domingo, 7 de novembro de 2010

A História do ABBA - Parte 2


Na primeira parte da exclusiva história do ABBA, vocês puderam ler como e quando o quarteto cresceu e como eles tiveram de lidar com os problemas em sua curta vida. Mas um conhecido musicólogo uma vez disse: "Nem tudo são rosas no caminho até o topo. Você deve experimentar a picada dos espinhos também." Bem, Anni-Frid, Benny, Björn e Agnetha certamente a sentiram. Todos os quatro tiveram suas próprias preocupações e foi através dessas experiências que eles se tornaram mais ricos e mais fortes. Ricos principalmente no sentido de "caráter" ou se podemos dizer "endurecidos", porque só os mais fortes conseguem prosseguir no caminho de baixo até o topo. Mas, o quarteto ainda não havia atingido o topo.

Havia quatro jovens, com suas qualidades e talentos especiais. Como os quatro se reuniram e quem acendeu o fogo para o sucesso? Porque essa realmente era a situação em que os quatro estavam, na mesma situação em que os Beatles se encontraram um dia. Quatro pessoas talentosas tinham de encontrar alguém como Brian Epstein para torná-las imortais.

Para o ABBA essa pessoa foi Stikkan Andersson. Ele foi chamado de Sr. Show Business na Suécia. Um trabalhador incansável que conseguiu pavimentar seu caminho até o topo com seu cérebro. Stikkan, um ex-professor de escola, cresceu sem um pai. Sua mãe não era casada. Atualmente as pessoas na Suécia encolhem os ombros para uma situação como essa, mas naquela época na cidade de Hova, perto de Gotemburgo, as pessoas pensavam o contrário, especialmente em 1931. Stikkan se sentia como uma espécie de oprimido, um desajeitado e para se destacar decidiu estudar e trabalhar muito duro. Ele pegava todos os tipos de trabalho após o horário da escola para conseguir dinheiro para comprar uma guitarra de verdade. Quando ele tinha apenas uma, começou a tocar em bandas locais para fazer ainda mais dinheiro e... se tornar independente. Ele tinha quinze anos quando deixou a escola e começou imediatamente a compor canções. Ele queria ganhar dinheiro para pagar seus estudos. Seu objetivo: se tornar um professor. Ele tinha dezoito anos de idade quando sua primeira canção foi publicada. O maior problema de Stikkan era que ele não podia escrever música. Ele tocava como um demônio e tinha os melhores ouvidos, mas não conseguia escrever. Ele fez todos os tipos de músicas: canções folclóricas, peças de revista. Ele as cantou e as tocou nos parques perto de Gotemburgo. Sozinho, mas junto com um amigo também. Dentre todas essas atividades, ele conseguiu se tornar um professor e começou a ensinar química e matemática em Estocolmo.

Mesmo assim, ele encontrava tempo para se apresentar à noite e escrever canções. Em 1960, seu trabalho como professor chegou ao fim. Ele escreveu uma canção para a bem conhecida Lil-Babs: "Are You Still In Love With Me, Klas-Goran", que se tornou um grande sucesso. Então Stikkan realmente percebeu que o show business era o seu futuro. Agora, Stikkan diz: "Isto me levou a despender uma quantidade enorme de esforço para conseguir o que eu queria: tornar-me um professor. Mas o show business se apoderou de mim. Se eu houvesse mostrado uma força pequena nesse carrossel, teria voltado ao meu antigo emprego, mas tudo apontava para o fato de que eu poderia chegar ao topo." Isto serve apenas para mostrar que você não pode planejar tudo em sua vida. Após a sua canção para Lil-Babs, houve uma enorme procura de músicas de Stikkan, todo mundo queria gravar algo que ele havia escrito. Foi por isso que ele alugou um espaço, colocou sobre uma mesa uma velha máquina de escrever e começou a sua própria editora. Era como se um sopro de ar fresco estivesse atravessando a cena musical da Suécia. Um exportador foi acrescentado, porque a primeira coisa que Stikkan fez foi escrever cartas e enviá-las para todo o mundo. Em cada carta, ele perguntava: você quer traduzir minhas canções e gravá-las? Ele também pediu a essas editoras estrangeiras para dar-lhe suas canções para que ele pudesse traduzi-las para o sueco. Além disso, Stikkan trabalhava como um escravo. Na Suécia, as pessoas diziam: "Ele é um gerador vivo." E isso era verdade, ainda hoje. "Você só consegue alguma coisa trabalhando muito duro", diz Stikkan agora, "Eu trabalho dezoito horas por dia e ainda não tenho tempo suficiente". Stikkan rapidamente mudou seu nome para o mais simples Stig. Seu trabalho duro e seu entendimento do negócio colocaram de uma vez seis de suas músicas no Top 10, um recorde absoluto na Suécia. Depois de trabalhar cinco anos de forma independente, ele contou o número de canções que havia escrito: 3.000... Como dissemos, Stig trouxe vida nova ao show business. Até então, este era um grupo apático. Ele os chicoteou e todo mundo viu que isto era bom. Será que ele tem defeitos também? "Sim", diz ele, "Eu sou muito egoísta e tenho coragem de admitir que trabalho duro e tenho talento. Meu maior erro: não consigo relaxar."

