terça-feira, 24 de janeiro de 2012

The Visitors Deluxe em abril

A próxima edição Deluxe de um álbum original do ABBA já tem data marcada para lançamento: 23 de abril de 2012. O astro da vez é The Visitors Deluxe. Como os CDs anteriores da série Deluxe, esta versão traz um DVD com material raro de arquivo e faixas-bônus, incluindo o demo inédito From A Twinkling Star To A Passing Angel. Esta é a primeira gravação inédita do ABBA a ser lançada desde 1994, quando a caixa Thank You For The Music trouxe algumas faixas nunca antes oficialmente lançadas até aquele momento.


A edição Deluxe  de The Visitors  (1981), o oitavo e último álbum de estúdio do ABBA inclui, além da listagem original das canções e bônus, o item mais aguardado dos fãs do ABBA: a faixa From a Twinkling Star to a Passing Angel (demos) . Confira a listagem abaixo:

THE VISITORS – DELUXE EDITION


DISC 01: CD
1.  The Visitors
2.  Head Over Heels
3.  When All Is Said And Done
4.  Soldiers
5.  I Let The Music Speak
6.  One Of Us
7.  Two For The Price Of One
8.  Slipping Through My Fingers
9.  Like An Angel Passing Through My Room


Bonus Tracks:
10. Should I Laugh Or Cry
11. I Am The City 
12. You Owe Me One
13. Cassandra
14. Under Attack
15. The Day Before You Came


Extra Bonus Track:
16. From A Twinkling Star To A Passing Angel (demos)

DISC 02: DVD:


1. Two For The Price Of One (Dick Cavett Meets ABBA) 
2. Slipping Through My Fingers (Dick Cavett Meets ABBA)
3. When All Is Said And Done (Original Promo Clip)
4. ABBA In London, November 1982 (The Late Late Breakfast Show, BBC)
5. ABBA In Stockholm, November 1982 (Nöjesmaskinen, SVT)
6. The Visitors TV commercial I (UK)
7. The Visitors TV commercial II (Australia)
8. The Singles – The First Ten Years TV commercial I (UK)
9. The Singles – The First Ten Years TV commercial II (Australia)
10. International Sleeve Gallery



domingo, 22 de janeiro de 2012

Há 30 anos Frida se aventurava fora do ABBA

Em um período, digamos, turbulento e incerto para o ABBA, Frida não se fez de rogada: tratou de alçar vôos fora dos domínios do grupo. Não que eles soubessem do fim do quarteto, afinal todos os fãs do ABBA sabem que o término do grupo nunca foi planejado e nem formalmente anunciado. Mas o desgaste já podia ser notado. E todos tinham um desejo em comum: mudar o foco de seus trabalhos.


Em fevereiro de 1982, exatamente três décadas atrás, Frida se aventurou em busca de novas experiências musicais. E elegeu Phil Collins como seu mentor nessa empreitada. Começava a nascer o primeiro disco solo em inglês de Frida, Something’s Going On, e também o primeiro projeto solo de um membro do ABBA lançado mundialmente.

No livro The Phil Collins Story, de Johnny Waller, o próprio Phil relata com detalhes como foi a colaboração com Frida. “Quando trabalho com alguém, gosto de me envolver totalmente no projeto. Acho que o que muita gente quer é o som peculiar da minha bateria. Elas acreditam que, se trabalharem comigo, conseguirão imprimir minha bateria característica em sua música. Mas quero que seja uma coisa tão minha quanto da pessoa também”.

Esse foi certamente o caso com Frida. Ela e Phil pareciam predestinados a se unirem em sua dor mútua após os respectivos divórcios. “Ambos passamos por relacionamentos desfeitos”, explicou ela naquela época. “Acho que por isso eu sabia que trabalharíamos juntos tão bem. Eu estava familiarizada com o trabalho de Phil porque minha filha gosta dos discos dele e os ouve bastante. Percebi que estávamos em sintonia total um com o outro”.

