domingo, 24 de maio de 2009

I Stand Alone: o fim de uma era

Lançado em novembro de 1987, "I Stand Alone" foi o terceiro e último álbum de Agnetha Fältskog em inglês antes do longo silêncio rompido apenas 17 anos depois com o seu bem sucedido álbum "My Colouring Book" em 2004. Foi também o seu primeiro álbum em inglês na gravadora WEA, precedido por um álbum infantil gravado no início do mesmo ano juntamente com seu filho Christian Ulvaeus. Em 1988 Agnetha abandonaria definitivamente a carreira como cantora para dedicar-se exclusivamente à família e finalmente ter uma vida comum como sempre quis, sem as pressões da fama e da mídia Porém essa decisão custou-lhe rótulos depreciativos e injustos (reclusa por exemplo) felizmente superados hoje por suas constantes aparições públicas e por seu último álbum solo lançado há cinco anos, que no entanto não significou um retorno, mas um presente para os fãs que sentiam falta de sua voz. Com "I Stand Alone" findou-se uma era de sucessos, alegrias e também dores. Hoje Agnetha opta pela vida em família e entre amigos e por cultivar valores verdadeiros em si mesma.

"I Stand Alone" foi produzido por Peter Cetera, ex-vocalista e guitarrista da banda americana de rock Chicago. Ele fez um dueto com Agnetha na faixa "I Wasn't the One (Who Said Goodbye)", (#93 na Billboard Hot 100 e #19 na Adult Contemporary nos Estados Unidos). O co-produtor do álbum foi Bruce Gaitsch, com quem Agnetha estava tendo um relacionamento na época. O estilo musical do álbum foi muito diferente do som europeu dos dois álbuns anteriores de Fältskog, e refletia a influência da costa oeste americana dos produtores. O álbum se tornou o LP mais vendido na Suécia em 1988, onde permaneceu em primeiro lugar por oito semanas. Ele também atingiu o Top 20 na Noruega e na Bélgica e o #22 na Holanda, mas foi menos sucedido em outros locais, só atingindo #47 na Alemanha Ocidental, #72 no Reino Unido, #93 no Japão e #96 na Austrália. Para a capa do álbum e entrevistas, Agnetha Fältskog apareceu com um "novo" cabelo loiro picotado. Ela fez um visita muito rara a Los Angeles de avião para gravar o álbum. Após ter sido concluído, ela não mais voaria novamente, devido ao seu muito divulgado medo de voar. Ela, no entanto, admite que o vôo valeu a pena. A seguir duas entrevistas realizadas na época do lançamento do álbum e por último a crítica de uma revista holandesa.

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Agnetha Fältskog por Alberto Tolot

Em breve veremos uma nova Agnetha em capas de álbuns, pôsteres e revistas. Ela foi para Los Angeles e gravou um novo álbum, vocês sabem. Ao mesmo tempo ela foi fotografada pelo mundialmente famoso Alberto Tolot.

Escrito por Peter Blom

Está tudo calmo em torno de Agnetha Fältskog por um tempo. Mas nessa aparente calma muita coisa está acontecendo. Primeiro um álbum com canções infantis foi lançado e logo chegou a hora de um novo LP solo. Este álbum é um produto da colaboração entre Agnetha e outro dos maiores ídolos dos anos 70 - o antigo vocalista da banda de rock Chicago, Peter Cetera. Tivemos o privilégio de se sentar para um bate-papo com Agnetha sobre a música e seu novo estilo, assinado por Alberto Tolot, o "fotógrafo estrela" italiano.

Já se passaram mais de dois anos desde que seu último LP foi lançado. Agora de repente há dois ao mesmo tempo, por que essa súbita atividade?
-Apenas aconteceu desse jeito. Eu não sou o tipo de pessoa que se pressiona até à morte para lançar um novo álbum em intervalos regulares. Há algumas pessoas que lançam álbuns muito freqüentemente, mas eu acho que assim há grandes chances de você se cansar do artista. Sei que há sempre oportunidades aparecendo. O álbum infantil foi planejado por um longo tempo e em seguida a possibilidade de gravar este álbum aconteceu com Peter Cetera.

O que você faz entre os álbuns?
-Para gravar um álbum leva um longo tempo, especialmente se você está ajudando a produzi-lo. Pode demorar um ano a partir de quando a idéia aparece até o álbum ser concluído. Depois há também outras coisas pra fazer, especialmente se você, como eu, tem dois filhos. Portanto não é como se eu estivesse ociosa.


Como foi que a idéia para esse álbum com Peter Cetera nasceu?
-Tudo começou quando nos encontramos na grande festa de gala da ONU das crianças aqui em Estocolmo, onde cantei uma música com Ola Håkansson. Houve uma apresentação também de Peter Cetera, que eu antes já respeitava muito, tanto como compositor quanto como cantor. E ele gostou muito do que nós (ABBA) fizemos anteriormente. Imediatamente ficamos à vontade e espontaneamente falamos sobre fazer algo juntos no futuro.

E isso aconteceu muito mais rápido do que você esperava, hum...?
-Sim, nos mantemos em contato através da gravadora e durante a primavera Peter ficou mais e mais interessado e começou a escolher canções que achava que se encaixavam pra mim. Então quando nos reunimos neste verão, ele tinha cerca de 50 sugestões que ouvimos até o fim.

Quem escreveu as canções?
-Quando finalmente começamos a trabalhar no álbum no verão passado, nós experimentamos muitas músicas. Quando o álbum ficou pronto, nós havíamos finalizado em dez canções, em vez das 15 músicas que tínhamos no início. Peter escreveu uma delas junto com Bruce Gaitsch e há ainda uma série de outros compositores americanos.

O que você achou de gravar um álbum nos Estados Unidos?
-Foi uma experiência incrível. Todo mundo - Peter, o co-produtor Bruce Gaitsch, o engenheiro e os músicos do estúdio - foi realmente fantástico trabalhar com eles. Eu não sabia disso antes mas logo percebi que estávamos trabalhando com as melhores pessoas que haviam ali. E eles elogiaram-me que foi divertido. Nós realmente nos conectamos uns aos outros.

Então isso significa que você vai se concentrar em uma nova carreira internacional?
-Não, não mais do que antigamente.

Você ainda irá se chamar Agnetha Fältskog, mesmo nos Estados Unidos?
-Sim, tem havido alguns acalorados debates sobre isso mas eu realmente lutei por isso, que o álbum deveria trazer Fältskog na capa ainda que talvez seja um pouco difícil para algumas pessoas pronunciarem.

Você irá fazer alguns vídeos para o álbum?
-Sim, eu quero fazer pelo menos dois ou três, principalmente para o mercado americano. Mas agora estamos planejando um especial de TV que eventualmente será exibido na Europa algum tempo depois do Ano Novo ou logo depois.

Tanto a música quanto a imagem parecem ser um pouco mais fortes que antes...?
-Bem, não sei... Mas sim, eu acho que você pode dizer isso. Eu não gosto de comparar álbuns, mas eu acho que este é um dos melhores dos meus anteriores. Sinto o álbum inteiro muito forte.

Canções favoritas?
-O dueto "I Wasn't The One (Who Said Goodbye)", e há também uma canção muito positiva que é chamada "Let It Shine", mas eu realmente gosto de todas elas.

As letras são muito românticas como de costume. Quem são as pessoas que ouvem a sua música, quem é que você quer que a ouça?
-Quando se trata de música, cerca de 90% é sobre o amor e emoções. Eu não tenho um certo grupo de pessoas em mente quando eu gravo uma canção. Há provavelmente jovens e pessoas maduras ouvindo a minha música.

A música é importante para você hoje como era há dez anos atrás?
-Sim, eu escuto muitas músicas. Posso não comprar muitos discos, mas eu ouço o rádio e confiro as paradas de sucesso e assim por diante. Eu penso que existe muito da boa música. Especialmente música sueca. As gravações em sueco de grupos e artistas tem um som muito moderno e internacional hoje. Acho que isso é excitante.

Quando você diz excitante... essas novas fotos de você também têm um visual novo e excitante.
-Sim, a sessão de fotos foi também uma experiência e tanto. Nós chegamos no estúdio à hora do almoço e eles não estavam prontos para começar a tirar fotos até cerca de 4 da tarde, após maquiagem, roupa etc... Quando eu primeiro olhei para mim no espelho pensei que estava horrível e quase saí de lá. Mas logo eles começaram a fazer as fotos, eu vi que o resultado ficou bom.

E mais uma vez você estava trabalhado com os melhores, certo?
-Sim, o fotógrafo estava calmo e agradável e o cabeleireiro teve muitas idéias interessantes. Ele cortou o cabelo no estilo Madonna e eu tive um momento duro para convencê-lo a não cortar meu cabelo mais do que um centímetro do corte.

Assim você ficou satisfeita com o resultado?
-Sim, principalmente porque eles conseguiram fazer fotos que ficaram em harmonia com a música no álbum.


Nota de rodapé: O italiano Alberto Tolot é um dos mais requisitados fotógrafos em Los Angeles agora. Anteriormente ele fotografou para revistas internacionais de moda e capas de álbuns para Madonna, Duran Duran, Jody Watley etc. Cerca de dez (ou mais) pessoas participaram da sessão de fotos com Agnetha Fältskog: fotógrafo, estilistas, maquiadores e assistentes.