Um cara honesto também, este é Stig. Devido à sua abordagem, que foi completamente sua, seu trabalho duro e seu "know-how", Stikkan tornou-se o maior editor musical da Suécia. Ele dominou as paradas. Ele era o homem que podia perceber um talento à distância de uma milha. Esse é Stig, que ganhou o apelido de Sr. Show Business. Esse é Stig, que apanhou Björn em suas redes. Stig diz sobre ele: "Eu vi o seu talento de imediato. Björn é musical, é inteligente e é também um bom líder. E você não deve subestimar este último aspecto. O show business é uma profissão muito difícil, existe uma enorme quantidade de fofocas. Isso exige muito de uma pessoa. Björn tem a característica de ser um estopim para essas tensões, que são inerentes a esse mundo louco de ser um artista."

Enquanto isso, Stig fundou sua própria gravadora (Polar Music) e apresentou seus planos para Björn. "Eu conhecia Björn muito bem, mas quando lhe contei sobre meus planos, era como se eu estivesse conversando com meu reflexo no espelho. Björn estava repleto de ideias e ofereceu sugestões que eu nem sequer havia pensado."

Benny - Björn

A cena pop sueca dos anos sessenta era dominada por um pequeno grupo que mal se conhecia ou se via uns aos outros, porque eles estavam constantemente em turnês por todo o país. Era apenas por acaso que eles se encontravam. Benny e Björn conheceram-se em uma noite em um hotel, fora de Västervik, cidade onde Björn nasceu. Os Hep Stars estavam lá e os Hootenanny Singers também. No bar, eles estavam conversando e tagarelando juntos, mas Benny e Björn se empenharam em uma conversa sobre música. Como isto deveria ser falado e foi falado, Björn agora lembra: "Era como se eu estivesse falando comigo mesmo. Fiquei espantado por Benny pensar da mesma forma sobre música como eu pensava."

Björn e Benny concordaram sobre uma coisa de longe: o Hep Stars e o Hootenanny Singers só deveriam cantar as suas próprias composições, em vez de utilizar "covers" em seu repertório. Foi nesse mesmo fim de tarde - ou melhor, noite - que Björn chamou seu pai e perguntou onde ele poderia ensaiar juntamente com Benny. Acreditem ou não, mas um local foi encontrado com um piano dentro. Todos os outros amplificadores e outros instrumentos foram transportados para aquele local e Björn e Benny tocaram até o amanhecer, como se suas vidas dependessem daquilo. Björn havia trabalhado com outras pessoas e Benny havia escrito canções com amigos também, mas nunca antes tinha havido uma compreensão da palavra "avanço" como agora. No início da manhã, Björn e Benny tinham de deixar a sala de ensaios, porque os agricultores locais tinham de trabalhar lá. Mas uma coisa era certa: uma nova dupla havia se encontrado.