Mas o que motivou Phil a trabalhar com Frida? “O que ouvi foi que havia algumas pessoas interessadas em mim para produzir seus discos, mas Frida  por alguma razão  se tornou a mais importante”, explica Phil no livro. “Digo importante porque pensei ‘o ABBA, sabe como é, um grupo muito famoso e conhecido por seus discos pop e todos dizem que eles são produtores de clássicos  e aqui está um deles que me quer como produtor de seu álbum solo. Isso só pode valer a pena’.”


Devido à reputação do ABBA  sem falar na voz brilhante de Frida  este foi um desafio que Phil não poderia recusar e então viajou para o Polar Music Studios em Estocolmo, onde se envolveu totalmente no projeto do início ao fim: selecionando material, tocando bateria na pré-gravação das faixas, criando o som geral com o engenheiro de som Hugh Padgham e mixando as versões finais  sete semanas no total.

Esse álbum foi sua primeira marca registrada em termos de produção mesmo, segundo ele próprio – “pela primeira vez eu tinha um grupo de pessoas cuidando das finanças, tive que contratar os músicos  era um projeto bem mais sério. Embora haja muito dinheiro naquela organização, ainda assim foi um álbum com limites de orçamento bem definidos. Quer dizer, o ABBA... eles valem uma fortuna. Falar apenas que eles são tão grandes quanto a Volvo é simplificar demais  o lucro dos investimentos deles é de 200 milhões de coroas suecas por ano, isso sem contar com a música!”

O fato pode ser ilustrado por um episódio clássico ocorrido quando Phil e Hugh tiraram um dia de folga e aproveitaram para pegar uma sauna. “Então perguntamos à Frida onde poderíamos ir e ela disse que havia um prédio antigo realmente bacana no centro de Estocolmo, com casas de banho a vapor. Dissemos: ‘Mas a gente não é sócio’ e ela respondeu ‘Tudo bem, o prédio é meu!’.”

A tarefa inicial de Phil era sentar com Frida para escolher o material a ser usado no álbum. Foi uma parceria inusitada para ambos. Para Frida, foi uma mudança alucinante ficar com uma responsabilidade daquele tamanho após tantos anos de sucesso com o ABBA, construídos com disciplina rígida e fechada.

“No esquema de trabalho do ABBA”, explicou Phil Collins, “nunca perguntavam nada a Agnetha ou à Frida, elas apenas recebiam os comandos de ‘Cante assim! Isso, está ótimo! Obrigado!’. Então para alguém como eu chegar e dizer para Frida ‘Em qual tom você quer cantar esta nota? Quer algo mais rock ou está achando acelerado demais?’  na primeira semana ela respondia ‘Não sei, o que você  acha?’, mas eu dizia ‘Escute, este é o seu álbum, baby, não o meu’. E após duas ou três semanas ela começou a pegar o espírito da coisa”.

Auxiliado pelo engenheiro Hugh Padgham, Phil trabalhou para representar a voz clássica de Frida em um contexto de rock moderno: “Minha tendência foi optar pelo som que eu achava que cada canção deveria ter em particular. Há muitas faixas no álbum de Frida que soam bem diferentes umas das outras”.

Parecia que Frida procurava se estabelecer mais como uma cantora contemporânea de rock do que como uma vocalista feminina no estilo de Barbra Streisand ou Diana Ross, por exemplo. Como Phil explica, “Ela estava se espelhando em Pat Benatar, Kim Wilde, que não tinham uma voz tão boa quanto a dela  Frida tem uma voz fantástica, ela abre a boca e canta com perfeição  e via tudo isso acontecendo ao redor dela, queria fazer parte”.


O álbum foi gravado durante fevereiro e março de 1982 e lançado em setembro daquele ano. Embora a parceria de Phil e Frida tenha obtido um sucesso parcial, algumas faixas mostraram do que ela era capaz como cantora, principalmente no pop clássico de I Know There's Something Going On  com o estilo de bateria típico de Phil Collins  que se tornou hit em diversos países e deu ao álbum o nome de Something's Going On.


O clipe de I Know There's Something Going On  foi filmado em Londres, em meados de 1982. Frida fez o papel de uma mulher que descobre ter sido traída pelo marido/namorado. O vídeo foi filmado em várias locações diferentes: Primrose Hill Photographic Studios, Stringfellows Discotheque, Fulham Film Studios (cenário do quarto), Little Venice e Covent Garden. O diretor foi o ingles Stuart Orme, responsável por videoclipes de diversos outros artistas como In The Air Tonight (1981), You Can't Hurry Love (1982) e I Don't Care Anymore (1983) de Phil Collins, Saving All My Love For You  (1985) de Whitney Houston e muitos outros.