Fotógrafo: Alberto Tolot. Roupas de Arjan, Los Angeles. Estilista: Cesare Zucca. Cabelo: Peter Savic. Maquiagem: Gary
Berkowitz para Cloutier, Los Angeles.

(Publicado na revista Click em outubro de 1987)

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Esta é uma tradução de uma entrevista com Agnetha para o jornal sueco Expressen após os críticos darem ao seu álbum "I Stand Alone" o mais alto grau, 5 vespas de 5. A vespa é como um logotipo para o Expressen.

Cinco vespas, Agnetha

- Eu sei que fiz algo bom e estou muito satisfeita

Por Eva Gussarsson

Cinco vespas para o "I Stand Alone" de Agnetha Fältskog.
- Isto é muito divertido. Acho que não faço parte daqueles que recebem críticas ruins, mas as coisas nunca foram tão bem assim, ela diz.

E não foi apenas Måns Ivarsson quem gostou do novo álbum de Agnetha Fältskog. Ela está muito satisfeita consigo mesma.
- Eu não posso pensar nos tipos de reações que haverão, mas eu sei que fiz algo bom e estou muito satisfeita, diz ela.

Depois de dez anos com o ABBA e vários como artista solo, ela ainda se preocupa com as críticas.
- Eu me importo o suficiente para que eu fique feliz quando recebo boas críticas. E se eu receber críticas ruins, eu tenho que levar isso numa boa.

"I Stand Alone" é de alguma forma um retorno para Agnetha Fältskog. Mas você também pode dizer o mesmo sobre seus dois álbuns solo anteriores. Houve anos de silêncio entre cada álbum. E haverá silêncio no futuro também. Porque isto não é um retorno que fará Agnetha Fältskog dar um passo para trás na ribalta.
- Não, eu não pretendo isso. Não se você quer dizer viajar e fazer shows. Me concentrar na TV, vídeo e rádio em vez disso, diz ela.
- Não haverá uma turnê e não vou viajar.

Então Agnetha Fältskog continua a viver a sua vida normalmente, pacífica, serena e anonimamente, apenas do jeito que ela quer. Mas às vezes ela sente falta da vida agitada, pelo menos uma parte dela.
- Muitas vezes você tem um bela trajetória quando estão juntos na estrada. Tenho saudades disso e dos músicos. Desta vez gravamos com americanos e eu perdi nossos velhos músicos, aqueles que trabalharam comigo na Suécia, ela diz.

Mas você não sente falta do público?
- Há uma certo contato (com o público) quando você se apresenta na TV e coisas desse tipo.

Não é apenas Agnetha Fältskog quem recebe elogios por "I Stand Alone". Måns Ivarsson também elogia o produtor Peter Cetera. Você irá colaborar com ele novamente?
- No momento nós não temos contato, ele está trabalhando em seu próprio LP agora. É muito difícil dizer se vamos trabalhar juntos novamente. Ele tem sua própria carreira. Mas foi algo divertido e ambos estamos muito satisfeitos, e isso nos levou a uma grande amizade.

Você tem uma canção favorita no álbum?
- É difícil escolher uma, isto muda o tempo todo. Primeiro foi o dueto "I Wasn’t The One", depois foi "Let It Shine" e exatamente agora é "I Stand Alone". A longo prazo, essa é a melhor.

O que vai acontecer agora, com você e com este álbum?
- Esta semana terei entrevistas no rádio e vou aparecer no "Jacobs Stege" (programa de TV sueco) este sábado. Na próxima semana ou na semana depois disso, vamos fazer um vídeo para o single "The Last Time". Uma equipe inglesa o fará, mas será filmado na Suécia. Em janeiro faremos mais dois vídeos.
- O álbum será lançado na Escandinávia agora e internacionalmente em Janeiro.

Então não haverá uma turnê?
- Não, eu não vou viajar. Eu poderia, mas eu me limito quando isto acontece.

(Publicado no jornal Expressen em novembro de 1987)

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O recente CD de Agnetha "I Stand Alone": nova prova da sua musicalidade

Um artigo de uma revista holandesa de 1988, promovendo o então praticamente novo formato em CD.

Agnetha Fältskog tinha quinze anos quando se apresentou pela primeira vez com um banda. Dois anos depois, ela gravou seu primeiro single: "Jag var så kar", que imediatamente se tornou seu primeiro sucesso no top 10. Devido a esse sucesso, ela se tornou "a grande promessa da Suécia para o futuro". Entre 1968 e 1975 ela detém essa promessa e evolui para super vocalista com ABBA, um grupo que obteve fama mundial.

Não é de admirar, pois cem milhões de amantes do pop compraram sucessos do ABBA, que se tornou história no pop há seis anos. Mas - para citar Wim Sonneveld - Agnetha não poderia parar de cantar sozinha e agora ela volta com um novo álbum "I Stand Alone", em que notavelmente ela não compôs nenhuma canção sozinha. Sobre isso, ela diz: "Eu defino padrões muito elevados para as músicas que eu gravo e considerando o curto tempo para a preparação deste projeto, optei por canções de outras pessoas em vez de composições próprias que ainda não estariam satisfatórias. Além disso, estas canções capturaram fortemente minha imaginação."

Este novo álbum, produzido em colaboração com Peter Cetera, um fã do ABBA que sempre quis gravar algo junto com ela, tem o estilo característico de Cetera e própria maneira de Agnetha cantar. Ambos os estilos são altamente compatíveis e sem dúvida deu um salto de qualidade conquistado pela encantadora loira Agnetha, que depois de vinte anos de sucesso está longe de deixar a cena pop. Algo que provavelmente não é amplamente conhecido é que Agnetha nesse período gravou cerca de onze álbuns solo ao longo dos anos. Esta nova contribuição "I Stand Alone" é seu terceiro projeto solo após o ABBA se dissolver. Além disso, é o seu segundo projeto para a WEA. E a WEA acha que todos os esforços têm sido feitos para transformá-lo em um sucesso; o super produtor Peter Cetera, ex-Chicago e também um bem sucedido artista solo; o estúdio de gravação de David Foster mais conveniente em Malibu, e uma seqüência de compositores tais como Albert Hammond, Peter Brown e a dupla Cetera/Gaitsch. O primeiro single acaba de ser lançado e se chama "The Last Time".

A revelação definitiva do ABBA aconteceu em 1974 com "Waterloo", a canção vencedora do Eurovision Song Contest que iniciou a era ABBA para Agnetha, Frida, Björn e Benny. A subseqüente cadeia de singles de sucesso de alta qualidade transformou o grupo em um dos mais bem sucedidos embaixadores da música pop da Suécia. Agnetha prosseguiu neste caminho depois da cisão do ABBA em 1983 com o álbum "Wrap Your Arms Around Me", em 1985 com "Eyes of a Woman" e em 1987 um álbum infantil em sueco que ela gravou juntamente com seu filho Christian. E agora "I Stand Alone", que é uma prova da musicalidade e sucesso de Agnetha também como uma artista solo.

(Fonte: ABBA Articles - Publicado na revista CD Magazine em 1988)




quinta-feira, 21 de maio de 2009

A História de Chiquitita

Desde o seu lançamento original em 1979, Chiquitita tem sido reconhecida como um dos maiores sucessos do ABBA. Mas se o destino quisesse de outra forma, Chiquitita hoje poderia ser conhecida como - Rosalita.

Se não fosse por Summer Night City

Era início de dezembro de 1978 e as sessões do novo álbum do ABBA se não eram exatamente desastrosas, pelo menos não estavam tão bem como seria de esperar. As sessões para o álbum que acabaria por se tornar “Voulez-Vous” haviam começado em março, ganhou velocidade em abril e em seguida o grupo mudou-se para o novíssimo Polar Music Studios, em junho. Até então, todo o trabalho havia rendido um único lançamento, em setembro: "Summer Night City". Mas o grupo não estava totalmente satisfeito com o resultado desse single e, embora certamente ele não houvesse sido um fracasso, foi um pouco menos bem sucedido em termos internacionais do que o ABBA estava esperando dos seus singles lançados. E agora, após um período de quase nove meses - um período de tempo que foi duas vezes mais longo que o período de gravação de todo o álbum “Waterloo” cinco anos antes - eles não tinham sequer um par de faixas para o álbum com que estivessem safisfeitos.

Entretanto, eles sabiam que deveriam lançar um novo single muito em breve. Na verdade, houve mesmo uma meta específica para o seu próximo lançamento. Em 9 de janeiro de 1979, um concerto beneficente muito especial foi programado para ser realizado na Assembléia Geral das Nações Unidas em Nova York. O objetivo do show era levantar dinheiro para a programa mundial contra a fome do UNICEF, e também para marcar o início do Ano Internacional da Criança. Houve também a idéia de que cada um dos artistas participantes deveriam contribuir com uma canção especial e doar os direitos para o UNICEF. Todo o projeto havia sido sonhado pelos Bee Gees, o seu empresário Robert Stigwood e a personalidade televisiva David Frost. ABBA deveria participar, e os outros artistas eram os Bee Gees, Andy Gibb, Olivia Newton-John, John Denver, Donna Summer, Rita Coolidge, Kris Kristofferson, Rod Stewart e a banda Earth Wind and Fire. Os Bee Gees, por exemplo, lançaram a sua contribuição, "Too Much Heaven", como single em novembro - atingindo um esmagador sucesso mundial - e ABBA planejava lançar sua canção em janeiro. No início de dezembro, parecia que o novo single seria "If It Wasn’t For The Nights", uma música bem dançante e uma das poucas gravações dos últimos meses com que eles estavam felizes.