Várias sessões se seguiram em Estocolmo e algum tempo depois a primeira canção em comum viu a luz do dia: "Isn’t It Easy To Say". Ela foi gravada pelo Hep Stars. A segunda canção: "A Flower In My Garden", mais uma vez para o Hep Stars. "Nós não podíamos escrever uma nota sozinhos", diz Benny, "e nós tínhamos a nossa própria maneira de trabalhar. Nós só tocávamos juntos e assim que encontrávamos um gancho do qual gostávamos a gente elaborava sobre ele. Escrever a letra não era uma tarefa fácil para nós, por isso sempre a deixávamos por último. Começávamos com alguns "lalalala" e depois íamos para as palavras que se adaptassem às notas. Isto também acontecia para que ninguém visse o nosso trabalho", ele lembra quase urrando de rir, "caso contrário eles poderiam nos ter colocado em um hospício". Mesmo assim, demoraram mais alguns anos para Benny deixar o Hep Stars, "Não é fácil deixar seus amigos." Mas ainda assim ele optou por seguir seu próprio caminho e sugeriu a Björn continuarem a escrever canções juntos. Björn apresentou Benny a Stig Anderson, que agora lembra: "Fiquei bastante surpreso por Björn apresentar Benny para mim. Duas personalidades completamente diferentes que queriam começar algo juntos. Obviamente eu apoiava todas as iniciativas e mais tarde entendi porque os dois se complementavam tão bem, era por causa da música".

O comercial Björn fundou sua própria empresa juntamente com Benny, a Union Songs, e encaixou o estável Stig. A intenção era que Björn e Benny compusessem as músicas e Stig fornecesse as letras. No show business, nada é mais difícil do que o tipo de colaboração que Björn, Benny e Stig tinham. Mas o trio ficou junto esplendidamente. Björn diz: "A colaboração estava funcionando perfeitamente. Benny e eu elaborávamos nossas ideias e as colocávamos na fita, somente então é que Stig se envolvia. E ele sempre tinha algo bom para acrescentar. O bom era que nós realmente nunca tínhamos quaisquer discussões entre nós três. Claro que tivemos algumas divergências sobre as composições, mas discussões não, nunca." E Björn acrescenta: "Na nossa profissão, você não pode ter nenhuma discussão, isto é perturbador e paralisante. Você não pode criar algo bom com alguém com quem você não se dá bem." E o trio foi um sucesso por causa do vínculo de amizade entre eles, este alicerce transformou o trio em provavelmente a melhor equipe da história da música. Stig, com sua visão comercial, sugeriu fornecer todas as canções com letras em inglês a partir dali. Stig: "Quando você escreve em sueco, você só vende discos na Suécia. Mas o show business é um negócio internacional e o inglês é o idioma da música pop."

Um sincero Björn: "Eu me sinto mais confortável quando tenho de preparar uma sessão de gravação." Ele gosta de cuidar de tudo. "Eu me sinto em casa no estúdio, existe ali uma atmosfera maravilhosa. Uma atmosfera excitante também, eu gosto disso. No palco eu sou um pouco tímido e retraído. Se eu tivesse de escolher entre o desempenho no palco e o trabalho em estúdio, a minha escolha seria o estúdio. Em longo prazo, quero acabar no estúdio de qualquer maneira. Eu não posso continuar viajando para sempre."

O que poucos fãs sabem é que Björn viajou junto com o Hep Stars por um tempo e juntamente com Benny ele gravou um álbum intitulado "Lycka", que foi um enorme fracasso. Eles gravaram um single juntos “She's My Kind of Girl", que se tornou um sucesso no Japão, porém em nenhum outro lugar. O Hep Stars e o Hootenanny Singers acabaram, os quatro membros remanescentes do Hep Stars formaram outro grupo com o nome The Rubber, mas tiveram de desistir.

Björn - Agnetha

Um sujeito romântico ficaria provavelmente inspirado com os seguintes versos: Foi em um domingo... apenas uma canção de amor triste... triste e lentamente a chuva caía... um dia sombrio. Mas Björn pensava o contrário. Ele saltou para fora da cama, pois domingo era o seu dia. Ele iria sair e tomar ar fresco. Ele ligou o rádio e todas as suas intenções se desvaneceram no ar: ele ouviu uma voz cristalina, sentimental, doce, envolvente. Ele escutou a canção inteira. O locutor secamente disse: "I Was So In Love", cantada por Agnetha Fältskog. Björn apaixonou-se de imediato... pela voz. Ainda assim, seriam necessários mais alguns meses antes dele se encontrar com esta garota. Ele comprou o disco e o ouviu mil vezes. "Fiquei fascinado. Eu nunca havia ouvido uma voz tão doce antes. Eu mesmo levei o disco comigo ao viajar e o tocava quando ficava sozinho no meu quarto. Essa garota deveria ser doce, suave e agradável." Björn diz agora.