A revista revista alemã Bravo, daquele mesmo mês, trouxe uma extensa matéria sobre o disco solo de Frida, onde ela explicou: “Após o lançamento do último álbum do ABBA, The Visitors, eu tive um tempo livre e resolvi aproveitá-lo para gravar um disco solo”. De fato ela convidou Phil Collins, baterista e vocalista do grupo Genesis, no começo deste ano para ajudá-la no projeto solo. Ela decidiu após ouvir incessantemente o álbum solo de Phil, Face Value: “Este é o cara que estou procurando”. Mas produzir o álbum de Frida não foi o bastante para o mago do Genesis. Ele ainda atuou como baterista, compositor e cantor na faixa Here We'll Stay, dueto com Frida. Além disso, ele ainda arrebanhou compositores renomados como Russ Ballard e Bryan Ferry.


O livro The Phil Collins Story esmiúça ainda mais o resultado daquele trabalho:

Apesar do indiscutível destaque, o álbum de Frida é irregular no que diz respeito às suas canções. Segundo o próprio Phil, algumas faixas - especialmente Here We'll Stay, foi um dueto difícil dos dois. “Bem... foi um lapso total de gosto da minha parte! Acho que ficou terrível”, admite Phil humildemente. “O motivo de termos escolhido essa canção foi que ela era ótima para usarmos os clarins e ideal para destacarmos a banda toda. Frida disse ‘Talvez você possa cantar nela comigo também’ e na época eu não havia imaginado essa faixa como um dueto. Mas acabei concordando”.

Embora se arrependa dessa canção, Phil guarda o álbum como um todo na memória com carinho. “Gostei muito de fazê-lo porque para mim foi muito bom ter responsabilidade por toda a parte de produção - foi a primeira produção propriamente dita que fiz em termos de cuidar da parte burocrática e das canções. E agora eu sei que sou capaz de fazer isso, coordenar todas as fases da produção - lidar com as pessoas e com o dinheiro... Fiquei muito feliz com a forma como tudo saiu. Encarei como um grande desafio muito prazeroso”.

A matéria da Bravo deu mais detalhes:
“Meu álbum não é uma cópia do ABBA”, explicou Frida. Ela até gravou algumas partes dele no Air Studios em Londres, evitando qualquer tipo de envolvimento com o ABBA. Nesse ponto a dupla Frida e Phil conseguiu fazer um som completamente diferente do ABBA. Ouvindo o compacto I Know There's Something Going On, percebe-se que a voz de Frida lembra apenas vagamente a Frida do ABBA.

De sua parte, Frida não tem dúvidas sobre os méritos do álbum. “Phil é um produtor tão bom e um cara muito legal. Eu jamais poderia ter feito esse álbum sem ele. Nós fizemos planos para trabalharmos juntos novamente em breve”. Infelizmente Phil já estava comprometido com outros projetos, incluindo sua carreira solo, embora tivesse dito que ficaria mais do que contente em trabalhar de novo com Frida.



Principais fontes de pesquisa:

The Phil Collins Story
Johnny Waller
Londres: Zomba Books, 1985

ABBA The Articles 
Bravo, September 1982: Frida is having a bit on the side!
http://www.abbaarticles.blogspot.com/2011/12/bravo-september-1982-frida-is-having.html

Site www.raffem.com
Frida 1982-1983
http://www.raffem.com

sábado, 14 de janeiro de 2012

Agnetha no ELLE GALAN 2012

Para grande surpresa não apenas dos fãs do ABBA mas de todos, Agnetha fez uma de suas raras aparições públicas na festa de gala da revista ELLE ontem à noite. Superstições à parte, apesar de ter sido sexta-feira 13, a data não comrpometeu em nada o brilho de Agnetha no Grand Hotel em Estocolmo, onde aconteceu o evento.

