turnês de 1977, 1979 e 1980. Além de fotos não publicadas anteriormente, das turnês do ABBA pelo mundo, o texto disseca os aspectos da imagem da banda: roupas, capas de discos, clipes. Também destaca as histórias das pessoas que trabalharam nos bastidores ao longo da carreira do grupo, colegas que ajudaram a criar a identidade visual do ABBA para o público.


O terceiro livro, que vem causando grande expectativa entre os fãs do grupo, é ABBA  The Official Photobook, a ser lançado em abril deste ano (para coincidir com o aniversário da vitória no Eurovision). Produzido pela Max Ström, editora líder da Escandinávia em livros de fotografia e uma das maiores da Europa, a obra já é descrita como um dos mais prestigiados livros de música. Além disso, ainda conta com a colaboração de Benny, Björn, Agnetha e Frida, que contribuíram com o prefácio e comentários sobre algumas das fotos. 


O livro traz imagens da era pré-ABBA, dos anos de formação da banda e da explosão mundial, assim como fotos particulares ou simplesmente não publicadas, de bastidores, fotos alternativas de divulgação, de capas de discos e de turnês. Fotos recentes dos ex-integrantes também entram no livro. "Estou maravilhada com todas essas fotos! Algumas estou vendo só agora, pela primeira vez. O livro é mesmo uma viagem através das lembranças", disse Frida.




Pena que, como de costume, os fãs brasileiros fiquem de fora da grande maioria desses lançamentos. O jeito é recorrer às importações, apesar dos preços não muito acessíveis. Mas uma luz brilha no fim do túnel: de acordo com o site oficial de Carl Magnus Palm, uma edição em português de ABBA – The Story deve ser lançada aqui no Brasil no final deste mês. No entanto, como é de costume, nada tem sido divulgado na mídia brasileira. Em matéria de ABBA, ainda estamos engatinhando. Mas a euforia na Europa é tanta que, felizmente, hoje em dia pelo menos uma coisa ou outra acaba chegando por aqui. Cruzemos os dedos!


quarta-feira, 22 de maio de 2013

Novo CD de Agnetha nas lojas do Brasil


Contrariando meu próprio texto de 17/04/2013 aqui no blog, A de Agnetha, o CD solo da cantora foi lançado no Brasil sim, para nossa alegria. E a edição é fiel à original: traz encarte com fotos e letras das canções. Milagres acontecem. O último álbum de Agnetha lançado no Brasil havia sido Wrap Your Arms Around Me, em 1983, ou seja, exatos 30 anos atrás.



Confesso que não esperava essa campanha tão forte da Universal Music (e de Agnetha também, claro). A viagem promocional a Londres, depois de décadas, surtiu efeitos mais do que positivos na divulgação de A. Agnetha estampou a capa de dezenas de revistas e jornais Europa afora e o novo CD sobe cada vez mais nas paradas de lá, sem falar na Austrália.




A tabela a seguir, compilada pelo meu amigo (e pai) deste blog, Adauto Lacerda, mostra as recentes e animadoras posições do CD A:

#2 Suécia
#2 Suíça
#2 Dinamarca
#3 Austrália
#3 Noruega
#3 Alemanha
#6 Inglaterra
#8 Áustria
#14 Holanda
#15 Finlândia
#18 Irlanda
#24 República Tcheca
#30 Bélgica
#72 França
#186 Estados Unidos

Nada mal para quem não lança um álbum com material original (I Stand Alone) desde 1987! (My Colouring Book, de 2004, era um CD com versões de canções antigas). O fato é que, a julgar pelas inúmeras entrevistas que podem ser lidas em sites de revistas e jornais europeus – sem falar nas aparições em programas de TV – Agnetha parece estar muito satisfeita com o CD e também em paz com o passado. Hoje ela se sente capaz de apreciar sua própria música e de falar do ABBA sem o peso de antes.