Alguns meses depois, aconteceu em Gotemburgo. O Hootenanny Singers e Agnetha iriam se apresentar lá. "Um sonho de garota andou até mim", Björn diz, "e ela disse: olá, eu sou Agnetha, sempre quis conhecê-lo." E descobriu-se que Agnetha amava a música de Björn. Björn e Agnetha olharam nos olhos um do outro... amor à primeira vista. Björn: "Ela era exatamente como eu imaginava que fosse." Agnetha: "Na realidade, Björn parecia muito mais bonito do que nas capas dos discos." Apenas três meses depois eles ficaram noivos e decidiram viver juntos na área de Kungsholm, em Estocolmo.

"Eu tinha de me acostumar com aquela boneca delicada", Björn explica, "porque na realidade ela é uma garota temperamental. Sempre que temos uma discussão, ela joga todo tipo de coisas em mim, mas depois ela vem. Tudo o que Agnetha precisa é sair jogando e jogando." Eles não ficavam juntos por muito tempo, porque Björn tinha de sair em turnê pelo país com seus cantores e Agnetha tinha de se apresentar em vários locais também. A bela loira: "Eu achava horrível ficar sozinha novamente. Ok, ele me convidava constantemente, mas isso não era o mesmo que estarmos juntos. Eu senti muita falta de Björn, a ponto de eu não querer me apresentar por muito tempo. Não por causa da viagem, mas porque eu mal podia ver Björn."

Ainda assim, Agnetha e Björn encontraram tempo para irem a Chipre em um feriado e isso lançou as bases para uma colaboração mais próxima. De volta à Suécia, o casal gravou seu primeiro álbum junto. Em outubro de 1969 eles ficaram noivos oficialmente. Os jornais escreveram: "O romance pop do ano".

Agnetha e Björn se estabeleceram em um apartamento de três quartos no caro bairro Lilla Essenger, em Estocolmo. O pensador Björn decidiu outra coisa: "Agnetha, creio que seria melhor se nós não nos apresentássemos muito tempo juntos. Se nos vermos todo dia e toda noite a nossa relação pode chegar ao fim rapidamente, as estatísticas provam isso." Embora Agnetha pensasse o contrário acabou concordando. Agnetha e Björn casaram-se em 6 de julho de 1971. Na Suécia o sonho de qualquer garota é casar-se no verão, essa é a época da liberdade. A neve derreteu... o país está sendo beijado pelo sol quente e... acariciado pelo céu claro e cristalino. Isso é o que diz o poeta. Agnetha tornou-se a noiva mais linda que a Suécia já tinha visto. Björn encontrou uma antiga igreja gótica, branca como um lençol. Na cidade idílica de Verum, no condado de Skåne, sul da Suécia. Este ano conjugal acabou também sendo o ano em que Agnetha, Björn e Benny saíram em uma turnê conjunta. "O nosso trio teve uma receptividade muito boa", diz Björn, "mas ainda faltava alguma coisa, nós não estávamos completos."

Suas vidas se tornaram ainda mais incompletas quando Björn recebeu a notícia de Estocolmo de que o seu mentor Bengt Bernhag havia se suicidado. Bengt teria de submeter-se a uma cirurgia que o deixaria inválido, ele não podia suportar essa ideia e acabou com a sua própria vida. Bengt vinha trabalhando estreitamente com os rapazes por anos e era parceiro de Stig também. Björn e Benny entraram em um barco e o guiaram até o meio de um lago próximo e falaram sobre a situação. Björn e Benny ainda fazem isso hoje, sempre que eles têm de tomar decisões difíceis. Neste lago eles decidiram ficar no lugar de Bengt, ao lado de Stig. No mesmo momento em que Bengt faleceu, uma música produzida por ele chegou ao Top 10, intitulada "Never More"... Os artistas: The Hootenanny Singers.