O conto de Rosalita

Ainda assim, o trabalho em cima do novo álbum deveria continuar, e em 4 de dezembro, Björn, Benny e seus músicos confiáveis se reuniram no estúdio para a gravação de uma nova canção. Neste momento, ela foi adornada com um título de trabalho um pouco grotesco, "Kålsupare" (traduzido livremente como "farinha do mesmo saco"), que não tinha absolutamente nada a ver com a verdadeira música. A faixa de apoio foi aperfeiçoada, Björn surgiu com uma idéia para as letras em que o protagonista dirige-se a uma antiga amante dizendo que agora prefere outra mulher. O título desta nova canção se tornou "In The Arms Of Rosalita". Agnetha e Frida gravaram seus vocais, dando voltas para cantar os versos de modo que ambas atuassem no trecho da mulher desprezada.

Mas embora esta gravação fosse atraente o suficiente, o grupo sentiu que algo não estava muito bem com ela. O apoio estava mais lento e mais pesado do que eles queriam, e a gravação não atingia o potencial inerente à melodia. A continuação dos trabalhos na faixa foi interrompida no momento, e enquanto ABBA estudava algumas questões, em 6 de dezembro eles foram para Londres, Inglaterra, para algumas aparições na televisão. Mais especialmente eles apareceram no especial de Natal do programa The Mike Yarwood (exibido no dia de Natal, 25 de dezembro), apresentando o que então seria seu próximo single: "If It Wasn’t For The Nights".

Two wise guys (Dois caras sábios)

Ao retornarem para a Suécia, Björn e Benny solicitaram novamente uma sessão com os músicos para uma reformulação na faixa de apoio de "In The Arms Of Rosalita". A data era 13 de dezembro de 1978, e quem estava contribuindo eram alguns dos dos seus colaboradores mais confiáveis: Ola Brunkert na bateria, Rutger Gunnarsson no baixo e Lasse Wellander na guitarra. Esta segunda tentativa para uma faixa de apoio foi adornada com o título de trabalho "Kålsupare II", posteriormente alterado para "Three Wise Guys". Trabalhando fora do novo arranjo, muitas características da primeira versão foram mantidas. Por exemplo, a introdução com guitarra acústica de Lasse Wellander estava lá desde o início, apesar de ter sido expandida um pouco para a nova versão. Mas os compositores também achavam que queriam salientar o sentimento latino-americano da melodia, e nos tapes da sessão eles podem ser ouvidos discutindo "El Condor Pasa" (que se tornou famosa com Simon & Garfunkel), como um ponto de referência adequado.

Outra decisão crucial também foi tomada para a reestruturação da canção: uma ponte no meio da composição - apresentando vocais do grupo na sua interpretação de "In The Arms Of Rosalita"- foi transferida para o final da canção, aliviando-a destes vocais. Na verdade, só a estrutura dos acordes permaneceu nesta seção, e uma melodia instrumental totalmente nova tocada ao piano foi inventada por Benny. A nova faixa de apoio ficou certamente "mais leve" em relação à primeira tentativa, e efetivamente tinha algumas semelhanças com "El Condor Pasa". Para os overdubs (superposições) vocais de Agnetha e Frida, Björn compôs novas letras, a primeira intitulada "Chiquitita Angelina" e depois mais uma vez foi reformulada para se tornar simplesmente 'Chiquitita'. Com Agnetha cantando sozinha a primeira estrofe, acompanhada por Frida no restante da canção, as letras foram agora transformadas em uma mensagem de conforto e encorajamento, onde as cantoras tentam instilar alguma esperança de melhores dias em uma amiga inconsolável. Algumas linhas aqui e ali de "In The Arms Of Rosalita" foram efetivamente mantidas na nova música, ainda que ligeiramente reformuladas, como "enchained by your own sorrow (acorrentada em sua própria tristeza)" e "there is no hope for tomorrow (não há esperança para o amanhã)".

Nações Unidas aplaudem Chiquitita

Com a canção completa, finalizada e mixada, o próprio ABBA e todos à sua volta perceberam que eles tinham uma nova concorrente forte para ser lançada como single. Assim ficou decidido que deixariam "If It Wasn’t For The Nights" ficar como uma faixa do novo álbum, e tornar "'Chiquitita" o novo single e, principalmente, a canção que o grupo iria doar ao UNICEF. Talvez foi considerado que esta balada, com o seu clima de esperança, era mais adequada para uma causa caridosa do que uma faixa dançante como "If It Wasn’t For The Nights". Em todo caso, "Chiquitita" foi primeiramente revelada ao mundo no concerto do UNICEF em 9 de Janeiro de 1979. O show foi então transmitido nos Estados Unidos em 10 de janeiro, com transmissões em sequência por todo o mundo. Depois, em 16 de janeiro, o single "Chiquitita" foi lançado, logo se tornando um grande sucesso e se saindo muito melhor nas paradas do que "Summer Night City" anteriormente, atingindo a primeira posição em pelo menos 10 países e entrando para o “Top Ten” em muitos outros.

Excepcionalmente para o ABBA, mas talvez uma consequência inevitável do fato da canção ter sido lançada apenas um mês após ter sido concluída no estúdio, não foi Lasse Hallström quem dirigiu o clipe promocional da música. Em vez disso, o grupo fez uma apresentação para a BBC em fevereiro, enquanto estavam na Suíça filmando um especial para a televisão (ABBA In Switzerland). Esta apresentação, filmada ao ar livre em frente a um enorme boneco de neve, foi posteriormente utilizada como clipe oficial para a canção e pode ser encontrada em várias compilações em DVD da banda.

Como um sinal de sucesso de "Chiquitita", a música também foi selecionada para ajudar o ABBA a conseguir um avanço na América do Sul, onde não havia obtido muito sucesso até então. Buddy McCluskey, um funcionário da RCA Records na Argentina, colaborou com a sua esposa Mary nas letras em espanhol de "Chiquitita", que foi certamente a melhor canção em tal empreendimento, já que tinha uma atmosfera hispânica tanto nos arranjos quanto no título . A versão espanhola foi lançada como single na Argentina em abril de 1979, alcançando a primeira posição nas paradas. Em alguns meses a versão em espanhol de "Chiquitita" vendeu meio milhão de cópias apenas na Argentina, e já foi dito que é o maior sucesso na América do Sul em 30 anos. Sem dúvida, o sucesso da versão espanhola ajudou "Chiquitita" a tornar-se uma das mais populares canções do ABBA, que casualmente teve mais de um êxito: foi estimado recentemente que "Chiquitita" rendeu ao UNICEF mais de 1 milhão de libras (quase 2 milhões de dólares). Este certamente é um honroso legado para uma canção pop.

Fonte: abbasite

terça-feira, 19 de maio de 2009

Frida abre alma e coração em 1984


"Meus filhos mal conheceram uma vida em família, mas têm uma mãe para conversar, inclusive sobre os seus sentimentos mais íntimos."

Frida fez uma visita à Holanda em 1984 para promover seu álbum "Shine". Durante este tempo, a revista holandesa Libelle publicou esta entrevista muito aberta e sincera com Frida.

Anni-Frid Lyngstad (39) nasceu na aldeia norueguesa de Narvik. Aos dois anos de idade perdeu sua mãe e foi levada por sua avó. Ela encontrou seu pai pela primeira vez há sete anos atrás. "Ele chegou tarde demais para ser um verdadeiro pai para mim", ela diz em uma entrevista que Libelle teve com ela. Ela fala sobre sua infância e sobre seus dois filhos, a quem ela queria dar tudo o que ela própria sentiu falta quando criança, sobre seus dois casamentos e sobre o tempo em que ela viajou pelo mundo com seus filhos e com o ABBA.

Anni-Frid Lyngstad está em Roterdã, no décimo primeiro andar do Hotel Hilton. Lá embaixo os fãs estão esperando pacientemente por um autógrafo. Ela parece extremamente jovem com o seu penteado punk vermelho-púrpura. Educada e muito auto-confiante ela diz: "Eu agradeceria se você não fumasse aqui". Ela ainda não se recuperou da diferença de fuso horário, após uma visita à sua filha em Nova York. Sem café, mas água. Um grosso casaquinho de malha em torno dos seus ombros. "Eu posso ficar gripada", diz ela calmamente. Por um momento ela parece a imagem que muitas pessoas têm dela. Um pouco triste, mulher solitária, e que ainda não encontrou a felicidade, apesar de todo o sucesso mundial. Uma imagem que pode encontrar sua origem na infância e que é mantida viva pelo fato de que ela ainda está sozinha depois de seu divórcio de Benny Andersson. Sua solidão é algo que muitas entrevistas trazem também, tanto que quase se tornou sua marca registrada. Involuntariamente, isto parece tardio.