Agnetha foi aplaudida de pé ao receber o troféu Fashion Legend (Lenda da Moda) de ELLE, que a descreveu como “Uma superstar de brilho eterno – uma voz única. Uma lenda fashion, tão estilosa hoje como era no passado. Obrigado por todas as roupas brilhantes. Obrigado pela música. Você é nossa eterna dancing queen”.


Agnetha retribuiu os elogios com um breve discurso, agradeceu ao júri, aos outros ganhadores e a todos presentes na premiação. Disse ainda estar achando a noite ótima e, contrariando sua fama de reclusa e arredia, esbanjou simpatia, com sua habitual simplicidade.

Confira as fotos abaixo, retiradas do site sueco da ELLE: 










sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Uma noite para ser lembrada

Há 33 anos, na noite de 9 de janeiro de 1979, o ABBA participou de um dos maiores eventos de sua carreira: A Gift of Song - The Music For UNICEF Concert. A glamurosa festa beneficente, apresentada pelos Bee Gees na Assembléia Geral das Nações Unidas, em Nova York, abria as comemorações que declarava 1979 como o Ano Internacional da Criança. Além disso, o objetivo era arrecadar fundos para programas de combate à fome do UNICEF - órgão da ONU (Organização das Nações Unidas) responsável pelo amparo e bem-estar da criança no mundo.

ABBA nos ensaios
O grande show, gravado e transmitido pela rede de TV americana NBC para 70 países ao redor do mundo, foi visto por mais de 300 milhões de espectadores e contou com a participação dos grandes nomes da música da época. E o ABBA, como um dos maiores vendedores de discos daquela década, não podia ficar de fora. Os outros artistas eram Olivia Newton-John, Donna Summer, Rod Stewart, John Denver, Andy Gibb, Earth, Wind & Fire, Rita Coolidge e Kris Kristofferson. (Elton John também estava confirmado mas não compareceu).

ABBA nos ensaios
Cada um dos participantes doou os direitos autorais de uma canção para o UNICEF. Durante o evento, os direitos de canções muito famosas na época foram também doados, como Too Much Heaven, dos Bee Gees; Da Ya Think I’m Sexy?, de Rod Stewart e September, do Earth, Wind & Fire, entre outras. Com Chiquitita, o ABBA apresentava uma canção totalmente inédita, especialmente escolhida para o evento e consolidava mais uma vez seu prestígio internacional.



No livro Mamma Mia! eu explico como foi a participação do ABBA esse show:

Tanto Björn quanto Benny recordam que se sentiram meio esquisitos indo para Nova York para apresentar uma canção como Chiquitita – um tanto quanto antiquada em se tratando de pop europeu e latino americano – em meio a canções modernas como o disco rock de Rod Stewart em Da Ya Think I’m Sexy? “Eu teria preferido algo mais contemporâneo para apresentarmos”, admite Björn. Benny concorda: “Foi bem estranho, mas sentimos que aquela era a melhor música inédita que tínhamos para apresentar até então e por isso a escolhemos, mesmo que possivelmente não tenha sido a melhor escolha”.
Embora If It Wasn’t For The Nights tivesse sido uma opção mais adequada àquela noite em Nova York (e de fato foi a primeira escolha do grupo), do ponto de vista popular e comercial o ABBA certamente fez a escolha certa ao eleger Chiquitita como o primeiro compacto de seu próximo álbum, Voulez-Vous (...). Acredita-se que a maior parte da renda retirada pelo UNICEF provenha de Chiquitita, que sozinha conseguiu arrecadar mais de um milhão de libras (quase 2 milhões de dólares).
Um LP contendo 10 canções do show (inclusive Chiquitita) foi lançado algumas semanas após a apresentação.



quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Adeus ano velho... Happy new year!

Com o final do ano se aproximando e a volta dos discos de vinil cada vez mais em alta, foram lançadas 500 cópias do compacto Happy New Year em vinil, como não podia deixar de ser. A edição especial e limitada foi anunciada pelo site oficial do ABBA no final de novembro e rapidinho esgotou.