Em seus dois primeiros discos solo depois do ABBA, Wrap Your Arms Around Me (1983) e Eyes of a Woman (1985), Agnetha ainda estava estigmatizada pelo enorme sucesso do grupo e pelas pressões sobre uma possível volta do quarteto. Havia um cansaço em relação aos anos com o grupo e uma necessidade de se afirmar como cantora fora do ABBA. Tarefa difícil, mesmo para uma artista talentosa como ela. Difícil se desvencilhar da marca 'ABBA' naqueles anos 80. Com I Stand Alone (1987) ela já estava definitvamente farta das viagens promocionais e da imprensa, que sempre a retratava como uma espécie de 'Greta Garbo': reclusa, solitária e misteriosa. A tentativa de emplacar no mercado americano não saiu como esperado. Ela decidiu se afastar do mundo da música e se dedicar à vida doméstica, bem longe dos holofotes.



Quando lançou My Colouring Book há nove anos, Agnetha surpreendeu a todos, mas não quis promover o CD. Problemas na gravação, que se arrastaram por três anos, além de problemas na vida pessoal, podem ter tirado sua tranqüilidade na época. Seus sentimentos em relação à mídia permaneciam embotados e ela não se sentia segura o suficiente para divulgar o álbum como tem feito atualmente.

Este ano, pela primeira vez ela parece ter relaxado. Deixou os fantasmas do passado para trás e topou o convite do produtor Jörgen Elofsson. Para euforia dos milhões de fãs ao redor do mundo, Agnetha mostrou que sua voz continua tão jovial quanto nos velhos tempos e que ela ainda é uma grande intérprete. O novo CD soa atual e tem ao mesmo tempo a cara de Agnetha: romântico, leve e com o inconfundível toque melancólico da cantora, que imprime sua marca em cada uma das 10 faixas. 



segunda-feira, 6 de maio de 2013

ABBA ontem, hoje e sempre: museu do grupo é inaugurado


Um templo grandioso com cores, brilhos e músicas inteiramente dedicado ao ABBA. Sim, a partir de amanhã, 7 de maio de 2013, o sonho de milhões de fãs ao redor do mundo se torna realidade. O museu do ABBA, na Suécia, abre suas portas após anos de expectativa, especulações, planos e trabalho árduo. Um local único, onde será possível passar pelos estúdios da Polar Music, os camarins dos shows, os parques suecos, os cenários das fotos e muito mais. O museu vai exibir reproduções fiéis desses lugares todos, além de peças 100% originais, da época do ABBA (roupas, acessórios, objetos etc.).

Ilustração de como será o museu

Personal stylist do ABBA enquanto o grupo esteve ativo, Ingmarie Halling é a curadora do museu
Além disso, apresentações interativas completam a euforia: você pode se “mesclar” ao ABBA, sentir-se um dos membros do grupo e cantar junto com eles no palco, em pleno show. Vamos entrar em um lugar onde cada um dos visitantes poderá, por alguns instantes, se tornar o quinto integrante do ABBA, explica Mattias Hansson, diretor executivo do museu, para a BBCUm verdadeiro túnel do tempo que recria toda a magia de um tempo em que o quarteto sueco reinava nas paradas de sucesso mundo afora e vendia discos feito água.

Ingmarie Halling e Mattias Hansson, diretor executivo do museu
ABBA The Museum fica na ilha de Djurgården, situada ao leste de Estocolmo, capital sueca. Björn, juntamente com Benny e Frida, estarão lá amanhã para cortar a fita inaugural. Agnetha não vai estar presente, pois se encontra em Londres divulgando seu novo CD, A. Novamente a loura do ABBA é motivo de controvérsia. Teria sido essa ‘ausência’ uma estratégia para não aparecer junto aos outros ex-membros do grupo? Ou apenas mera coincidência? As opiniões entre os fãs ficam divididas.