Frida nasceu há 39 anos no povoado norueguês de Narvik em um tempo em que não se esperava muitas promessas para o futuro. Ela é a filha de um oficial alemão, que retornou ao seu país depois da guerra. Há sete anos atrás ela o encontrou pela primeira vez. "Foi tudo muito estranho. Recebi uma carta de alguém que se dizia ser meu meio-irmão. Ele havia lido uma biografia sobre mim e comparou com algumas coisas que ele também tinha ouvido de seu pai. Como se verificou na verdade era o meu pai. Eu olhei pra ele, sobretudo com curiosidade. Ele chegou tarde demais para ser um verdadeiro pai para mim. Eu era uma mulher crescida. Como uma criança, ele poderia ter algo a dizer para mim, mas agora não mais. Apesar disso o encontro significou muito pra mim e nós mantemos contato desde então. Foi uma emoção muito estranha, quando nos olhamos olho no olho. Você imagina: aquele era o meu pai. Mas todas as emoções que vieram com isso, foram estranhas para mim. Não, eu nunca o culparei por nada. Afinal, ele foi uma vítima das circunstâncias também. Como um oficial alemão ele dificilmente poderia permanecer na Noruega depois da guerra."

Sua mãe morreu quando Frida tinha dois anos, depois disso ela foi levada pela avó. Elas se mudaram para a cidade sueca de Eskilstuna, porque em Narvik sua história estava manchada. "Eu não gosto de falar sobre minha infância", diz Frida. "Não porque seja um período que gostaria de esquecer - haviam momentos muito felizes também - mas isto não se ajusta à minha filosofia de vida. Eu aceito cada dia como ele chega. Essa é a razão pela qual eu não quero olhar muito para o futuro. É louco, mas eu voltei este verão a Eskilstuna. Eu não estive lá desde que a minha avó morreu, infelizmente antes do ABBA decolar. Quando eu dirigi pela cidade, eu não pensava que ela parecia ser nada. O que eu vi foram as memórias, a cidade de minha infância."

Frida tem dois filhos. A filha Lotta tem 18 anos e é estudante em Nova York. O filho Hans tem 21 anos, vive e trabalha em Estocolmo. "Ele escreve músicas, toca em uma banda, produz e arranja e é, bem, muito talentoso. Eu vejo nele muito da mesma pressa que eu tive para entrar na indústria musical. É algo mágico, algo que não pode ser explicado. Eu nunca entendi de onde isto veio, apenas estava ali. Com Hans pode ser mais fácil de compreender, porque ele tem uma mãe na indústria musical. Mas por outro lado, Lotta está encontrando seu próprio caminho também."

Falando sobre seus filhos, Frida lentamente torna-se mais pessoal. Quando falamos sobre criar filhos, ela diz: "Toda mãe quer dar para seus filhos o que ela não teve. Algo que sempre senti falta foi uma mãe para conversar. Apesar de todos os seus esforços, a minha avó nunca foi capaz de cumprir esse papel. Havia muita diferença de idade. Eu sei que meus filhos têm uma mãe assim. Não temos medo de falar uns com os outros, mesmo quando se trata dos sentimentos mais íntimos. Isso é uma coisa boa. Que eles confiem em mim, não tenham medo de vir para mim. Eu os vejo freqüentemente, sim. Algumas vezes por ano eu vôo para Nova York e Estocolmo, e Lotta e Hans também visitam Londres regularmente, onde eu tenho vivido nos últimos dois anos. É claro que é uma pena que moremos tão distante, e às vezes eu sinto muito a falta deles, mas todos assumimos nossas próprias vidas. Eu tentei criá-los assim, como pessoas independentes e responsáveis, que têm os pés no chão, capazes de tomarem suas próprias decisões. Eu acho que consegui. Eu tenho um enorme respeito pela maneira como eles conduzem suas vidas. Eles são capazes de gerir a si mesmos. Isso é um grande alívio, e faz a saudade não ser dolorosa.

Na verdade, é uma boa sensação ser tão jovem e ter filhos já crescidos. Eu cuido para que eles estejam felizes também. Você pode orientar as crianças e torná-los capazes de conduzirem suas vidas. Mas isto não é garantia de felicidade. A felicidade é algo que vem de dentro, não pode ser ensinada. Eles têm que experimentar de tudo na vida deles. Tudo o que posso fazer é estar lá quando eles precisarem de mim, para conversar. Mesmo que eles estejam do outro lado do mundo, eu ainda serei a sua mãe. Eu continuo a sentir a responsabilidade."

"Uma coisa que aprendi comigo é que a comunicação é uma ferramenta importante para a felicidade. A comunicação entre as pessoas é algo difícil. As pessoas raramente conseguem realmente se comunicar. Isso é o que eu disse para meus filhos também. É importante para eles se abrirem, serem amigáveis com as pessoas, e realmente tentarem se conectar. Você pode se livrar de vários problemas fazendo isso. Comunicar-se também significa ouvir muito atentamente, compreender como as pessoas são.

Eu não percebi instantaneamente que eu não era comunicativa, isto exigiu de mim vários anos. Meu divórcio de Benny foi um ponto de virada a esse respeito. Esse é o tempo que eu realmente precisava para ligar-me às outras pessoas, mais do que nunca. Para Benny, mas também para os amigos. Quando nos separamos, eu tinha que tomar uma decisão na vida. Olhei para tudo o que vivi até aquele ponto. Eu queria saber como continuar. Durante esse tempo, comecei a falar. Pela primeira vez eu me abri completamente. Esta foi provavelmente a melhor experiência da minha vida até agora, e isso significou muito para mim. Agora tenho confiança em mim mesma e na vida. Porque eu percebi que estava realmente errada. Eu me conheço muito melhor agora, e isso significa que já não estou com medo, sou muito mais forte e eu posso encontrar pessoas abertas.

O fato de Benny e eu não sermos verdadeiramente comunicativos foi uma razão importante para o nosso divórcio, naturalmente além de algumas outras razões. Foi apenas durante as últimas quatro semanas que ficamos juntos que realmente conversamos. Tive a sensação de que foi a primeira vez. É estranho, mas você vê que acontece mais quando os relacionamentos chegam ao fim. É como se de repente você percebesse que vai perder alguma coisa, e quer colocar as peças no lugar certo no último minuto. Também é importante saber porque isso acontece. De outra forma isto vai se arrastar. Isso significa que os parceiros têm de falar a sua opinião, algo que aparentemente não foi possível durante o relacionamento. Eu às vezes comparo isso com pessoas que estão morrendo. Você ouve muito que elas usam suas últimas horas para mostrarem sinceridade.

Para mim, um divórcio é como morrer um pouco. Talvez por isso é que tivemos boas conversas naquelas últimas semanas. Para ser honesta, foi o melhor período do nosso casamento. Eu não tenho arrependimentos. A decisão continuou a ser a mesma depois dessas quatro semanas. Mas o resultado é que Benny e eu ainda somos bons amigos. Foi um bom divórcio, na medida em que você pode chamar um divórcio assim. A tristeza permanece, mas você pode tornar isto mais fácil em outros aspectos. Fizemos exatamente assim e eu estou feliz por isso. Benny e eu ainda podemos falar sobre coisas íntimas, bons momentos que tivemos juntos.

Essas são emoções que você só partilha um com o outro, algo que você não pode falar com outra pessoa. Se você não pudesse nunca falar sobre isso novamente, se não houvesse amizade ao lado disso tudo, essas coisas pareceriam nunca ter acontecido. Como se nunca houvesse tido um casamento. Depois do meu divórcio de Benny eu tive muito apoio dos amigos. Eles preencheram o vazio e fizeram-me confiante de que eu não deveria caminhar para um novo relacionamento imediatamente. Eu não acho que teria feito isso sem meus amigos. Eu não seria do jeito que sou agora. É por isso que a amizade significa muito pra mim. Claro, quando você ama muito alguém com quem você é capaz de partilhar sua vida, essa é a melhor coisa que existe. Mas relacionamentos como esse são mais raros do que bons amigos. Meus amigos foram sensíveis o suficiente para não ficarem tristes comigo, eles me empurraram para a frente. Eles deram-me a segurança para não desistir. Isto me fez gostar deles mais do que já gostava."

"Eu divorciei-me duas vezes na minha vida, e isso não aconteceu em vão. Isto fez-me pensar. Sobre o mundo à minha volta e sobre eu mesma. De alguma forma acredito em destino, que há um sentido para as coisas que acontecem. Não que você possa sentar em uma cadeira e esperar o que está vindo para você, não, você tem que trabalhar a si mesmo. Tentar criar algo de positivo em vez de negativo. Você tem que lutar por coisas na vida que realmente deseja. O meu objetivo é saber o máximo possível sobre mim, conhecer-me. Saber porque estou aqui. Vou ter de trabalhar a minha vida inteira para chegar lá, e ainda nunca chegarei. Terei morrido antes de chegar a isso. Não, isto não é idealismo. Todo mundo deveria explorar isto, para viver conscientemente. Ser feliz com as pequenas coisas. No momento sou bem sucedida. Eu consegui tudo o que eu sonhava quando criança. Sou uma mulher rica, tenho dinheiro, dois filhos fantásticos e grandes amigos. Quando se trata de coisas grandes eu não tenho críticas. Isso é exatamente o que me faz regressar aos detalhes. Para valorizar as pequenas coisas do jeito que nunca fiz no passado. Isto me dá muito mais na vida. É a hora de conscientização. A principal vantagem de ter dinheiro é que ele me dá tempo para pensar em outras coisas. No passado eu estava ocupada lutando pela minha sobrevivência. Agora não mais. Eu tenho o tempo para aprender sobre mim mesma. No momento este é o principal valor da vida para mim, isto me faz feliz. Na verdade, eu não sou tão solitária como muitas pessoas pensam. Estou sempre dizendo isso, mas as pessoas não ouvem bem o suficiente. Ou talvez elas achem que é mais interessante que eu seja solitária. Nesse caso, eu tenho que decepcioná-las. Acredite ou não, estou realmente muito feliz. É nesse sentido que eu encontro minha existência muito satisfatória no momento.