Os fãs do quarteto, sempre ávidos por novidades, não perderam tempo. Apesar de não ser uma 'novidade' propriamente dita, o fato de ser uma edição limitada em vinil fez desse compacto um disputado item de colecionador. Infelizmente, um privilégio exclusivo dos Europeus, já que esse tipo de material passa longe do Brasil. No lado B foi incluída The Way Old Friends Do. As duas faixas, lançadas pela primeira vez no álbum Super Trouper, de 1980, permanecem como duas das favoritas dos fãs, entre as canções do ABBA menos conhecidas do grande público.

Poucos sabem, mas Happy New Year foi originalmente pensada como parte de um musical. Durante vários anos Benny e Björn nutriram o sonho de expandirem seus talentos para o mundo dos musicais. Queriam ultrapassar o limite do album pop convencional - contendo normalmente 10 canções - para criar uma peça musical com uma boa trama, onde pudessem exercitar mais a criatividade.

Em 1980 os dois compositores do ABBA viajarm para Barbados, em busca de inspiração para comporem faixas para o álbum Super Trouper, ainda sem nome e que seria lançado naquele mesmo ano. No avião, tiveram a idéia de escrever um musical que se passaria na véspera do Ano Novo. “Achamos que seria uma boa estrutura: algumas pessoas em uma sala, relembrando o que havia passado, pensando no futuro, esse tipo de coisa”, recorda Benny.

O ator inglês John Cleese
Em Barbados, encontraram por acaso o ator inglês John Cleese (famoso pela série de comédia britânica Monty Python’s Flying Circus) e sugeriram a ele que escrevesse a história para o musical. Infelizmente, Cleese não se mostrou muito interessado e o que permaneceu da idéia original foi a inspiração para uma canção cujo tema era o Ano Novo: Happy New Year. Por muitos anos, uma performance do ABBA feita especialmente para a televisão sueca foi exibida na noite de réveillon, na Suécia. 

Lasse Hallström, que dirigiu praticamente todos os clipes do ABBA, tinha o dom da improvisação e da inovação. Sua criatividade produzia resultados muito interessantes. Para o vídeo de Happy New Year, por exemplo, ele utilizou seu próprio apartamento como cenário, intercalado com imagens feitas na mesma ocasião em que outro clipe (Super Trouper) foi filmado.

Apesar de não ter sido lançada em compacto naquela época, aqui no Brasil a música foi lançada em um compacto duplo pela RCA, contendo também The Winner Takes It All, Super Trouper e Andante, Andante. Ou seja, nós também tivemos nossa "edição especial", só que em 1981...


A verdade é que com ou sem edição especial, o que fica de Happy New Year para os fãs do ABBA do mundo todo é a bela mensagem da canção, composta há mais de 30 anos e até hoje lembrada como um hino à esperança de um mundo melhor.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O "mais mais" dos musicais

Depois de mais de um ano em cartaz e após 355 apresentações no Teatro Abril, em São Paulo, o musical Mamma Mia! se despediu ontem dos palcos brasileiros com uma performance emocionante e casa cheia. Saulo Vasconcelos, um dos protagonistas, escreveu hoje em seu Facebook: "O que foi o público de ontem? Acho que nunca vi nada igual na minha vida!". Kiara Sasso, com quem Saulo dividiu os palcos, também comemorou: "Nunca passei por um último dia de espetáculo tão incrível como foi o de Mamma Mia! Uma história de amor tão linda de uma filha e uma mãe, as descobertas das duas com os possíveis pais... Foi um prazer dar vida à Donna e poder contar essa história por mais de um ano! A memória de ontem está cravada no meu coração pra sempre".


O mesmo sentimento foi compartilhado pelo resto do elenco e pelo público que assistiu à última apresentação de Mamma Mia! no Brasil. O musical, diga-se de passagem, é um verdadeiro fenômeno mundial. Visto por mais de 42 milhões de pessoas de mais de 30 países, já arrecadou mais de 2 bilhões de dólares de bilheteria. Estreou em mais cidades em todo o mundo com mais rapidez que qualquer outro musical na história. Já deu para perceber que, no caso de Mamma Mia!, "mais" é a palavra da vez.