Anni-Frid - Benny

Os hotéis são locais estranhos, locais solitários. Mas também são lugares onde os contatos são feitos facilmente. Nós percebemos isso com o primeiro encontro de Björn e Benny. Esta era uma noite "na estrada". Depois de uma apresentação, Benny foi ao bar para tomar uma bebida, sentia-se cansado e de ressaca. Uma bela e elegante garota estava sentada na janela, com um belo cabelo. Benny a reconheceu, mas não sabia de onde. Ele perguntou ao garçom quem era ela. "O nome dela é Anni-Frid Lyngstad, ela é uma boa cantora", foi a sua resposta. Algum tempo depois Benny sentou-se à sua mesa, depois de ter se apresentado. Obviamente ela sabia que Benny era do Hep Stars. Anni-Frid lembra: "Na verdade, nada de especial aconteceu. Não houve faíscas voando, nada. Bebemos algo juntos, conversamos e dissemos até logo." Benny: "Eu não esperava que nos encontrássemos novamente." Mas então eles se depararam outra vez em um estúdio de rádio, eles eram os convidados em um game show. Após a gravação do programa, Benny convidou Anni-Frid para um jantar. Ela aceitou o convite e naquela noite eles falaram mais do que comeram. Eles conversaram por horas a fio e de repente já tinham uma ligação...

Até então, Anni-Frid estava vivendo uma vida solitária. Ela havia se divorciado de Ragnar Fredriksson de uma forma amigável e agora vivia em Estocolmo. "Eu conheci Benny na hora certa", ela diz agora, "eu era muito solitária, passava a maior parte do tempo sozinha no meu apartamento e pensava nas crianças constantemente. Eu estava definhando. Eu perdi a base sólida de um casamento, precisava de algo para me segurar." E sua carreira não estava indo muito bem também, ela havia lançado nove singles nos últimos três anos e apenas dois deles chegaram às paradas de sucesso. Ela fez algumas apresentações irregulares na TV. Na verdade, Anni-Frid estava procurando o material certo para gravar e mais uma vez ela recusou todo o material pop que lhe ofereceram.

Anni-Frid e Benny passaram a viver juntos em 1º de abril de 1970 no distrito de Vasastan em Estocolmo. Era um pequeno apartamento no primeiro andar, perto de uma rua movimentada, que se transformou em um ninho de amor. Mas era muito pequeno, porque não havia espaço para o piano de Benny. A cama de casal pegou muito espaço e quase não havia espaço para uma cadeira devido às pilhas de discos. Benny: “Embora ali fosse pequeno, era maravilhoso estar com Anni-Frid. Isso porque nós saíamos muito, especialmente para pessoas que tinham um piano. Ou então eu ia à igreja para tocar órgão." Benny e Anni-Frid ainda não são casados, mas todo ano eles celebram o dia 1º de abril. E isso não é brincadeira, Benny e Anni-Frid realmente não acreditam em uma certidão de casamento. "Ficamos noivos em agosto de 1969, e esta foi uma decisão importante para nós." Eles noivaram em um restaurante muito conhecido chamado Hamburger Bors, onde Anni-Frid estava se apresentando no dia juntamente com o pianista Charlie Norman.

Anni-Frid enfrentou uma severa reação da imprensa quando ficou noiva de Benny. Manchetes como "cantora deixa a família para brincar com rapazes" estavam na ordem do dia. A mídia não facilitou para ela, mas ela lutou pelo seu retorno, junto com Benny. "Você não pode lutar contra a fofoca que aparece nos jornais", Anni-Frid diz, "é por isso que é tão importante ter uma pessoa forte ao seu lado, que o auxilie durante uma repercussão como essa e Benny estava lá por mim. Serei eternamente grata por isso."

Por um tempo Anni-Frid pensou mesmo em trazer seus filhos para o apartamento, mas se não havia espaço para um piano, muito menos para duas crianças. "Então eu tomei a decisão de deixá-los com seu pai permanentemente." Pouco depois, o casal mudou-se para uma romântica casa do século dezoito em Estocolmo. Por quê? "Agora nós temos muito mais espaço. Eu posso ter meus filhos vindo me visitar aqui", diz Anni-Frid.