Agnetha posa para foto de divulgação de seu novo CD solo (maio de 2013)
Apesar de se mostrar cada vez mais à vontade com a mídia, concordando em ser entrevistada por jornais, revistas, aparecer em programas de TV e até mesmo em sair da Suécia só para promover seu novo álbum, Agnetha ainda parece relutante quando se trata de juntar-se aos antigos colegas do grupo. Mas nem isso é capaz de arranhar o brilho dessa inauguração. Fãs de várias partes do mundo são esperados no evento, que vai recontar com detahes toda a trajetória do ABBA, desde a vitória no Eurovision Song Contest em 1974 até o fim da banda, nove anos depois.

ABBA após a vitória no Eurovision (1974)
O museu conta com o apoio total dos ex-membros do ABBA. Björn gerencia diariamente as dezenas de funcionários envolvidos nos últimos preparativos para a grande inauguração.  Nada ficou de fora do acervo, nem mesmo as famosas botas-plataforma, tantas vezes usadas pelo ABBA. Um detalhe interessante: como Björn era o mais baixo dos quatro, suas botas eram sempre as de salto mais alto. E assim como a sensacional guitarra em forma de estrela, usada na noite do Eurovision, suas roupas eram sempre as mais extravagantes.

ABBA em 1975

“Sim, eu usava as roupas mais engraçadas, mas a culpa era minha mesmo. Acho que todos queriam um look bem radical, chamativo. No meu caso, creio que eu queria mais do que os outros”, conta ele ao jornal inglês Daily Mail do último dia 3 de maio, em entrevista concedida à jornalista Jan Moir. “Talvez eu tivesse menos autoconfiança que os outros e tentasse balancear isso com aquelas roupas engraçadas”.

Aos 68 de idade, Björn conserva-se tão em forma quanto antigamente. “Experimentei um dos meus macacões antigos do ABBA há uns dois anos. Serviu direitinho, sem problema. E eu fiquei ridículo, claro”, diverte-se ele. Björn me disse que, com o passar do tempo, tem sido mais fácil olhar para o passado. Tanto para as lembranças boas quanto para os momentos difíceis, revela Mattias Hansson. 

Sobre a recorrente pergunta a respeito de uma possível volta do ABBA, mais uma vez ele é categórico: “Juro pra você que o ABBA nunca vai se juntar novamente – eu não suportaria o estresse de desapontar a todos”, revela. “E quando você escuta nossas músicas, não acha gostoso ter na mente a imagem de quatro jovens cheios de energia? Muito melhor do que quatro velhotes, sem dúvida”.

Björn posa para as câmeras do Daily Mail, sentado no banco de praça montado em um dos cenários do museu. O mesmo banco que aparece na foto da capa do LP Greatest Hits (1976), bem atrás dele – uma das primeiras fotos publicitárias do ABBA. Hoje ele se parece exatamente com o que de fato ele é: um abastado empresário e investidor sueco, alguém com “vários interesses comerciais”. Tanto que ele é o maior investidor do museu, que conta ainda com um hotel de 50 dormitórios.


Sob circunstâncias normais, Björn Ulvaeus nunca se envolveria no projeto de um museu dedicado ao ABBA. Não é do seu feitio (ou de qualquer outro ex-membro do ABBA) ficar alardeando sobre o incrível sucesso do grupo. A natureza dos suecos não deixa espaço para estrelismos nem deslumbramentos. “É meio estranho”, ele conta. “Mas o museu vai estar aqui na minha cidade, bem na minha porta. Vou ser constantemente lembrado de que ele existe. Eu não conseguiria conviver com as pessoas passando por ele e dizendo ‘bem, humm, é mais ou menos, Björn, podia ser melhorzinho’, sabendo que eu poderia ter ajudado a fazer algo bacana e melhor”.