Kiara Sasso ("Donna")
Desde 1999 o musical está em cartaz em Londres, ininterruptamente. Na Broadway completou 10 anos dois meses atrás, em outubro. A razão de tanto sucesso? As canções do ABBA, claro. Ninguém  imaginava que, mais de três décadas depois do fim do grupo, suas músicas fossem estar tão vivas quanto eram nos anos 70, ou até mais do que naquela década. Mamma Mia! continua perpetuando o sucesso contagiante dos hits do ABBA para uma nova geração de fãs que cresce a cada dia mundo afora.

Kiara Sasso, que viveu a Donna na versão brasileira do musical, conta que antes de viver a protagonista da peça só conhecia as músicas mais famosas do ABBA. "A primeira vez acho que foi quando eu era bem criança, na festa de 15 anos de uma prima. Dancing Queen". Até que muitos anos depois assistiu ao musical em Nova York. "Fui conhecer todas melhor ouvindo o CD do musical", falou ela ao blog. "As músicas têm letras e estórias lindas. As pessoas realmente prestam atenção quando essas músicas são inseridas numa estória".

Saulo Vasconcelos, que viveu Sam, um dos três namorados de Donna na peça, buscou longe na memória para se lembrar do primeiro contato com a música do ABBA: "Foi na casa da Maria, que trabalhou durante anos lá em casa, em Brasília. Lembro que era um LP, daqueles bolachões de colocar na vitrola. Comecei a ouvir The Winner Takes It All e me emocionei. Achei a voz da mulher muito bonita e a música tinha um quê de melancolia, mas também tinha uma levada super bacana".

Saulo Vasconcelos ("Sam")
Assim como a colega de palco Kiara, antes de Mamma Mia! Saulo tinha contato apenas com as canções mais famosas do ABBA: "Usava algumas delas para dar minhas aulas de canto pras minhas alunas. São músicas muito boas para se cantar porque têm uma linha de canto bacana para o gênero pop. Hoje em dia o pop tem muito mais atitude e muito menos estética, em termos de voz. Por isso ABBA é diferente e especial".

Sobre suas cenas favoritas, eles têm opiniões diferentes. Kiara adora cena do quarto com Rosie (Andrezza Massei) e Tanya (Rachel Ripani), em que as três cantam Dancing Queen. Já Saulo gosta da cena em que seu personagem discute com o de Kiara, cantando S.O.S., e os dois trazem à tona os bons tempos daquele amor intenso que viveram.

Em uma coisa todos concordam: a temporada brasileira de Mamma Mia! mal saiu de cartaz e já deixa saudades no país todo.

Agradecimentos: Kiara Sasso e Saulo Vasconcelos.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

19 anos de ABBA Gold

Dá para acreditar que quase duas décadas já se passaram desde o lançamento de ABBA Gold? Há exatos 19 anos, em 21 de setembro de 1992, a PolyGram deu início a um verdadeiro fenômeno que mudaria consideravelmente o mundo da música nos anos seguintes. O maior evento musical daquele ano foi o renascimento do ABBA, com o álbum duplo ABBA Gold – Greatest Hits. Foi a primeira coletânea lançada pela companhia após a aquisição dos direitos sobre o catálogo do ABBA, comprado da Polar Music dois anos antes.


Todas as coletâneas do ABBA haviam saído de circulação antes do lançamento de Gold. Somente os álbuns originais de estúdio (junto com a coletânea ao vivo de 1986) continuaram disponíveis no mercado. Justamente quando se pensava que o ABBA era nada mais que o eco de um distante passado, daquele tipo que é melhor deixar onde está, eis que um álbum com 19 canções impulsiona um revival.

Os fãs do ABBA não podem negar que, antes de ABBA Gold, estava cada vez mais difícil ouvir falar no grupo. Seus ex-membros levavam vidas completamente diferentes e distantes dos coloridos anos em que o grupo reinava na música pop. Apesar de Benny e Björn nunca terem parado de compor e produzir discos, o ABBA parecia uma referência longínqua naquele começo de década de 1990.