O verdadeiro sentimento de felicidade é apenas um pequeno momento, uma coisa fugaz. Pode acontecer de forma totalmente inesperada. Você pode de repente ter este sentimento caloroso, que faz você se sentir no topo do mundo. Mas não pode ser mantido. Isso é necessário ou não. Um breve momento é o suficiente, você pode viver com isso por um longo tempo. Sei que para muita gente ser feliz significa ter uma família. Eu vivo sozinha e essa é a razão pela qual as pessoas supõem que sou solitária e infeliz. Para mim é mais importante encontrar harmonia em mim mesma, e que à minha volta existam pessoas que me amem e me entendam. Isso não tem que ser uma família. Eu não tenho medo de viver a minha vida sozinha. É um medo que muitas pessoas têm. A família dá um sentimento de pertencer, algo para se apoiar e que ninguém pode tirar. Infelizmente isto muitas vezes acaba sendo uma ilusão. Eu não tenho essa urgência de me entregar, nunca tive. Se acontecer, pode ser fantástico, mas você não deve correr atrás disso. Eu vivo a minha própria vida e isto me faz feliz. Talvez tenha a ver com o fato de que eu nunca tive a minha própria família, e tive pouco disso com os meus filhos também.

Quando eu me divorciei do meu primeiro marido, as crianças tiveram que ficar com ele, porque eu não podia ir pra qualquer lugar. Quando Benny e eu estávamos juntos, nunca chegamos a ter uma família. Evidentemente meus filhos vinham visitar-me, mas foi no início do ABBA. O início de um circo que nos levou pelo mundo todo. Lotta e Hans viajavam conosco ocasionalmente, mas você não poderia chamar isto uma vida familiar normal. Uma família onde a mãe deixa o jantar pronto à noite, quando o pai chega em casa do trabalho. Eu nunca conheci esse tipo de vida, e não creio que eu pudesse vivê-la. Meus filhos não poderiam também. Não importa o quão estranha a vida com o ABBA foi, eles a aproveitaram. Eles viveram entre pessoas que cuidavam umas das outras, que foram amigáveis e os tratavam como adultos, não como crianças. Foi uma grande família. No total ela durou dez anos, e nenhum de nós iria querer sentir saudades dela, incluindo Lotta e Hans. Nós nos sentimos afortunados por termos podido experimentar isso."


(Fonte: ABBA Articles - Publicado na revista holandesa Libelle em 1984)

domingo, 17 de maio de 2009

B&B de volta ao pop













Nova canção de Benny & Björn para site do Hotel Rival

A nova canção para o brevemente reinaugurado site do Hotel Rival chama-se "2nd Best to None" e é cantada pelo quadro de funcionários do hotel Rival. "Nós não fazemos nenhuma canção pop há um longo tempo", disse o músico. Andersson teve a idéa de gravar 2nd Best To None em setembro do ano passado, no quinto aniversário do Hotel Rival, ocasião em que os funcionários se reuniram. "Eu percebi que pelo menos 20 deles estavam cantando em coros amadores em Estocolmo", ele disse. "Perguntei-lhes: vocês querem que eu escreva uma canção para vocês para colocar em nossa homepage? Eles disseram sim e foi o que fizemos. "Eu perguntei a Björn se ele gostaria de escrever as letras, e nós a gravamos com o pessoal. Nós a lançamos como single também. Foi divertido e foi bem cuidado pelo pessoal do hotel mais do que qualquer outra coisa."

Story of a Heart - nova canção pop e novo álbum em inglês da banda Benny Andersson

A data de lançamento de 6 de julho de 2009 está definida para o novo álbum "Story of a Heart" - não pela orquestra de Benny Andersson ou mesmo Benny Anderssons Orkester, mas pela "The Benny Andersson Band", trazendo uma nova composição pop de Benny Andersson e Björn Ulvaeus cantada por Helen Sjöholm. A nova faixa (Story of a Heart) foi gravada por uma dos vocalistas do grupo, Helen Sjöholm, e vai aparecer ao lado de músicas folk que já foram lançadas na Suécia. Björn Ulvaeus escreveu as letras originais em sueco, e ele está traduzindo para o Inglês para o lançamento no Reino Unido em 6 de julho. "É uma boa expectativa poder ser capaz de lançar o tipo de música que venho fazendo durante os últimos 10 anos, que é orientada no folk", disse Andersson. O grupo irá também apresentar o seu primeiro concerto em Inglês no Hampstead Heath, Londres, em 4 de Julho.

A trilha sonora da minha vida: a estrela do ABBA Benny Andersson diz a Craig McLean quais são os seis álbuns que têm um significado muito especial para ele...

O primeiro disco que comprei...
Elvis Presley, Jailhouse Rock (1957)
Na Suécia não tínhamos rádio comercial na época. Mas era esta estação pirata no Báltico, Rádio Nord. Não tenho certeza se o ouvi lá, mas as pessoas com certeza falavam sobre esse rapaz. E eu percebi que havia algo que eu não havia ouvido antes. Especialmente a irreverente "Treat Me Nice", porque ela começa com algo no piano - Eu comecei piano um ano antes.

A minha introdução à melodia...
Mantovani, Film Encores (1957)
Por alguma estranha razão quando eu tinha 12 ou 13 comprei este. Haviam muitas maravilhosas nele: Laura, Limelight, Three Coins in the Fountain. Você sabe que Mantovani é assim: cordas e toneladas de reverberação. Portanto não muito rock'n'roll. Eu aprendi todas essas canções e foi o que me tornou melódico. A essência da boa música para mim sempre foram boas melodias.

Memórias do meu primeiro apartamento...
Rattviks Spelmanslag, Gardeby Laten (1950)
Eu tinha 18 anos e uma morada em Estocolmo. De manhã eu ia buscar o meu pequeno gramofone portátil e tocava este. Todas as aldeias no norte tinham o seu próprio "spelmanslag", grupos de violinistas, e Rattviks era uma dessas cidades. Tocava Gardeby Laten todas as manhãs no meu novo apartamento para ficar de bom humor. Eu sempre estive sintonizado na música de violino, a essência do folk sueco.

Como todas as músicas estão ligadas...
Le Mystere des Voix Bulgares, Sableyalo Mi Agontze (1986)
Eu estava sentado no carro talvez há 20 anos e essa música tocou no rádio. O que é isso? É como ovelhas! Era realmente uma coisa natural, mulheres cantando músicas conhecidas a época que seus avós estavam crescendo. Música folk da Bulgária não tem exatamente a mesma linguagem do folk sueco, mas há algo nela que faz você grudar. Todas as músicas folclóricas são mais ou menos ligadas.

A prova de que o pop não morreu...
Alanis Morissette, Jagged Little Pill (1995)
Ouvi muito isso quando foi lançado, nessa época eu não estava mais escrevendo canções pop. Era uma recordação do sólido pop dourado, de uma mulher fantasticamente talentosa com boa composição e uma grande voz, e um álbum muito bem produzido por Glen Ballard. É um dos 10 melhores álbuns da minha vida quando se trata de música pop, ao lado de Rumours e Hotel California.

O espírito do pop sueco...
Robyn, Robyn (2005)
Robyn é uma grande artista. Ela tinha 16 anos quando começou e se transformou de imediato uma grande estrela na Suécia. Ela era uma menina agitada no meio de tudo o que existia, sem ser uma camaleoa como Madonna. Ela ainda tem seu próprio estilo, o tempo todo. Tocamos durante a abertura do meu hotel, o Rival, em Estocolmo - Toquei piano e ela cantou a sua canção "O Baby". Ela sabe atuar em conjunto.

(Publicado em 17 de Maio de 2009 no jornal britânico "The Observer" e no site "Guardian")

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Agnetha & Frida em 1975

Metade do ABBA está sentada à minha frente com as mãos no colo. Agnetha Fältskog está vestida em um brim azul com flores dançantes. Sua loiro e longo cabelo cai sobre seus ombros. Com a sua pele saudável e seus claros olhos azuis ela é a típica garota sueca. Anni-Frid Lyngstad, de calças brancas e uma blusa branca, tem um olhar mais perigoso. Seus olhos brilham, às vezes eles parecem felizes, por vezes melancólicos. Seu cabelo vermelho-marrom se espalha ao redor da sua testa. Nós estamos sentados e discutindo sobre a outra metade do ABBA, Benny Andersson e Björn Ulvaeus. Björn é casado com Agnetha e Benny vive com Frida. Como é que eles podem viver e trabalhar juntos?

Frida: Às vezes você não está de bom humor ou mesmo irritado, mas está tudo OK. Assim como em uma família. E nós estamos sempre de bom humor quando estamos nos apresentando. Você tem tantas outras coisas para se concentrar depois. Você não tem tempo para ficar irritado.

Agnetha: Björn e eu brigamos muito mais antes, mas isso foi provavelmente porque não nos conhecíamos muito bem. Penso que o mesmo acontece com o grupo. Aprendemos a aceitar e tolerar as diferenças um do outro. Frida e eu somos temperamentais, com grandes oscilações de humor. Mas geralmente não ficamos irritadas por muito tempo. Podemos ficar deprimidas às vezes e isto é uma coisa engraçada porque geralmente acontece comigo e com ela ao mesmo tempo.