E é exatamente o que ele está fazendo com o novo empreendimento em sua cidade – que por sinal já tem 70 museus (provavelmente mais museus por quilômetro quadrado do que qualquer outro lugar do mundo). Em se tratando de Estocolmo, o passado nunca está muito distante.

Apesar das perguntas dos jornalistas serem sempre semelhantes, assim como muitas das respostas, nem tudo já foi dito e feito. “Será que a esta altura já revelei tudo?”, questiona-se Björn. “Creio ter sido muito aberto sobre mim mesmo em entrevistas e programas, mas ainda há muito lá no fundo. Existem segredos. As pessoas se surpreenderiam comigo, mas nunca contarei por quê”, diz ele, mantendo a privacidade.

Björn ainda lida com o desafio emocional de caminhar em um museu dedicado ao trabalho de toda a sua vida – o tipo de homenagem que geralmente é prestada às pessoas depois de mortas. “Eu sei”, concorda ele, “mas a sensação é mais ou menos essa mesmo. Estamos contando a história de quatro outras pessoas. Não sou quem eu era. Olho pra mim naquela época e mal reconheço quem é aquele rapaz. Mas não cheguei a esquecer completamente”.

Que conselho ele daria para aquele Björn da juventude? “Eu diria e ele, olhe para o que é importante de verdade e descarte o resto. Essa é a dificuldade, uma vez que você se encontra no meio de algo tão grande. Muita gente quer um pedaço de você. E você acaba querendo agradar a todos, o que é impossível”.

No auge da fama, por vezes hordas de fãs forçavam o grupo a se trancar em quartos de hotel durante as turnês. Ainda bem que a Suécia estava sempre ali para quando eles voltassem para casa. “Podíamos andar por Estocolmo e as pessoas sabiam que ali estavam Björn e Agnetha, mas ninguém nos incomodava. Algumas pessoas precisam de paredes em volta de si, segurança. Acreditam que têm que sobreviver a algum tipo de mito. Mas nós decidimos que não, que isso não era para nós”.

Benny e Frida: em 1976 e em 2010
O peso de fazer parte do ABBA foi demais para os dois casais. As mudanças ocorridas dentro do grupo após os divórcios se refletiram nas músicas. Um dos grandes paradoxos do ABBA era o fato de uma fina camada de melancolia se manter logo abaixo da superfície de canções alegres. “Muitas das canções são melancólicas, lentas, algumas até com letras mais profundas. Mas de alguma forma os arranjos e a voz das garotas iam contra isso totalmente, dando um ar radiante às músicas. Mesmo quando eram canções mais tristes”.

Lena e Björn
Casado com a jornalista sueca Lena Källersjö desde 1981, com quem permanece até hoje, Björn leva uma vida simples, à moda dos suecos. A riqueza nunca o distanciou de seus prazeres domésticos.  Ele passeia em seu barco, corre na esteira de sua academia e se diverte viajando com a família – seus quatro filhos e cinco netos, além da esposa. “Alugamos uma casa bem grande e o vovô aqui aproveita para brincar com os netos na piscina”, conta. Recentemente ele aceitou a velhice. “O que eu mais sinto falta é daquele futuro sem limites que eu vislumbrava. Quando o horizonte parecia tão distante. De repente você se dá conta de que esse não é mais o caso. A vida não continua para sempre e você vê que já realizou a maioria das coisas com as quais sonhou. É uma situação completamente diferente”.

O ABBA é, sem dúvida, merecedor de um museu. Durante os nove anos em que o grupo esteve ativo, vendeu mais de 400 milhões de álbuns e compactos. ABBA Gold é o terceiro álbum mais vendido de todos os tempos – e continua vendendo milhões de discos a cada ano. Nada mais justo do que um museu que terá a honra de ser visitado por seus próprios homenageados.