Com vendas que ultrapassam hoje os 28 milhões de cópias, é o álbum mais vendido do ABBA e um dos 40 discos mais vendidos de todos os tempos no mundo. Pode parecer estranho que o CD mais associado ao grupo tenha sido lançado 10 anos após a banda ter terminado. Mas o fato é que Gold fez mais para estabelecer a posição do ABBA como um dos grandes grupos pop mundiais do que qualquer outro álbum lançado durante a carreira do quarteto. Tanto que em 2008, pela segunda vez, Gold ficou em primeiro lugar nas paradas da Inglaterra, desta vez impulsionado pelo sucesso da versão cinematográfica de Mamma Mia! Proeza quase inimaginável para um grupo que nunca teve a menor pretensão de voltar...



O Gold lançado em 1992 incluía as versões editadas de Voulez-Vous e The Name of the Game, substituídas pelas versões originais a partir de 1999 e nos relançamentos subseqüentes. Essa primeira versão 1992 da coletânea ainda é a única disponível nos EUA. No entanto, a versão australiana trazia uma modificação na lista de canções, com três hits de muito sucesso por lá nos anos 70: Ring Ring, I Do, I Do, I Do, I Do, I Do e Rock Me, que substituíram Super Trouper, I Have a Dream e Thank You for the Music. Já na Espanha, essa primeira edição do Gold trazia as versões em espanhol de Chiquitita e Fernando no lugar das versões em inglês.

Em 1998 a Universal Music comprou a PolyGram. De lá para cá, várias edições comemorativas do álbum foram lançadas, em caixas especiais, com capas diferenciadas, detalhes e textos atualizados. Sempre com sucesso. É o segundo álbum a ficar mais tempo nas paradas de sucesso de todos os tempos (o primeiro é o Greatest Hits Vol.1 do Queen, com 490 semanas no Top 100; Gold totalizou 487 semanas na mesma lista). E ainda continua sendo, junto com o musical Mamma Mia!, a maior propaganda do quarteto. Gold também foi o CD do ABBA que mais vendeu no Brasil até hoje, com um milhão e oitocentas mil cópias, segundo estimativas de meados dos anos 2000.

Em dezembro de 2010, uma versão especial do Gold foi lançada, trazendo no mesmo pacote o CD com as canções e o DVD com os clipes. Os bônus do DVD incluem uma seleção de 5 clipes com imagem restaurada, mostrados com a tela dividida, para que o fã menos atento perceba com clareza as diferenças de qualidade entre o clipe original e o clipe remasterizado. O novo DVD Gold ainda apresenta uma raríssima versão de Money, Money, Money em desenho animado, feita por volta de 1977 pela produtora do empresário australiano Reg Grundy. A versão em cartoon foi vista por um breve período durante o apogeu do ABBA na Austrália, mas nunca havia sido divulgada e nem lançada no resto do mundo.

Com o sucesso contínuo do musical Mamma Mia!, em cartaz há mais de 10 anos no mundo todo (incluindo a Broadway) e a crescente geração de novos fãs do ABBA, pelo visto o álbum Gold ainda vai comemorar muitos outros aniversários.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O Casamento de Muriel

Setembro é um mês de várias comemorações no universo “abbístico”. Foi neste mês em 1994 que dois filmes australianos estrearam no cinema e tiveram papel importante no revival do ABBA: Priscilla, a Rainha do Deserto (The Adventures of Priscilla, Queen of The Desert) e O Casamento de Muriel (Muriel's Wedding). Ambos adquiriram status de cult movies não apenas entre fãs do grupo, mas em escala muito maior mundo afora. Vamos falar do segundo, obrigatório não apenas para quem gosta do ABBA como também para os apreciadores do cinema alternativo de primeira, feito fora do circuito hollywoodiano.

O Casamento de Muriel é um filme sobre juventude, sonhos e frustrações. Não necessariamente nessa ordem. A história é uma comédia com toques de drama, mas tudo dosado de maneira hábil, sem artificialismos e sem nunca cair no dramalhão previsível. Muriel (Toni Collette) é uma jovem gordinha eternamente em busca aceitação social, principalmente entre as amigas, patricinhas esnobes e fúteis. Produto de uma família disfuncional, ela mora com o pai rude e corrupto, a mãe submissa e subserviente e um bando de irmãos inúteis que passam os dias sem fazer nada.