Frida: É estranho, mas eu fico mais deprimida agora do que antes do Eurovision Song Contest (quando eles venceram com Waterloo). Agora a pressão é maior. Temos de trabalhar muito mais tanto na Suécia como no exterior.

Agnetha: Sim, temos de trabalhar mesmo quando estamos doentes. Durante a longa turnê européia no verão passado, cancelamos apenas um show. Foi quando Frida teve uma infecção de garganta muito forte e não conseguia cantar tudo.

Frida: Espere, não estamos tristes o tempo todo. Temos muitos bons momentos nisso tudo. E nós não sentimos que o sucesso veio muito cedo ou muito facilmente. Nós, os quatro, trabalhamos arduamente no mundo da música por muitos anos. Mas é claro que você se cansa de si mesmo às vezes. Quero dizer que neste trabalho você olha para si próprio no espelho o tempo todo. Você tem que procurar o melhor de si. E ainda por cima você vê seu rosto em quase todos os jornais quase o tempo todo. Às vezes eu realmente quero mudar minha aparência - criar uma nova Frida.

Agnetha: Sim, não é muito revigorante estar em turnê. Você fica nervosa, sua pele, o cabelo, tudo parece terrível. Principalmente por causa da falta de sono, eu acho. É muito difícil estar na estrada. Às vezes penso que é um preço muito alto que não vale a pena.

Frida: Nestas situações é importante que fiquemos juntos e mantenhamos alto o nosso astral. O sentimento de segurança no grupo é fundamental, tem de se tornar o seu lar. Mas este verão será diferente. A turnê folkpark foi cuidadosamente planejada. Começaremos no Midsummers Day (21 de junho) em Skelleftea (na parte norte da Suécia) e em seguida, nós trabalharemos do nosso jeito na parte sul. Durante 17 dias faremos 14 concertos. Isso significa que teremos três dias de folga. Estou realmente ansiosa para encontrar o público folkpark novamente. Nós ainda não nos encontramos desde que nos tornamos ABBA.

Agnetha: Agora com todo o sucesso e atenção que estamos recebendo as cobranças sobre nós são maiores. Björn e eu estamos casados desde 1971 e costumamos passar nossos verões com a nossa filha Linda (ela tem dois anos e meio agora) na ilha do arquipélago de Estocolmo. Benny e Frida também têm uma casa na mesma ilha, não muito longe de nós. Eu sempre me sinto muito culpada quando estou longe de Linda. Temos uma babá que fica com ela quando estamos longe. E eu sempre prometo a mim mesma que quando chegar em casa vou passar todo o meu tempo com ela. Mas isso nunca acontece, eu tenho tantas outras coisas para fazer, mesmo quando estamos em casa. Mas às vezes eu sento com Linda ao piano e nós cantamos e tocamos juntas.

Frida: Quando se trata das crianças, pra mim foi um pouco mais fácil do que para Agnetha, eu acho. Quando eu divorciei-me do meu marido eu não sabia para onde ir pois ele tinha a guarda das crianças. Hans agora tem 12 anos e Lise-Lott tem 8. O momento mais difícil da minha vida foi quando tive de deixar os meus filhos. Mas eles sempre foram muito felizes com o pai. E agora eles visitam-me sempre que podem. Benny tem dois filhos do casamento anterior, Peter com 11 e Helene com 9 anos. Seus filhos nos visitam regularmente também e assim somos ocasionalmente uma grande família.

Agnetha: As crianças de Benny e as da Frida vêm para nossa casa na ilha e realmente cuidam bem de Linda.

Frida: Eles cantam muito juntos. Hans tem uma voz maravilhosa. Lotta é mais uma ouvinte, eu acho. No momento ela está escrevendo um pequeno livro.

Agnetha: Frida e eu somos muito diferentes no palco. Eu sou mais tímida, algo que tenho que trabalhar muito em mim. Mas eu acho que é mais fácil em um grupo como o ABBA, onde nos conhecemos muito bem. E somos sempre muito bem recebidos quando nos apresentamos, e isso ajuda muito quando você é tímido.

Frida: Eu adoro o palco. É o momento mais feliz da minha vida quando estou lá. No palco estou completamente aberta e disposta a dar tudo de mim. É tão maravilhoso interagir com o público. Mas na minha vida privada é muito diferente. Eu não gosto ser reconhecida na rua.

Agnetha: Acho que é algo que você tem que aprender a conviver. Odeio quando estou comprando mantimentos e vejo como todos em volta de mim observam exatamente o que estou comprando.

Frida: Eu percebi que desde que conquistamos o sucesso até mesmo algumas pessoas que você achava que eram suas amigas começaram a nos tratar estranhamente. Eu realmente odeio quando as pessoas estão sorrindo com as suas bocas, mas seus olhos são muito, muito frios.

(Publicado na revista Veckan em 5 de Junho de 1975)

terça-feira, 12 de maio de 2009

Quanto de Agnetha ficou depois de anos no ABBA?

Agnetha Fältskog, 28. Uma dos quatro no ABBA. Agora ela e os outros membros do ABBA estão promovendo seu mais recente álbum "Voulez-Vous" em turnê mundial. Agnetha entrou na música ainda com 17 anos. "Jag var så kar" era o nome da canção que entrou para o terceiro lugar na Svensktoppen. A partir daí as coisas apenas começaram a acontecer. Aqui Agnetha fala de coração aberto sobre a sua vida como uma mulher e estrela do rock, sobre as viagens e sobre o público. E sobre o pior concerto até agora...

Você também ouviu os rumores de que você e Frida retomarão suas próprias carreiras e sobre o fim do ABBA?
- Sim, mas isso é totalmente impreciso. Estamos tentando manter o ABBA junto em vez disso.

Sem planos para uma carreira solo?
- Afinal chegará o momento para o ABBA parar. Em nossa próxima turnê vamos nos apresentar mais individualmente. Frida gosta de dançar e eu escrevo canções. Talvez seria divertido fazer algo meu.

O último LP que você fez foi "Elva kvinnor i ett hus". Você mesma escreveu as canções (exceto SOS) juntamente com Bosse Carlgren. Como você dividiu o trabalho?
- Eu componho a melodia e depois escrevo as letras em Inglês. Bosse escreve uma versão sueca das letras.

Então você prefere escrever em Inglês?
- Sim, é melhor desse jeito. Não sei porquê. É uma sensação mais natural.

Você continua a escrever músicas?
- Sim, se eu tiver tempo. ABBA toma bastante o tempo e a família também. Mas eu continuo a escrever. Haverá um novo LP que lançarei com uma canção que escrevi. É uma coletânea, "Tio år med Agnetha".

Não era pra ter sido lançado no ano passado?
- Sim, mas foi adiado já que as gravações com o ABBA foram adiadas. Será fianlizado neste verão. O nome da nova música é "När du tar mig i din famn". Escrevi-a em Inglês, mas gravei em sueco como as outras canções.

Quando ABBA parar um dia no futuro, você vai continuar a gravar músicas em sueco?
- Se eu fizesse um LP como uma artista solo e cantasse em sueco, então o outro público não seria capaz de escutá-lo. Além disso, é melhor cantar em Inglês.

Você tem tempo para compôr?
- Quando estou em turnê com ABBA eu não tenho todo o tempo livre. A essa altura estamos viajando todo dia e à noite há um show de duas horas. E aí você não pode dormir porque você está muito tenso. Você sai para comer e não vai para a cama tão cedo. Você não pode ir para a cama e dormir como um tronco de árvore.

Quanto tempo você se prepara antes de um show?
- Cerca de 2-3 horas. Então eu preciso de coisas à minha volta para ficar tranqüila e calma. Você tem que preparar a si mesmo para se manter em forma. Correr nos bosques ou algo semelhante.

Então você precisa estar em boa forma como uma atleta?
- Sim, você precisa. Mas não sempre.

Não é difícil estar no palco algumas vezes?
- Sim, se você tem problemas pessoais pode ser difícil se concentrar. Você pode estar doente ou não se sente bem e transparece isso. Pelo menos eu penso assim. Não sei se o público observa isso.

Qual foi o seu show mais difícil?
- Em Malmö Folkets Park. Eu tive uma febre de mais de 39,5 graus por dois dias e eu tive que tomar antibióticos que me deixaram exausta. Cinco minutos antes do show eu ainda não tinha me maquiado. Eu estava chorando. Foi a pior experiência que eu tive. Mas você não pode decepcionar o público. Eles compareceram para ouvir ABBA. Talvez não seja uma boa idéia entrar no palco com febre, mas você tem que ir. Você não pode simplesmente cancelar.

Como você se prepara antecipadamente para um grande show como este?
- Nós começamos a ensaiar em maio. Então temos tempo livre em junho e julho e em seguida nós ensaiaremos todo o mês de agosto e uma grande parte do mês de setembro. Em 15 de setembro começa a nossa turnê nos Estados Unidos e no dia 19 de outubro nós estaremos em Gotemburgo e em Estocolmo no dia seguinte.

Como ensaiar cuidadosamente? Há espaço para improvisações no ABBA?
- Nós nunca temos uma coreografia que temos de seguir. Assim seria muito monótono. Algo está sempre acontecendo.