A vida prosseguia, Benny continuava excursionando e Anni-Frid tinha de viajar algumas vezes também. E o que aconteceu com Björn e Agnetha agora se repetia com eles: Anni-Frid e Benny não podiam viver um sem o outro, eles achavam horrível ter que trabalhar separados. Mesmo na medida ela preferia não cumprir vários compromissos com Charlie Norman para poder estar com Benny em Estocolmo, pelo menos por alguns dias. Essa decisão levou à cessação do contrato com Charlie.

Anni-Frid foi totalmente bem-vinda ao grupo que Stig Anderson reuniu em torno dele. Ela era uma parte que completava o pacote, apesar de uma colaboração musical não constar nas fichas, não ainda. Björn e Agnetha e Anni-Frid e Benny se dão muito bem, visitam-se, vão à ópera juntos, assistem a apresentações de balé clássico e até mesmo realizam noites temáticas para amigos e conhecidos.

***

Fotos da publicação original:


Fonte: ABBA Articles (texto) e ABBA Mikory (fotos)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Morre Gudrun Anderson, a "mãe" do ABBA


O site Raffem trouxe hoje a notícia de que Gudrun Elisabet Anderson, esposa de Stig Anderson, faleceu no última dia 31 de Outubro na Suécia aos 79 anos de idade. Considerada a "mãe" do ABBA, ela também deu a sua importante contribuição ao lado de Stikkan durante o perído ativo da banda.

Os últimos anos de Gudrun foram dedicados para o trabalho de caridade. Com algumas senhoras ela fazia café, sanduíches e chocolates para atender a usuários de drogas e moradores de rua em Sergels Torg e em outros lugares no centro de Estocolmo. Ela continuou o trabalho mesmo após um derrame que causou problemas com a sua fala.

Quando Gudrun Anderson chegou aos 70 anos deu uma entrevista em que elogiou os ex-membros do ABBA, com quem ela ainda estava em contato. Ela disse que os membros eram muito amigáveis e completamente inalterados pelo seu sucesso.

Como uma forma de homenageá-la, deixamos aqui uma pequena entrevista realizada pela repórter
Anita Adolfsson, do jornal Aftonbladet, que foi publicada em 21 de Março de 1998, poucos meses após a morte de Stikkan.

A ela deixamos nossos melhores pensamentos de gratidão por tudo o que ela fez pelo ABBA.

"Gudrun é a mulher que sempre estava lá para o rei da gravadora Stikkan Anderson. A mulher em quem ele poderia se apoiar. Sua esposa, mãe de seus três filhos e uma assistente no escritório. Mas os últimos anos foram difíceis para ambos. Stikkan estava muito doente.

- Eu acho que foi bom que sua vida tenha acabado, diz Gudrun.

No outono passado Stikkan Anderson, 66 anos, morreu. Os filhos estavam crescidos e haviam saído de casa. Agora Gudrun vive sozinha.

- Como tem sido sua vida?

- Tem sido boa. Mas foi difícil nos últimos anos. Stikkan estava muito doente e havia perdido o entusiasmo pela vida. Ele não queria mais ver as pessoas e não queria que eu fosse a lugar algum, nem mesmo para ir às compras.

Eles se conheciam há muito tempo, Gudrun e Stikkan. Quando eram jovens se conheceram na Ingesunds folkhögskola (um colégio) em Värmland, onde Stikkan estava se apresentando junto com Bengt Bernhag e Börje Crona. Em 1955 eles se casaram.

Poucos anos depois uma vida completamente diferente começou quando Stikkan apresentou sua canção "Vi hänger me" para o povo sueco. Depois o sucesso com o ABBA aconteceu. Gudrun cuidava das finanças, planejamento e contabilidade - no escritório. E da família - em casa. Assim como tantas outras mulheres.

- Foi mais fácil para nós mantermos as coisas desta maneira, porque como muitos de vocês já devem saber pode ser difícil ser mãe e trabalhar ao mesmo tempo. Stikkan entendia que às vezes eu tinha de ficar em casa para cuidar dos nossos filhos doentes. Além disso era eu quem fazia eles terem tudo o que precisavam, já que Stikkan estava sempre ocupado com algo.

O negócio era bom e o dinheiro continuou entrando, mas em 1985 o divórcio era um fato.