Em seu quarto, Muriel se refugia nas canções do ABBA – ela tem verdadeira obsessão pelo grupo –  e no sonho de se casar com um príncipe encantado. Mas isso não é o bastante. Após dar um calote no pai e fugir de casa, ela reencontra Rhonda (Rachel Griffiths), uma antiga amiga do colégio. As duas resolvem então recomeçar suas vidas em outra cidade.


Querendo sempre parecer “normal”, Muriel adquire uma compulsão por mentir e suas histórias viram uma verdadeira bola de neve. Ela se vê então envolvida em vários problemas, não só com a família mas também com a amiga. Tudo pontuado pelas músicas do ABBA, que expressam ao mesmo tempo a ingenuidade quase incontida de Muriel e sua melancolia, fruto de profunda carência afetiva. Para ela, a aceitação só será possível através de um casamento.

“Quando eu morava em Porpoise Spit, ficava sentada em meu quarto por horas, só ouvindo as músicas do ABBA”, conta Muriel à amiga Rhonda. “Mas desde que te encontrei e nos mudamos para Sydney, não escutei uma só música do ABBA. Sabe o que isso significa? Que minha vida é tão boa quanto uma canção do ABBA. É tão boa quanto Dancing Queen”.

O diretor P.J. Hogan teve dificuldade em arranjar alguém que financiasse um filme de enredo singelo e personagens que nada tinham daquela agitação dos filmes juvenis americanos. O patrocínio veio de uma empresa francesa e deu certo. O Casamento de Muriel foi sucesso não só em seu país de origem, mas também no mundo todo. Sem atores caros nem efeitos especiais, a única exigência de P. J. Hogan ao produtor foi a liberação dos direitos das canções do ABBA.

Mas por pouco Hogan não pôde usar as canções no filme. Ele escreveu e telefonou para Benny Andersson e Björn Ulvaeus incessantemente, sem obter resposta. Os dois estavam com receio de que sua música não fosse usada de maneira positiva. Finalmente, chegou-se a gastar uma fatia do baixo orçamento do filme com uma passagem Sydney – Estocolmo. Hogan foi até a Suécia com o roteiro do filme para convencer Benny e Björn de que não faria gozação com a banda. Pelo contrário.


A música do ABBA como pano de fundo em O Casamento de Muriel é muito positiva. Há uma cena maravilhosa, de pura catarse, em que Muriel e Rhonda, vestidas de Agnetha e Frida, apresentam uma divertidíssima versão de Waterloo. A atuação de Collette é tocante e lhe valeu o prêmio da Academia Australiana de Melhor Atriz, assim como Rachel Griffiths ganhou o de Melhor Atriz Coadjuvante. O filme também venceu na categoria Melhor Filme. Collette ainda foi indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz de Comédia/Musical.

Para o papel-título, ela teve que engordar 18 kg em 7 semanas, com a ajuda de uma nutricionista. O esforço valeu a pena. Toni ganhou notoriedade e tornou-se uma atriz respeitada no mundo todo. Participou depois de dezenas de filmes de sucesso como O Sexto Sentido (1999), As Horas (2002), Pequena Miss Sunshine (2006), entre outros. A parceira Rachel Griffiths também ficou conhecida pelas séries de TV A Sete Palmos e Brothers and Sisters.

Bill Hunter, que faz o pai de Muriel, estava filmando Priscilla, a Rainha do Deserto no mesmo período em que filmava O Casamento de Muriel. A dificuldade era que cada um dos personagens exigia dele diferentes comprimentos de cabelo e barba, além de gravações em diferentes partes da Austrália.

O director P.J. Hogan também conquistou seu lugar cativo no cinema e dirigiu filmes como O Casamento do Meu Melhor Amigo (1997) e Os Delírios de Consumo de Becky Bloom (2009). Mas será sempre lembrado por O Casamento de Muriel, um dos filmes mais queridos dos anos 90, que acabou preparando o terreno para o sucesso do musical Mamma Mia!


O Casamento de Muriel
(Muriel’s Wedding)

Escrito e dirigido por  P. J. Hogan.
Austrália, 1994.
Elenco: Toni Collette, Bill Hunter, Rachel Griffiths, Jeanie Drynan, Gennie Nevinson, Sophie Lee, Roz Hammond, Belinda Jarrett, Gabby Millgate, Daniel Lapaine, Matt Day.
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