Mas ABBA sempre foi criticado por ser demasiado perfeito, monótono e comercial. Segundo os críticos ABBA é uma máquina sonora. Vocês se preocupam com as críticas?
- Não, não particularmente. Você aprende, senão isto quebra você se você leva tudo que é escrito para o lado pessoal. Claro que você não se sente bem se escrevem algo negativo, mas de alguma forma é fácil rejeitar isso agora.

Porque o ABBA é tão criticado?
- A inveja sueca. Muitas vezes as pessoas esquecem que há um trabalho árduo por trás disso. Eles acham que você pode ficar preguiçoso quando muito dinheiro começa a entrar, mas não é assim. Essas pessoas não sabem e não têm idéia de como é preciso muito trabalho.

Há muitas cobranças sobre o ABBA atualmente. Cada show, cada gravação tem que ser melhor que a anterior. Você sente dessa maneira?
- Pelo menos vejo diferente, e isso é difícil também.

E como é que este trabalho funciona quando você é uma mãe sozinha ao mesmo tempo?
- É difícil. Infelizmente isso é uma grande desvantagem neste trabalho.

Você traz as crianças quando está em turnê?
- Não, só quando estamos em Londres. É por uma semana e assim as crianças podem ficar lá também. Não funciona se nós viajarmos todo dia.

Quem você acha que é o público do ABBA?
- Acho que temos um público amplo. Há um fosso entre os 17 e os 25 anos, eu acho. Segundo algumas pesquisas. Mas sabemos que somos populares. Nós vendemos discos e há uma cobrança sobre nós.

O que você quer destacar quando se trata de ABBA?
- Trabalhamos com sentimentos. Nós também nos comunicamos com as letras. Muitas das letras no Voulez-Vous são muito pessoais. E por isso sentimos que é injusto sermos acusados de máquinas. Não vejo a nós dessa forma. Um monte de coisas acontece emocionalmente no palco, no estúdio e privativamente. E você observa isso ouvindo as gravações.

Existe ali algo da vida privada, quando vocês são parte do ABBA?
- Claro, completamente na verdade.

Mas os tablóides escrevem algo novo a cada semana?
- As revistas escrevem artigos sem nos perguntar, sem tomarmos parte nisso, e então eles podem errar. Eu sou contra a leitura de tablóides, mas não posso fazer nada sobre isso.

Os problemas da sua vida privada afetam a qualidade das gravações?
- Sim, eu gostaria de saber se o álbum saiu melhor por causa disso. Mas o que aconteceu foi para melhor e isto agora é passado. Mas aqueles que pensavam que o ABBA acabaria depois do divórcio estão errados. Trabalhamos melhor do que nunca agora.

Quanto de Agnetha ficou depois de todos esses anos com o ABBA? Você não atende o telefone dizendo ABBA em vez de Agnetha?
- Não, eu não. Você é constantemente lembrado disso. Eu mesma posso esquecer disso. Mas em casa eu nunca ouço nossas músicas ou vejo nossos vídeos. Eu posso ouvir o que fizemos por algum tempo para ver como soa, mas não mais do que isso.

Você não escuta suas músicas antigas?
- Não. Outro dia alguém me disse que eu tinha feito a música "Tio mil kvar till Korpilombolo". Eu realmente não a ouço desde que a gravei. É fantástico que alguém tenha lembrado. Mas eu ainda componho, se eu tiver tempo sento ao piano. Mas eu não tenho tempo. Benny e Björn compõem as canções para o ABBA e não há nada de errado com essas músicas. Muito pelo contrário. Voulez-Vous é um dos nossos melhores álbuns.

Então você gosta de Voulez-Vous?
- Sim, é um dos melhores que fizemos. Eu entendo porque muitos acharam que o "The Album" - o último álbum - foi muito difícil. Este mini-musical nós trabalhamos bem no palco, mas não ficou tão bom no álbum.

E haverá um novo LP com ABBA no próximo ano?
- Espero que sim. Björn e Benny já começaram a trabalhar nele. Se você interrompe fica mais difícil começar novamente.

Nome: Agnetha Fältskog.
Idade: 28.
Onde vive: Em uma casa em Lidingö.
Fuma: Sim, infelizmente.
Bebe: Às vezes.
Renda: Sim.


Fonte: Agnethaarchives - Por Lasse Hallgren (Publicado no jornal Aftonbladet em 27 de Maio de 1979)

sábado, 9 de maio de 2009

Agnetha em inauguração da boutique Louis Vuitton

No último dia 6 de Maio Agnetha Fältskog compareceu à inauguração da famosa boutique Louis Vuitton, em Estocolmo, ao lado da amiga inseparável Lolo Murray (que por sinal foi quem produziu as fotos para os álbuns "Wrap Your Arms Around Me" e "Eyes of a Woman"). Na foto acima Agnetha está ao lado de Micael Bindefeld, organizador da festa.

Exibindo um belo visual, bem natural e discreto, a loira surpreende pela beleza no auge dos 59 anos, assumindo com dignidade os efeitos naturais do tempo. Linda, sempre linda, mais linda ainda ao mostrar-se como realmente é, sem recorrer à plásticas (evidente que ela vem fazendo algo na área da estética, mas nada radical).

E o melhor é ver que Agnetha hoje é uma mulher bem mais segura e feliz do que nos anos 90, talvez pelo fato de ter se culpado por não ter podido dar tudo de si pelos filhos por causa do trabalho e hoje ela possa dedicar-se totalmente a eles e às netas Tilda e Esther, que representam para ela o ideal materno que como mãe devotada que sempre foi, não pôde concretizar no passado.

Em paz consigo, livre de culpas, de medos e linda: essa a Agnetha hoje. Este sorriso vale infinitamente mais do que um único verso cantado por sua bela voz...






























































sexta-feira, 1 de maio de 2009

Agnetha no estúdio em 1984

Esta é uma entrevista com Staffan Dopping para e Rádio Estocolmo no outono de 1984, quando ele visitou Agnetha e Eric Stewart no estúdio Polar Music, onde estavam gravando o álbum "Eyes of a Woman".

O tempo esteve ruim o dia todo, e agora a chuva diminuiu. Mas nós esperamos que alguma música seja feita que traga tanto alegria quanto algum dinheiro. Eu atravesso a recepção. Aceno com a cabeça um pouco indiferente como costumo fazer, e continuo rumo ao grande estúdio. É muito escuro aqui e eu posso ouvir música. Duas pessoas estão sentadas em frente à mesa de mixagem e eu acho que reconheço a mulher, então eu ando até lá.

Olá, eu sou da Rádio Estocolmo, espero não estar interrompendo alguma coisa...
- Oi Estocolmo!

Agnetha Fältskog! Oi, o que você está fazendo?
- Estou gravando um novo álbum.

Muito sábio da sua parte, já era tempo. O último teve um bocado de sucesso! (risos) Agora é a hora de você fazer algum dinheiro aqui. Este estranho aqui no escuro, quem é ele?
- É o meu produtor, o seu nome é Eric Stewart, do 10cc.

Como vai, Eric Stewart?
- Como vai, Estocolmo?

Você gosta da Srta. Fältskog aqui?
- Eu gosto dela? Bem, não posso falar a você sobre coisas desse tipo.

Está certo. Esta xícara de café aqui é minha?
- Acho que sim, uma delas (diz Agnetha).

Como você sabe eu realmente gosto de café e pensei que teríamos copos juntos aqui no estúdio Polar. Até que ponto você chegou com o álbum?
- Nós fizemos 14 ou 15 músicas de fundo em 14 dias e agora nós começamos a gravar os vocais, finalizei duas canções agora e estamos no meio da terceira hoje.

Como é que você começa a decidir quando se trata da escolha das músicas, eu suponho que você não aparece aqui apenas quando é hora de gravar os vocais.
- Eu estou aqui o tempo todo. Estou sempre aqui quando gravamos as músicas de fundo porque gosto de dar minha opinião. É aqui que você decide o que será fundamental na canção. É como dar à luz a um bebê todo o tempo.

Isso é maravilhoso! (risos) Esta é muitas vezes a prática para gravar mais músicas do que realmente cabem em um álbum? Vocês fazem isto apenas no caso de algumas delas não serem tão boas como o restante das músicas, assim vocês podem eliminá-las depois?
- Desta vez nós temos 15 músicas de fundo e acho que serão 11 ou 12 músicas no álbum. E o restante das canções serão utilizadas como lado-B nos singles.

Como você escolhe as músicas, quem as compõe, como é que tudo acontece para se obter o material certo para a escolha?
- Bem, não é só eu quem escolhe. Tivemos a sorte de obter várias fitas demo de todo o mundo. Pessoas que escreveram canções para mim, e isso é algo que me faz realmente feliz e agradeço por isso. Então eu escolhi algumas e Eric escolheu outras e Stikkan Anderson também, que escuta as músicas e comenta sobre as mesmas.

Quem são os compositores, pode me dar alguns nomes?
- É o nosso técnico, Paris Edvinsson, ele tem uma canção escrita por exemplo.

Você compôs alguma canção para este álbum?
- Sim, eu compus duas canções e acho que eles vão incluí-las no álbum, e Eric tem uma que estará no álbum, eu acho. E depois há várias músicas de diferentes compositores que contribuíram.

Desconhecidos?
- Bem...

Você tem algumas folhas aqui na sua frente: "Just One Heart".
- Estamos gravando essa canção hoje, e ela se chama exatamente "Just One Heart". Foi escrita por Paul Muggleton e Robert Noble.