- Stikkan conheceu outra mulher. Talvez eu já tivesse descoberto isso, mas eu não queria acreditar. Era como se eu estivesse usando óculos escuros. Isso foi muito difícil, nós trabalhávamos juntos.

- Eu queria o divórcio. Mas Stikkan... não tinha certeza. Como tantos outros homens ele queria ter tudo. Foi um momento muito difícil e extremamente difícil de passar. Um divórcio é quase pior do que quando alguém morre.

Stikkan foi embora e Gudrun passou a viver sozinha na casa grande. Mas depois de um tempo Stikkan quis voltar para casa novamente. Para Villa Ekarna, onde ele gostava de estar. Mas ele e Gudrun nunca se casaram novamente.

- Quando ele voltou para mim não queria falar sobre nossos problemas. Nós só conseguíamos olhar para o futuro e deixar o passado para trás.

- Para socializar com os amigos ou convidá-los para jantar não era fácil. Eu nunca sabia se teríamos ou não esse jantar, ou como as coisas iriam acabar. Mas ele tinha uma boa memória, nós costumávamos resolver palavras cruzadas do Svenska Dagbladet juntos. Esse é um bom exercício.

Gudrun é a mais velha de seis irmãos. Ela é independente e forte.

- Eu consegui passar a vida bem. Meus pais eram agricultores em Sunne, Värmland. Minha mãe não tinha seu próprio dinheiro, exceto o que ela fazia com a venda de ovos e vegetais. Era desse jeito que costumava ser. Mas ela era uma mãe fantástica, e ela escrevia poemas. Quando ela morreu, meu pai se tornou muito solitário. Essa é a maneira como as coisas são com os homens, eles têm uma dificuldade de fazer isso sozinhos. Muitas vezes eles não têm um amigo para podem conversar ou confidenciar. Stikkan era desse jeito no final. Quando eu vestia o meu casaco ele perguntava onde eu estava indo. Ele não queria que eu fosse nem às compras, mas às vezes eu saía para ver meus amigos. Eu tinha que ter uma vida própria também. Eu acho que foi bom que a sua vida tenha acabado, ele achava que tudo não era mais divertido."

Nome: Gudrun Elisabet Anderson
Idade: 66
Mora: Em Östermalm, Estocolmo
Família: Os filhos Marie (40), Lasse (39) e Anderson (31). Cinco netos.
Educação: Professora de costura.
Carro: Volvo S70 1997
Rendimentos: Últimos rendimentos avaliados em 714.500 SEK. Capital tributável de 34,4 milhões de coroas suecas.
O que você queria ser quando era criança: Nada em especial.
A coisa mais importante agora: Transformar o estúdio em uma sala de estar.


Fontes: Raffem, Abbatoday e Abbamikory

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Björn Ulvaeus na estreia do "Mamma Mia!" em Paris

Björn Ulvaeus compareceu à gala première do musical "Mamma Mia!" ocorrida ontem (28/10/2010) no Theatre Mogador em Paris, França.


Fonte: Abbaannual

Vídeos:





Björn Ulvaeus: "O sucesso do ABBA permanece um mistério"

O fundador do grupo sueco esteve quinta-feira em Paris para o lançamento do espetáculo Mamma Mia no Teatro Mogador.

Como a produtora do Mamma Mia, Judy Craymer, o convenceu a usar as canções do ABBA neste espetáculo?
Na década de 1980 Judy sugeriu que eu fizesse um programa de TV a partir das canções da banda, mas isso não aconteceu. Anos depois ela sugeriu um musical escrito por Catherine Johnson, uma escritora maravilhosa. Eu aceitei que ela utilizasse qualquer música, desde que não alterasse a letra. Em seguida a diretora Phyllida Lloyd subiu a bordo para dar à luz o show, há onze anos atrás em Londres.

O que você acha que é a chave para o sucesso do "Mamma Mia"?
Todas os grandes musicais são baseados em uma história maravilhosa. Les Miserables, My Fair Lady, West Side Story... No caso do Mamma Mia, eu acho que a chave é como as músicas do ABBA se encaixam naturalmente na história.

Canções que continuam populares, apesar dos anos...
É um grande mistério, não é? Eu nunca entendi porque elas atravessaram gerações. Onde quer que eu vá no mundo as pessoas as conhecem e confesso que é uma sensação maravilhosa.