Fonte:

quarta-feira, 17 de abril de 2013

"A" de Agnetha


Nos últimos anos circularam na internet boatos acerca da "volta" de Agnetha, mas desta vez é pra valer: falta menos de um mês para o lançamento oficial do novo álbum de Agnetha, cujo título é simplesmente "A". A Universal Music anuncia o CD para o dia 13 de maio, mas é claro que o Brasil – como de costume – não entra nessa lista. 

O novo álbum traz 10 faixas inéditas, incluindo I Should Have Followed You Home, dueto com Gary Barlow (ex-integrante do Take That). “Não chegamos a nos encontrar”, revela Agnetha. “Falei com ele uma vez por telefone, mas eu estava viajando quando ele gravou a parte dele”. Ela espera encontrá-lo em uma possível viagem promocional à Inglaterra, mas afirma que não há planos de apresentações ao vivo.

Gary Barlow
O último trabalho de Agnetha havia sido o CD My Colouring Book, de 2004. Ou seja: praticamente uma década atrás. Ela não fazia planos e nem imaginava que voltaria a gravar ou tampouco compor. Mas as coisas começaram a mudar em 2011, quando o compositor e produtor musical sueco Jörgen Elofsson (responsável por hits de Britney Spears, Kelly Clarkson, Westlife, Leona Lewis e Celine Dion, entre outros) procurou Agnetha. Na manga, trazia três canções compostas especialmente para ela, na esperança de que Agnetha aceitasse o projeto. E deu certo.


“Fiquei muito lisonjeada”, disse Agnetha. “Muito mesmo. Não tinha como dizer ‘não’. Realmente adorei as músicas desde o começo”. Mas não foi tão simples assim quanto parece. Antes de darem início ao trabalho, ela impôs algumas condições. “Disse a ele que precisávamos conversar sobre uma série de coisas primeiro. Fiquei quase 10 anos sem cantar, então não tinha certeza se minha voz ainda funcionaria”, conta ela. “Desde o começo eu havia dito que se o novo trabalho soasse velho, eu não ia querer fazer... Por que deveria?”

Além de Elofsson, Peter Nordahl também assina a produção do novo CD. O primeiro single, When You Really Loved Someone, foi lançado mês passado e logo de início causou furor entre os fãs do ABBA e de Agnetha na internet. “Jörgen ficava m falando que eu tinha que escrever uma canção para esse disco”, conta Agnetha.

Peter Nordahl, Agnetha e Jörgen Elofsson 
“Estava sem compor há muito tempo. Mas quando me sentei ao piano, de repente a música tomou forma”, lembra a cantora. Assim nasceu I Keep Them On the Floor Beside My Bed, a primeira composição de Agnetha desde I Won't Let You Go, do álbum Eyes of a Woman (1985). Os fãs se perguntam por que ela não escreveu outras.

À sua moda sempre modesta, Agnetha explica que perdeu o hábito, ficou ‘enferrujada’. “Durante os anos com o ABBA, os rapazes escreviam todo o material. Além disso, eu também não tinha tempo para me dedicar às minhas próprias composições. Eles viviam me pedindo, mas quando eu chegava em casa, tudo que queria era estar com meus filhos.”

“Para este álbum”, ela explica, “concordamos que eu pudesse talvez compor uma faixa. Eu não queria fazer mais do que isso. Não sou aquele tipo de compositora que compõe todo dia. Mas foi muito prazeroso ver se ainda funcionava – e funcionou!”


Hoje Agnetha já aprecia as lembranças dos tempos do ABBA sem o peso de antes. E para o museu em homenagem ao grupo, que será inaugurado em maio deste ano em Estocolmo, ela doou roupas antigas de shows e objetos da época do ABBA. “Acho tão estranho ter um museu em nossa homenagem!”, observa ela. “O ABBA aconteceu há tanto tempo... Estamos envelhecendo, nossas vidas mudaram muito”, reflete.