Quem são eles?
- Eu realmente não sei! (risos)

Como esta canção soa, você pode cantar um pouco para mim?
- (cantando) A corrida da febre na cidade (grande gargalhada). Ela irá soar muito melhor quando for concluída.

Bem, nós certamente esperamos isso! (risos) Agnetha Fältskog, esta é a primeira entrevista em sua vida, eu acho, em que não vamos compará-la a Anni-Frid Lyngstad.
- Oh, que alívio! Já era tempo!

Sim, isso deve ser bom para você. Qual é o som, podemos ouvir mais algo? (um trecho da faixa de apoio de "Just One Heart" é tocado). Então essa é a música ao vivo apenas parcialmente mixada, no estúdio Polar. Esta é "Just One Heart"?
- Sim, é ela.

Quem são os músicos?
- Contamos com alguns músicos ingleses que Eric escolheu. Você quer que eu lhe diga todos os nomes?

Não, você não precisa fazer isso!
- Os músicos na maioria são ingleses e alguns suecos como Rutger Gunnarsson que toca baixo.

O favorito da Polar Music - Rutger Gunnarsson!
- Sim, ele e eu somos os únicos que trabalhamos juntos antes. Portanto, todos os outros são novos para mim. O trabalho está progredindo bem e estamos tendo um momento maravilhoso!

Alguém, foi Mike Chapman, quem produziu o álbum anterior? E agora é Eric Stewart. É o produtor quem faz o som do álbum tão especial? Será que é tão importante? E por que você alterou o produtor mesmo que o anterior tenha feito um excelente trabalho?
- Nem todo mundo muda de produtor de gravação a gravação. Mas é excitante experimentar diferentes produtores e eles têm a total responsabilidade pelo álbum que está seqüenciando o anterior. E eu nunca poderia ser minha produtora, porque sou crítica em relação a mim e iria mudar tudo que faço mais e mais.

Então eles têm que pará-la?
- Sim, Eric parou-me ontem por uma coisa que eu queria mudar. Isso é o que faz um produtor e um monte de outras coisas também, claro.

Quantas cópias seu último álbum vendeu?
- Cerca de 1,2 milhão de cópias.

Isto significa muito para você, que o álbum seja um sucesso ou não?
- Significa mais que eu sou capaz de fazer o que gosto de fazer melhor, e eu realmente adoro estar neste estúdio trabalhando. Portanto, se o álbum vende um ou dois milhões de cópias não importa.

Um ou dois milhões? Como você é modesta! Soa como uma mulher que diz "Eu não me importo com o que meu marido faz, se ele é o rei ou um presidente"! (risos)
- Talvez isto soe mal, mas o que eu quis dizer é que o número não significa nada, não é algo que você está pensando quando está trabalhando.

Mas certamente você deve sentir alguma pressão?
- Sim, definitivamente, mas não em termos de quantas cópias o meu álbum vai vender. A pressão que experimento é que eu quero fazer um trabalho melhor o tempo todo.

O que no último álbum, "Wrap Your Arms Around Me", foi a melhor coisa que você quis continuar a desenvolver neste novo álbum?
- Eu acho que foi a satisfação de voltar a trabalhar como cantora solo novamente. Poder ser capaz de cantar em vários estilos diferentes. Eu permito variar a minha voz muito mais. Eu posso cantar tanto baladas quanto músicas mais agitadas, um pouco rock.

(Toca "Can't Shake Loose")

Esta foi uma das músicas do último álbum que foi lançado há dois anos. Mas esse foi o álbum anterior. A propósito, Agnetha, qual é o nome do novo álbum?
- Nós ainda não decidimos o título, mas achamos que será "Eyes of a Woman", que é a música composta por Paris.

Uma mulher de gelo?
- Não, uma mulher de olhos! (ambos riem)

Oh, eu sei, me desculpe. E são seus olhos, não?
- Claro, tem que ser.

Eric Stewart, você está de pé com as mãos nos bolsos. Parece uma vida fácil produzir este álbum?
- É uma delícia sim.

Você foi um dos membros do 10CC. Hoje você é essencialmente um produtor, correto?
- Sim, estou mais produzindo, trabalhando com outras pessoas em seus álbuns.

Fale sobre Agnetha Fältskog em 30 segundos!
- Em 30 segundos? Ela é uma moça muito bonita, ela tem uma voz maravilhosa, ela escreve músicas muito boas e eu realmente estou gostando de fazer este álbum com ela aqui em Estocolmo. Este realmente será um álbum fabuloso.

Você naturalmente escutou seu primeiro álbum solo. O que você achou dele?
- Achei que a voz dela era grande, mas penso que a escolha de parte do material era muito pobre.

Que música você gosta mais?
- O single, que foi "The Heat Is On" e eu gostei da canção da própria Agnetha "Man". Uma bela balada, uma canção de amor muito boa, belas letras, o tipo de coisa que todo mundo gosta de ouvir e compreender.

Você tem trabalhado aqui no estúdio há umas duas de semanas. Como é que você começa junto, como você coopera? Como é a música que vem junto?
- Nós trouxemos mais músicos da Inglaterra. Trabalhamos por três semanas dia e noite até que completamos todas as faixas de apoio. E todos deram idéias, temos idéias do engenheiro, Paris, e temos idéias de Agnetha acrescidas das minhas próprias idéias de produção. É como uma reação química de pessoas que trabalham em conjunto. E eu estou realmente nocauteado neste estúdio aqui.

O que é tão especial nele?
- Ele apenas tem um grande som, muito, muito natural, som ao vivo. Boa engenheiros e uma atmosfera encantadora. Todo mundo que trabalha aqui, não apenas na sala de controle. As pessoas do escritório, as garotas da recepção. É apenas uma equipe muito boa e feliz. Estou muito contente por estar aqui.

Não sente falta da luz do dia, é quase como um porão aqui?
- Nós começamos a ficar com essa cor cinzenta depois de algumas semanas, mas Paris reservou para a nós um solário, então vamos para um solário com uma grande dama finlandesa, não Agnetha, não! Alguns grandes jogadores finlandeses vão nos dar uma massagem.

Se o álbum vender menos de dois milhões de cópias, você vai ficar desapontado?
- Eu ficaria muito desapontado e surpreendido, porque nós temos cerca de cinco canções potenciais de sucesso aqui.

E você está sendo sério agora?
- Sim, eu sou muito sério. Vai ser difícil escolher as músicas porque temos tantas e como Agnetha disse, temos faixas escritas por compositores maravilhosos do mundo todo. E nós tivemos pessoas que pediram para compor especialmente para este álbum e para Agnetha. E estamos muito surpresos e felizes pela reações que tivemos destes grandes compositores.

Obrigado, Eric Stewart!
- Obrigado!

No meu lado direito está sentado Paris e ele está mixando uma faixa. O quanto você é importante nisso? Eles disseram-me que você é importante.
- Eu estou tentando contribuir com tudo que eu puder.

Até que horas você trabalha à noite?
- Costumamos ir em até meia-noite, uma hora ou mais.

Agnetha, sobre a matéria do tablóide. É verdade que você requereu uma adesão ao Stadsteatern (Stockholm City Theatre)?
- Não, onde você ouviu isso?

Você aderiu ao boicote aos tablóides.
- Sim, apoiei-o com todo o meu coração.

Você começou o boicote há uns dois anos atrás, não é mesmo?
- Não acho que fui eu quem começou. Foi Anders Wall que estava farto e que me fez finalmente reagir. E espero que ele faça a diferença. É realmente um lado triste dessa profissão, eu acho.

Quando o álbum estiver concluído você vai voar para promovê-lo ou vai ficar em casa em sua cadeira de balanço e deixá-lo vender por si mesmo?
- Bem, eu não sei como vou fazer desta vez. Nós estamos debatendo isso já que eu não vou mais voar.

Está completamente determinada a não voar novamente?
- Sim, infelizmente eu estou. E é realmente triste porque me limita. Não apenas quando se trata de promover um álbum, mas também na minha vida privada. Eu não posso viajar para qualquer lugar nas minhas férias.

Que triste pra você!
- Sim, mas posso pegar o carro. Eu dirijo para a França e a Itália depois.

E você não está com medo de fazer isso?
- Não, não sinto qualquer receio quando estou dirigindo. Mesmo que eu esteja muito consciente de que esta é uma forma muito mais perigosa de viajar. Mas isso não muda meus sentimentos sobre voar.

Eric está totalmente animado sobre este álbum e sua voz e ao fato de que pessoas de todo o mundo comporam canções para você quando souberam que estava planejado fazer outro álbum. Essa é uma situação fantástica.
- Sim, sinto-me muito privilegiada, já que não sei se acontece o mesmo com muitos cantores. Mas ambas, Frida e eu temos tido a oportunidade de escolher entre várias músicas e estou muito grata por isso.

Será que você lançará um novo álbum por ano a partir de agora?
- Não posso prometer um por ano. Talvez um de dois em dois anos.

Quando este álbum será lançado?
- Vai ser lançado em meados de fevereiro do próximo ano. O estúdio aqui foi reservado até a primeira semana de novembro.

Eu sei que não é permitido dizer "boa sorte" em sua profissão, por isso eu digo "quebre uma perna" e obrigado, Agnetha!
- Obrigada!













Fonte: Abbamikory
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