Os fãs franceses poderão se surpreender ao ouvi-las em francês. Era necessário adaptá-las para o show?
Sim, é a única maneira de ser atraído para a história. E mesmo que você ache que as conhece em inglês é depois de ouvi-las na sua língua que você realmente entende o significado. Quantas vezes eu cantarolava uma música dos Beatles sem saber o que ela estava falando! (sorriso)

Qual lugar o ABBA ocupa em sua vida diária?
O ABBA não me deixa jamais. Não há um dia que passe sem que alguém ou algo me recorde o grupo. E depois nós estamos muito atentos ao uso que pode ser feito da nossa música. Nós recebemos pedidos diariamente e se um de nós quatro diz não, é não.

A extrema direita dinamarquesa recentemente usou a canção Mamma Mia sem a permissão de vocês...
A parte que eu não sabia era que a música tinha se transformado em Mamma Pia (em homenagem à sua líder Pia Kjærsgaard). Nós escrevemos e eles imediatamente interromperam. Nós nunca vamos deixar nossas músicas serem usadas para fins políticos. A mesma coisa aconteceu com John McCain. Ele queria usar "Take a Chance on Me" em sua campanha contra Obama e nós nos recusamos!

É não há 1% de chances de você um dia se rever no palco com Benny, Agnetha e Frida?
0% de chances! Se fizéssemos isso seria destruir para sempre a imagem daqueles quatro jovens ambiciosos que vocês amam nos vídeos! Eu nunca vou deixar isso acontecer.

Fonte: Metrofrance, em 28/10/2010

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Agnetha e Björn na estreia do musical "Mamma Mia!" na Dinamarca!

Björn Ulvaeus e Agnetha Fältskog surpreenderam a todos ao comparecerem à première do musical "Mamma Mia!", realizada hoje no Teatro Tivoli em Copenhague, Dinamarca. De braços dados, ambos mostraram-se bem à vontade diante dos jornalistas presentes. Eles passaram algum tempo posando para a imprensa no tapete vermelho, com Agnetha acenando o tempo todo e visivelmente emocionada com a atenção. Após o show, Agnetha subiu a palco com Björn, marcando sua primeira vez no palco no final de uma estreia do "Mamma Mia!". Ela e Björn permaneceram lá por alguns minutos e pareciam estar claramente se divertindo muito.

Antes de subirmos ao palco Agnetha disse-me: "Você lembra que em 1974, quando fizemos Waterloo, na época pensávamos que aquilo duraria no máximo alguns anos?", diz Björn Ulvaeus após o sucesso da estreia da produção dinamarquesa do "Mamma Mia!" que aconteceu no Tivoli Concert Hall em Copenhague ontem à noite.

A multidão aplaudiu em alto e bom som quando Björn e Agnetha fizeram a sua mágica reunião no palco em Copenhague.

- Foi muito espontâneo, nada foi planejado. Eu pensei que iria sozinho a Copenhague para a estreia, mas no último minuto Agnetha disse que também queria estar lá.

Após o show, a multidão levantou e delirou quando Björn e Agnetha apareceram no palco.

"Nós não estivemos juntos no palco desde 1981 e no nosso último show no Japão", disse Björn, que assim como Agnetha ficou muito impressionado com a montagem dinamarquesa do "Mamma Mia!".

Dando seguimento à estratégia do ABBA, que é comparecer em duplas a eventos relacionados à banda, esta parceria inédita até então (após o fim do ABBA) deita por terra mitos como dificuldades de relacionamento entre os dois, o suposto medo de Agnetha deixar a Suécia (provavelmente ela foi de carro, pois a distância entre Estocolmo e Copenhague não é tão grande) e principalmente o mito de que Agnetha quer esquecer o ABBA.


É muito vê-los juntos novamente, mais ainda depois de vê-la com Frida ano passado na premiação "Rockbjörnen" e com Benny no vídeo produzido para o ABBA World na Austrália. Fica a esperança de ver os quatro juntos quando a mostra itinerante chegar a Estocolmo, quem sabe...

Confiram as fotos exclusivas:

Fonte: Starlounge Denmark

Mais fotos:


Fonte: Famous.uk


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