Agora ela está concentrada no novo CD, que segundo ela, pode ser seu último. “Não acho realista da minha parte pensar no futuro agora ou planejar um outro álbum. Mas também não fecho as portas. Estou muito aberta ao que possa surgir, mas por enquanto, estou bem satisfeita com este que estamos lançando. Espero, de coração, que as pessoas gostem tanto quanto nós gostamos”.


  
Fonte:

http://www.agnetha.com/

http://www.bbc.co.uk/news/entertainment-arts-21687897

http://www.jorgenelofsson.com/news/official-agnetha-faltskog-press-release/

http://www.peternordahl.com/

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

ABBA The Museum


ABBAWORLD, a exposição itinerante sobre o ABBA, ganhará um lar permanente a partir do próximo ano. O novo museu dedicado ao quarteto sueco terá sede fixa em Estocolmo, onde Björn Ulvaeus participou de uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 03/10.


Björn na coletiva de imprensa hoje (Crédito da foto: Kris Boswell/Sveriges Radio)

(Crédito da foto: Kris Boswell/Sveriges Radio)

Durante a entrevista, ele disse que “ABBA The Museum” será parte do Hall da Fama dedicado à música sueca, a ser inaugurado em Estocolmo no primeiro semestre do ano que vem. Há muito tempo a capital da Suécia era considerada para a construção de uma área dedicada ao ABBA, mas os planos haviam esbarrado em burocracia e outros problemas. 

Após alguns anos de espera, o Hall da Fama está finalmente em construção na ilha de Djugården, onde ficam vários outros museus. ABBA The Museum terá peças do figurino do ABBA, instrumentos e muitos outros acessórios em exibição no ABBAWORLD, que já passou por vários países europeus e pela Austrália entre 2009 e 2011.


Nos bastidores, Mattias Hansson – diretor administrativo do ABBA The Museum – é o encarregado de garantir a instalação e funcionamento do museu. "A música pop sueca é parte importante da nossa herança cultural. E o ABBA é um dos maiores nomes do nosso país, conhecido internacionalmente. É nosso dever dedicar um espaço permanente ao trabalho deles aqui."

(Crédito da foto: HENRIK MONTGOMERY/ SCANPIX / REUTERS)
Para incrementar a mostra, Björn disse que os membros do ABBA limparam os armários, tirando figurinos que estavam há décadas no fundo dos baús, como botas de salto plataforma e outras roupas muito brilhantes. "Uma das peças que lembro muito claramente era uma espécie de collant do Super-Homem com uma capa", disse ele. "Me deixa até enjoado quando vejo".

Ele afirmou que espera reunir os quatro membros da banda no lançamento da atração, prevista para abril ou maio do ano que vem. Mas negou, pela milésima vez, qualquer chance de voltar aos palcos com os colegas. "Somos o único grupo desta magnitude que nunca se reuniu. Achamos isso bacana. É uma das forças do ABBA: você lembra daqueles jovens enérgicos e ambiciosos nos anos 1970 em vez de velhinhos que se sentem compelidos a levantar da cadeira e tocar o tempo todo."

Sempre elegante, mas sem perder a firmeza, Björn reiterou: "Desfizemos a banda enquanto estávamos no topo. E quando paramos, foi para dar um tempo e fazer outras coisas. A ideia era nos reunirmos novamente após um ou dois anos. Mas isso acabou nunca acontecendo."


No entanto, a música do ABBA continua vivíssima, com milhões de álbuns vendidos a cada ano e, é claro, o permanente sucesso do musical Mamma Mia! mundo afora. "Hesitei em virar peça de museu antes de minha morte, mas agora entendo que criamos muita coisa e que é uma história como a da Cinderela, que vale a pena contar", comentou ele. "E tudo foi aprovado pelos quatro integrantes do grupo."

Algumas das empresas mais proeminentes do mercado estão por trás do projeto, como Parks and Resorts (Gröna Lund), Universal Music, Polar Music, MasterCard, Stockholm Arlanda Airport, Viking Line etc. Outras parcerias também estão por vir.
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